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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Insignificâncias...

Descobri hoje, por mero acaso, no perfil da rede social Facebook que o senhor vereador António Matos da Câmara Municipal de Almada utilizou uma fotografia da minha autoria sem fazer qualquer referência à sua origem, divulgando-a como se fosse propriedade sua.
Este é, talvez, um facto irrelevante até porque a imagem foi por mim disponibilizada online, tornando-a de acesso público e utilização livre. Todavia, e até compreendendo que o senhor vereador tivesse alguma relutância em citar a fonte, pelas razões que todos conhecem (derivadas da forte oposição que eu faço à gestão CDU da autarquia almadense), estando presente no evento uma fotógrafa ao serviço da edilidade mais fácil seria servir-se de uma das suas fotografias (que, com certeza, teria muita melhor qualidade, ao contrário desta tirada do meu telemóvel).  
Agora, servir-se de uma fotografia de outra pessoa e não citar a fonte (mesmo sendo ela pública), podendo parecer uma coisa sem importância, não deixa de ser, contudo, o prenúncio de um comportamento que mostra o desrespeito pelos direitos de autor... e se alguém aceita assumir como seu aquilo que é dos outros com uma simples fotografia, como será noutras situações?
Porque tal como fizeram outros que passaram pelo meu mural no Facebook e partilharam a fotografia, também o senhor vereador poderia assim ter agido mas... preferiu passar pela minha "casa" incógnito e fingir que a foto era sua (ou do município)... opções! e pouco adianta dizer mais sobre o assunto. Fica apenas registada a ocorrência.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Até parece que foi praga que me rogaram!


Hoje, sinto-me assim.
Depois de ter apanhado um "frio danado" na reunião da Assembleia Municipal na passada 5.ª feira, a segunda reunião (na 6.ª feira), acabou comigo de vez.
Porque a coitada da Assembleia Municipal não tem instalações próprias, é "uma sem abrigo", e necessita de, para reunir o plenário,"mendigar " a cedência de um espaço para o efeito (os quais nem sempre são os mais adequados), fomos reunir para a sala do 1.º andar da Cooperativa Piedense... todos se queixavam da falta de condições... com um piso gelado (de tijoleira), fiquei com os pés frios toda a noite (apesar de ir de botas e meias de lã) e, por isso, entrei mais ou menos e acabei de sair com uma crise de rinite alérgica, rouca e com uma constipação à porta (que acabou por chegar hoje).
Espero que tudo melhore até 2.ª feira pois nesse dia vai haver a 3.ª e última reunião da AM e, depois, na 3.ª feira, segue-se a Assembleia de Freguesia. Preciso, pois, de estar totalmente recuperada (até parece que foi praga que me rogaram. Livra!)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Fonte


Suspensa do teu olhar segui, passo a passo, por entre o nada... Da fonte que a meus pés nascia, as gotas de água pairavam no ar alimentando o sonho de, no seu reflexo, te ver como se fosses o meu póprio retrato.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Teoria do Medo: da política baixa aos factos concretos - um testemunho contra o esquecimento

Manuela Ferreira Leite parece que, agora, não sabe falar de outra coisa. Todos os seus discursos da campanha são focados no MEDO. No Medo das pressões que o Eng.º José Sócrates exerce no seio do funcionalismo público e nos meios empresariais, até na classe jornalística, na sociedade em geral, etc. & tal… E, por isso, fala de perseguições e “asfixia democrática”.

Para quem advoga só praticar uma “política de verdade”, que considera “uma inovação” de sua autoria (?), era bom que antes de proferir este tipo de acusações avivasse a memória (que, convenhamos, está bastante emperrada) e recordasse o clima que se viveu neste país durante os mandatos, em maioria absoluta, do excelentíssimo senhor Primeiro Ministro Cavaco Silva, hoje digníssimo e silencioso Presidente da República.

Eu sei que, entretanto, já se passaram muitos anos mas, em particular, é-me impossível esquecer (a mim e todos os meus colegas de trabalho à época) o que se passou no último trimestre de 1990 e primeiro semestre de 1991 aqui mesmo na Assembleia Distrital de Lisboa onde trabalho. Foram nove meses em que vivemos momentos de inqualificável terror (não, não foi antes do 25 de Abril, foi mesmo já em tempo de democracia), e não estou a exagerar, podem crer.

A Assembleia Distrital de Lisboa era, então, um órgão desconcentrado do Ministério da Administração Interna presidida pelo Governador Civil (Dr. Moura Guedes) que delegara essa função no seu Vice (Machado Lourenço) que “cozinhou” com o Secretário de Estado Nunes Liberato (agora, Chefe da Casa Civil da Presidência da República), o texto de um diploma que viria a retirar todo o património (móvel, imóvel e activos financeiros – avaliado em milhares de milhões de escudos) àquela entidade e a transferi-lo para uma Comissão de Gestão criada à sua “imagem e semelhança” para que pudesse continuar a geri-lo a seu bel-prazer depois da autonomização daquelas estruturas como órgãos descentralizados, dependentes apenas das autarquias do distrito, como viria a acontecer a partir de 08-03-1991 na sequência da regulamentação do artigo 291.º da CRP que assim o determinava.

Para que essa transferência de bens ocorresse “sem ondas” era necessário que fossem transferidos para o GC os serviços e o pessoal que havia na altura (Administração Geral, Cultura – Biblioteca e Museu Etnográfico e Assistência Social) devendo os funcionários assinar um requerimento a dizer que optavam, por sua livre e espontânea vontade, passar a pertencer à Administração Central e serem integrados no mal fadado “quadro de excedentes”.

As pressões exercidas por Machado Lourenço foram imensas, desde ameaças de despedimento (não renovação dos contratos a termo – e era nessa situação que eu e muitos mais nos encontrávamos) até ao prenúncio de virmos a ficar sem vencimento nos próximos meses, tudo serviu para “cativar” os indecisos. Claro que a maioria das dezenas de trabalhadores acabaram por não hesitar e assinar o referido documento. Quase todos, menos oito funcionários da Biblioteca dos Serviços de Cultura da ADL, entre os quais eu me encontrava.

A partir daí, as represálias não pararam. Desde impedir a limpeza do 3.º andar onde se situava a Biblioteca (convém esclarecer que o gabinete de Machado Lourenço era no 1.º andar do mesmo edifício), a cortar os cabos dos aparelhos de ar condicionado da sala de leitura (lembro que era Inverno pelo que esta vandalização acabou por fazer-nos passar uns gélidos meses de Inverno), até à violação de correspondência (que nos era entregue ostensivamente aberta) tudo aconteceu naqueles meses posteriores.

Mas houve mais, muito mais… O meu gabinete era no 4.º andar e um dia entram porta dentro dois funcionários, a mando de Machado Lourenço, e dão-me ordem de “despejo” (?). Como recusei sair, levam-me em ombros e, de seguida, trancam-me a sala lá ficando todo o meu trabalho e uma secretária com documentos pessoais. No dia seguinte, encontrei as minhas coisas no chão da entrada do 3.º andar ao lado dos sacos do lixo que se acumulavam por não serem recolhidos há semanas.

E a partir de 8 de Março de 1991 foi a machadada final: aqueles oito trabalhadores ficaram sem receber vencimento até Julho desse ano. Encetámos diversas diligências, solicitámos várias audiências, inclusive com o então Director Geral das Autarquias Locais (o hoje candidato a Presidente da Câmara Municipal de Almada, Dr. Pedroso de Almeida) – que também estava sedeado no mesmo edifico da ADL (5.º andar), mas todos foram insensíveis aos nossos argumentos… Sentíamo-nos cercados, ostensivamente abandonados (nem os sindicatos ousaram fazer fosse o que fosse), presos numa teia de enredos políticos manobrados pelo PSD.

Apoiada por alguns colegas, apresentei queixa à polícia, denunciei o caso à IGAT (hoje IGAL), contactei o Provedor de Justiça e dei entrevistas a vários jornais, entre eles, o Público, Diário de Notícias, Capital, O Independente, Tal & Qual e até o Diário Económico, onde toda a trama em volta desta situação foi sendo notícia regular.

Porque ousei desmascarar o que se passava, fui difamada e ostracizada (os colegas que haviam passado para o Governo Civil estavam proibidos de me falar), tentaram denegrir a minha imagem pessoal e profissional, testemunhei em tribunal, eu sei lá mais o quê… tanta coisa se passou… e eu aqui apenas vos relato uma pequena parte.

Foram tempos horríveis, que só me faziam lembrar “O processo” de Franz Kafka, mas numa versão ainda mais negra, e quase me fizeram desistir. Posso dizer-vos que até fome passei (na altura o meu ex-marido estava desempregado) e só não fiquei sem a casa e pude continuar a deslocar-me para o emprego todos os dias porque a minha ex-directora de Serviços fez o favor de me emprestar algum dinheiro para essas despesas básicas.

Felizmente resisti. E posso dizer-vos que valeu a pena. Mas se fosse hoje, não sei se teria tanta coragem.

Por isso, vir agora o PSD falar de medo e “asfixia democrática” deixa-me enojada. São manobras de política baixa, destinadas a desviar as atenções dos eleitores. Francamente… Medo tenho eu de voltar àqueles tempos.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O mar...

Já aqui vos disse que, quando estou cansada só me aptece ir ver o mar... Neste momento, precisava tanto de ir olhar estes horizontes, quase como de comer e/ou beber.

Felizmente tenho uma grande capacidade de sonhar e de, ao olhar para estas fotografias, me imaginar nestas paragens... sentir o calor do sol no corpo, a brisa a acariciar o rosto, o cheiro a maresia...

É pouco, eu sei, mas ajuda-me imenso a recuperar as forças. Porque, hoje, estou mesmo muito extenuada. E preciso de estar em forma, pois logo à noite tenho Assembleia de Freguesia e quero manter o nível de intervenção que, até aqui, tenho tido.


Praia de Santa Cruz, concelho de Torres Vedras (distrito de Lisboa)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Em busca de inspiração...

Amanhã, em vez de ir trabalhar, bem me apetecia ir ver o mar... gosto do Tejo, é certo. Mas às vezes preciso de horizontes mais vastos, sobretudo quando me sinto aprisionada pelo quotidiano...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Hoje apetecia-me ir viajar...


Gerir pessoas é muito complicado. Sobretudo quando a ingratidão se sobrepõe a qualquer valor... e tudo porque há trabalhadores que pensam terem só direitos ficando os seus deveres na gaveta. E pior, ainda, quando se deixam consumir pela inveja e acabam por desestabilizar o resto da equipa.

Vem isto a propósito de uma chatice lá pelas bandas do meu emprego que me deixou extramamente aborrecida. Logo agora que estou tão atarefada para não falhar o cumprimento atempado de uma série de novas atribuições, de muita responsabilidade, e que exigem de mim uma dose extra de concentração para não errar.

Por isso, como o cansaço começa a ser notório (ainda tenho duas semanas de férias do ano passado por gozar), dei por mim a pensar que me apetecia ir viajar... partir para outras paragens e arejar. Lembrei-me dos Açores e nem sei porquê. Estive lá faz agora 12 anos (ai como o tempo passa depressa...) - foi nessa altura que recolhi estas fabulosas imagens - e bem me apetecia voltar...



Ficam aqui alguns recantos destas ilhas encantadas (no caso é apenas de S. Miguel)... cá por mim vou sonhando com os bons momentos que ali passei e de olhos fechados vou tentar afastar a desilusão e o cansaço. Com o poder da imaginação, pode ser que consiga. Além disso amanhã é um novo dia e eu tenho muito que fazer.



Espero que gostem das fotografias.
Ofereço-as como forma de retribuir a vossa presença neste cantinho.
Obrigada.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Almada nua




Aos poucos, em nome do futuro que a CMA anda a prometer aos almadenses (o qual vem aí oferecido a metro, para gáudio dos amantes da modernidade), vai-se despindo Almada... a propósito das obras do MST, sítio por onde venham a passar os carris do dito, ou até nas proximidades (por contágio), é "limpo" de árvores... foi assim na Praça Gil Vicente e na Av.ª Afonso Henriques e, agora, nas Praças do MFA e de S. João Baptista (conforme as fotografias, tiradas há uns bons dias atrás, o documentam).

Almada, lamentavelmente, está a tornar-se numa cidade cinzenta e triste, de prédios degradados, passeios mal cuidados, lixo acumulado pelas ruas... onde o futuro parece limitar-se a um arranjo urbanístico frio, de ruas decoradas com cimento.

Esta questão pode até ser um mero detalhe face a tantos outros problemas que os almadenses têm de enfrentar, é bem verdade, mas, por favor... deixem-me expressar a minha mágoa. Sinto como se me tivessem arrancado algumas das raízes da minha infância ao ver assim caídas por terra tantas árvores, jorrando seiva cor de sangue...

E não me venham com essa de que ao falar assim estou contra o progresso. Nem sequer estou contra o MST. Todavia, reservo-me no direito de considerar que estas obras têm demasiadas falhas...
E termino este pequeno desabafo deixando uma imagem que pode ser de esperança... a resistência deste pequeno rebento que escapou, por enquanto, à fúria do serrote.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Trafaria

Li hoje, salvo erro no Jornal da Região, que a APL (Administração do Porto de Lisboa) quer aumentar o potencial de carga dos silos da Trafaria e instalar aí mais uns quantos desses "monstros", ocupando uma nova frente ribeirinha... que tristeza ver a minha terra natal assim ocupada por aqueles cilindros de cimento, altamente poluentes, que destruiram uma praia tão bonita. Que saudades do tempo em que eu corria pela areia branca, mergulhava nas ondas calmas do rio e me estendia ao sol, ali mesmo onde hoje é só lixo. Espero que a Câmara Municipal de Almada consiga impedir mais este ataque a esta freguesia tão esquecida pelos responsáveis políticos.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Entardecer

Foi ao entardecer que te conheci. Trazias no rosto o sorriso de quem procura um amigo e nos olhos o brilho do acolhimento sincero.

Eu estava ali, sozinha, embora nem me apercebesse desse facto porque eram muitos aqueles que me rodeavam. Mas ninguém me ouvia…

Sentia-me ausente, triste, sem conhecer a causa para tanta angústia. Os meus gestos eram tímidos e as palavras silenciosas. Talvez por isso, fosse tão difícil que me escutassem.
Quando tu entraste pela porta entreaberta, senti que a sala se iluminara. Mas não consegui aproximar-me de ti. O medo da rejeição fez-me ficar paralisada. Apenas sabia que queria muito que me visses, mas a máscara da timidez escondia o meu corpo e tu passaste por mim como se eu não existisse.

O entardecer já se fizera noite e eu ali, despida, como a árvore de ramos nus que avisto da janela.

sábado, 2 de dezembro de 2006

Porra!

Ontem, depois do almoço, fui até à Trafaria. E, ao chegar àquela que foi a praia da minha infância, de areia branca e fina, só me apeteceu dizer: PORRA!

Peço desculpa por utilizar esta interjeição, mas é que não posso deixar de ficar chocada com a imagem que se me depara... Com uma das mais belas frentes ribeirinhas do concelho de Almada, é triste ver este abandono a que a Trafaria está votada, sinónimo de irresponsabilidade dos políticos mas, também, dos residentes, em particular dos pescadores que deixam a praia parecendo uma lixeira.

E a propósito da palavra porra, lembrei-me de um trecho do livro AL-GHARB, de Alberto Xavier, que fez dar umas sonoras gargalhadas quando o li e contribuiu para me animar um pouco:
«Raros fonemas conseguem produzir o prazer «excretal» de «porra». Seja qual for o significado material deste fonema, a verdade é que é indizível o prazer acústico-labial que dá dobrar os lábios em posição de combate, e expelir a militar oclusiva «P» com o prazer uretral de quem urina, e a raivosa vibrante velar, o «R» sonoro forte, no véu palatino, de modo rolado, repetitivo, como um rufar de tambor ou um disparo múltiplo de «fogo grego». Dizer «porra» é (...) um estilizado e intencional prazer fonético.»

Bom fim-de-semana.

domingo, 5 de novembro de 2006

Pesadelo

Cansada, sentei-me ali mesmo. Olhando os barcos no areal, deixei-me ficar navegando entre mágoas... à espera de te ver surgir por entre as águas do rio sereno. Sentia a brisa fresca no rosto, os pálidos raios de sol aquecendo o meu corpo. E as horas foram passando, lenta e penosamente... Nas pedras da calçada o meu riso foi-se esmorecendo nas sombras frias do entardecer. Do céu caiam lágrimas minúsculas que no solo se transformavam num fino e brilhante manto de sonhos perdidos... Na eternidade da espera, afinal meros instantes, acordei daquele pesadelo e verifiquei que, afinal, ali mesmo junto a mim, me olhavas calado.

(hoje à tarde parto, mais uma vez, para Santarém... de onde regresso só na 4.ª feira à noite. Por isso não sei se terei oportunidade de aparecer por aqui. Como tal, despeço-me até 5.ª feira, na certeza porém de que tudo farei para passar por cá, nem que seja apenas para responder aos comentários. Fica aqui, pois, um abraço para cada um dos visitantes)

sábado, 4 de novembro de 2006

Sonho e Mar

Hoje choveu desde manhã ao anoitecer. O dia esteve cinzento... o ambiente era húmido e deprimente. E eu que me apeteceu tanto ter ido até à praia, passear na areia, sentir a espuma das ondas fazer-me cócegas nos pés... sentar-me nas rochas a ler um livro, ou deixar-me ficar, simplesmente, a olhar o mar... inebriar-me com o perfume da maresia e SONHAR!
Talvez a própria expressão desta vontade mais não seja do que um sonho, enquanto deitada na cama oiço a chuva a bater nas vidraças da varanda. Desligo a luz do candeeiro e, no silêncio do quarto, adormeço a teu lado. Boa noite. Até amanhã!

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Caricaturas

Às vezes sinto-me tão desiludida com algumas pessoas que fico mesmo angustiada... Mas, depois, analisando as situações friamente, chego a ter pena desses imbecis que mais não são do que caricaturas daquilo que julgam ser! E fico mais tranquila, embora lamente que a cegueira voluntária os impeça, afinal, de serem felizes.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Santarém / Cacilhas

Vim de lá na 6.ª feira passada e para lá irei na próxima semana, talvez!

Mas já tenho saudades de Santarém... e, apesar de gostar de viver em Almada (concelho onde nasci), de trabalhar em Lisboa (onde por cá ando desde 1983) e de atravessar o Rio Tejo todos os dias, fico saudosa só de pensar na vista que os meus olhos alcançam quando me aproximo da janela do gabinete onde passo o dia na cidade scalabitana.

Esta fotografia foi tirada na 5.ª feira, chovia tanto que até fazia nevoeiro, mas mesmo assim dá para verem quão bela é a paisagem naquela zona: «as portas do sol», com o "meu" Tejo em fundo.

Acho que vou pensar, seriamente, em arranjar casa por aquelas bandas... estava mesmo a precisar de descansar da azáfama da área metropolitana, sobretudo da poluição e dos dias confusos, de gente apressada e indiferente... Enfim, por enquanto vou-me contentando com umas quantas viagens semanais!

Mas, no fundo, não sei se seria capaz de abandonar a "minha" terra adoptiva (Cacilhas, onde resido): apesar de degradada, sinto-me hipnotizada pelo seu passado histórico, pela riqueza dos seus costumes, pela proximidade a Lisboa... e, principalmente, pela presença tão próxima do estuário do rio Tejo, um dos mais belos da Europa.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Carta a uma jovem amiga

Hoje estou sem inspiração para escrever. Por isso, resolvi ir, mais uma vez, ao "baú da memória" e de lá retirei esta carta/desabafo escrita há uns tempos atrás e que aqui publico alguns excertos:

«(...) Sei que nenhum laço familiar nos liga, é bem verdade. Mas considero-te “um pedacinho minha”, expressão que utilizo para demonstrar o muito carinho que sinto por ti... A filha que não tive, é bem verdade, mas, principalmente, a jovem que admiro sobremaneira, pela inteligência, pela coragem de assumir a diferença, pelo à vontade em discutir temas habitualmente arredados do léxico juvenil e, principalmente, por me identificar com o carácter dessa jovem tímida, de riso espontâneo, com uma sensibilidade muito acima da média.

Nunca tentei ocupar o lugar da tua mãe, como bem o sabes. Tive, sempre, o cuidado de separar os papéis que cabem a cada uma e, ontem, como hoje, tentei ser, simplesmente, amiga... Porque esse estatuto não usurpa nenhum outro: cada amigo tem o seu cantinho especial, que é só dele, e eu pensei que me tivesses reservado um, tal como eu tenho um que será sempre teu, aconteça o que acontecer daqui para a frente.

Reconheço, agora, que talvez tenha errado ao pensar que os meus actos, ao longo destes anos em que nos conhecemos, tinham sido suficientes para que tivesses percebido que o meu único desejo, mesmo que nunca o tenha exprimido por palavras, era o de poder partilhar contigo uma amizade construída passo a passo, sem imposições de qualquer espécie, solidificada em interesses comuns, ao ritmo e necessidades de cada uma de nós, assente em emoções vividas em conjunto, numa cumplicidade que pensei inabalável.
(...)
Não quero pensar na hipótese, algo provável tenho de o admitir, de alguma vez teres interpretado mal as minhas intenções. Não quero pensar, sequer, que o teu crescente silêncio dos últimos meses, mais do que mera dificuldade em expressar sentimentos íntimos (que julgava perceber tão bem... também eu, na tua idade, era assim calada e introvertida), possa ter sido fruto de uma qualquer dúvida quanto aos meus sentimentos por ti, como se, inexplicavelmente, passasse a ser alguém que se tolera apenas por obrigação.
(...)
Recuso-me a aceitar que esse teu comportamento fechado (que aceitei como sendo uma característica da tua personalidade, típica das crises da adolescência pelas quais todos os jovens na tua idade passam, e que, a seu tempo, seria ultrapassada como aconteceu comigo) possa ser a expressão de um desinteresse que foi quebrando os fortes laços de respeito e confiança mútua que acreditei termos construído e, hoje, reste apenas indiferença, ou a necessidade egoísta de aproveitares certos momentos para atingires meros objectivos pessoais, cuja satisfação final vale o sacrifício de gramares uma companhia que não aprecias, fingires atitudes que não sentes, ou mascarares sentimentos, apenas para obteres o que queres.
(...)
Com esta carta, não pretendo pressionar-te a assumir nenhuma atitude ou a admitir seja o que for, sei que somos amigos apenas de quem queremos e não de quem se nos impõe (por isso, respeitarei o teu silêncio se essa for a tua opção)… Mas quero que saibas que continuo a mesma que conheceste há seis anos atrás, que gosta muito de ti, se preocupa contigo e quer, acima de tudo, o teu bem-estar e que te sintas feliz. Todavia, só ajudarei no que puder, ou, melhor dizendo, naquilo que me deixares ajudar, e, podes crer, nunca me intrometerei onde não queiras, como sempre fiz até aqui.
(...)
Sabes que podes contar comigo para o que der e vier. A esse nível, nada mudou. Estou disponível para te ouvir quando quiseres, à hora que for preciso. Pretendo continuar a agir como antes e, por isso, partilharei contigo tudo o que resulte de um acto voluntário e inequívoco da tua parte. (...)»

sábado, 12 de agosto de 2006

Ausência






À luz difusa do entardecer
As mágoas do meu coração na água do mar lavei...

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Portugal a arder

Parece que, infelizmente, os incêndios voltaram em força. Qualquer dia Portugal é um imenso rectângulo carbonizado, à beira-mar enegrecido.

Não consigo perceber como é possível que, de ano para ano, o cenário de desgraça se repita… incendiários enlouquecidos e políticos entorpecidos ninguém os consegue tratar. Entretanto, da inoperância da justiça à escassez de meios, por entre lágrimas sentidas e o clima desregulado, parece que do fogo apenas se lembram enquanto as chamas se vêem no horizonte.

No rescaldo, a revolta cala-se nas cinzas que o vento leva para outras paragens. Fica a desolação dos que tudo perdem. E o esforço de alguns para que assim não seja.

Imagem: Álbum de Costumes Portugueses
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quinta-feira, 13 de julho de 2006

Ingratidão

Hoje apetece-me falar sobre a ingratidão no seio da família, sobretudo dos filhos para com os pais.
Da ingratidão e do egoísmo que ela representa, da facilidade com que se quebram laços de amor, amizade e respeito apenas porque há filhos que pensam que a felicidade é ter a liberdade de fazer o que se quer, sem ter de cumprir regras, como se os conselhos paternos fossem sempre sinónimo de injustiça.
Filhos que preferem mentir aos pais e os tratam como inimigos. Filhos que consideram os progenitores como pessoas de pouca confiança porque estes nem sempre lhes satisfazem as vontades.
Filhos que têm da vida uma visão interesseira, desprovida de consideração pelos sentimentos dos outros, que não entendem a preocupação dos pais e a consideram sempre uma incómoda forma de controlo.
Filhos que querem dos pais todo o bem estar e dinheiro possível, mas que não se esforçam por compreender o sacrifício que, por vezes, eles fazem para lhes proporcionar uma boa vida.
Filhos que são indiferentes aos sentimentos dos pais e cujo sofrimento é algo que pouco ou nada lhes interessa.
«Filho és, pai serás, como fizeres assim acharás»... no fundo, jovens que se julgam felizes hoje mas que virão a ser adultos amargurados, porque decerto irão encontrar à sua volta, quiçá no seio da família que venham a constituir, muitos outros corações insensíveis, como o seu próprio foi.
Filhos que, mais tarde ou mais cedo se envergonharão da forma ingrata como trataram os pais, mas que podem não chegar a ter oportunidade de lhes mostrar o seu arrependimento...

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Espinhos conjugais

«A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, servindo-lhe uma cerveja bem gelada. Nada de incomodá-lo com serviços ou notícias domésticas.»
(Jornal das Moças, 1959)
Era assim há 46 anos atrás… mas, infelizmente, hoje, muitos homens ainda pensam desta forma. Apesar de utilizarem uma linguagem mais liberal, quando chegam a casa agem como se a companheira fosse uma simples criada para todo o serviço. Mesmo quando ela regressa tão cansada quanto ele, raros são aqueles que se disponibilizam para colaborar nas tarefas domésticas e tratar dos filhos… e que dizer, então, das cenas de violência doméstica (seja de maus tratos a crianças, cônjuges ou, até, a idosos) que todos os dias saem na imprensa? Será que a família portuguesa está a caminhar em frente, ou a fazer marcha-atrás?
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