domingo, 8 de março de 2009

Breve história de Portugal... Divertida!

Hoje é Dia da Mulher. Mas não vou falar sobre isso. Porquê? Porque ele acontece (ou deveria acontecer) diariamente (de Janeiro a Dezembro) e não apenas em 8 de Março.

Por isso, deixo-vos esta pequena preciosidade: a história de Portugal contade em 7 minutos. Narrada com humor. Muito interessante.

Divirtam-se.

sábado, 7 de março de 2009

Sintra... um passeio que vale a pena.

Amanhã é Dia Internacional da Mulher. Sendo domingo é, também, uma excelente oportunidade para levar a sua esposa a almoçar fora, pegar na família e ir passear, pois o tempo promete estar óptimo.
Deixo-vos aqui a minha sugestão: uma ida a Sintra, para visitar a Quinta da Regaleira, o Palácio Nacional da Pena e o Castelo dos Mouros. Vão ficar encantados...


Quinta da Regaleira

Palácio Nacional da Pena

Castelo dos Mouros

sexta-feira, 6 de março de 2009

Lisboa... uma beleza que sempre nos espanta.




Nesta semana tenho andado com bastantes problemas na Internet, aqui por casa. Só a muito custo consigo consultar o correio e não tenho conseguido actualizar o blogue.

Já reclamei para a NetCabo... mas não sei se vou conseguir alguma coisa.


Para cúmulo, o meu "velhinho" portátil já deu o que tinha a dar.


Por isso, nesta "aberta" em que consegui entrar na edição do Blogger, deixo-vos este slide-show (com fotos tiradas no passado dia 23 de Fevereiro), numa passeata matinal que fiz a Lisboa... em jeito de pedido de desculpas por este meu "quase silêncio forçado".

E ficam aqui, também, votos de bom fim-de-semana.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Uma questão de horários.

Passam um a seguir ao outro. Seja em que direcção for (de ou para Cacilhas, em ambas as linhas). Apenas com 2 minutos de intervalo. Quem perde um e outro, fica, depois, quinze minutos à espera do próximo. E do que se lhe segue, 2 minutos depois.

De Cacilhas até à Av.ª Bento Gonçalves, seguem o dois no mesmo trajecto. Atravessam a cidade de Almada no mesmo corredor. Por isso, estes horários assim desfazados não fazem sentido.

Poder-se-ia manter a mesma diferença entre cada serviço, mas desencontrar os horários de ambas as linhas, de modo a intervalar, de forma mais equilibrada, a passagem do MST pela cidade de Almada.

Prestar-se-ia um muito melhor serviço à população, em vez deste fenónemo incompreensível dos horários quase colados um ao outro e um período de espera alargado, para quem tiver o azar de perder o MST que vem em segundo lugar.

domingo, 1 de março de 2009

Diálogos cruzados (2.ª parte)

E cá temos, de novo, uma nova conversa trocada com o meu “amigo” Curioso. Há quem defenda que não lhe deveria dar troco. Que responder-lhe é dar-lhe demasiada importância, quando o dito senhor (anónimo!) apenas pretende desestabilizar. Mas eu acho que, contudo, só lhe tenho a agradecer a oportunidade de me fazer explicar aquela que é a minha posição e a do Bloco de Esquerda.

Deixar as suas palavras ficarem a germinar no campo da minha indiferença, poderia não dar frutos é bem verdade, mas é bom que cortemos as ervas daninhas pela raiz e se esclareçam todas as dúvidas para que quem lê este blogue perceba de que lado está a razão.

Pedindo desculpa pela extensão deste artigo, aqui vai a “correspondência” trocada:


«Cara Minda,

Pense o que quiser de mim, pouco me interessa. Se não revelo a minha identidade é porque tenho razões para isso, e ponto final.

Depois, este espaço que você criou presta-se a estas coisas, ou não? Será que posso depreender das suas palavras algum laivo de tentativa de censura às ideias? Não serão as ideias que são importantes, muito mais do que as identidades?

Tem medo das minhas ideias? Olhe, para que fique absolutamente descansada, nenhuma das hipóteses que você adianta relativamente às razões do meu pseudónimo anónimo me assenta. Nem uma!

Mas não me responde às perguntas que fiz. Diz que o vai fazer noutro espaço. Assim espero, porque gostava de trocar ideias – não me interessa nada trocar identidades – sobre estas matérias.

Quanto à Sr.ª Deputada Municipal Helena Oliveira, que vem aqui com um discurso digamos "mais institucional" do que a Minda normalmente tem, dei-me ao trabalho – porque sou, de facto, curioso –, de ir ao site da Assembleia Municipal ler o requerimento (aliás requerimentos) do BE, mas também a resposta que julgo ser do Director da área dos Recursos Humanos da CM Almada.

E confesso que, fazendo o balanço entre uma coisa e outra, não entendo mesmo onde é que o Bloco de Esquerda pretende chegar. Mas é dificuldade minha, seguramente.

Quanto à transparência e mesmo à honestidade política do discurso da Sr.ª Deputada Municipal, tenho mais do que reservas. Essa de fazer comparações de situações que não são comparáveis é "chão que já deu uvas", e só incautos caem nessa.

Retirar conclusões como a Srª Deputada Municipal faz relativamente à atitude da CDU na AM Almada, baseada em comportamentos da CDU noutras assembleias e noutros espaços, só pode revelar má fé na tese que defende. Pois se o Bloco de Esquerda insiste em acusar a CM Almada de algo que a CM Almada não reconhece como verdadeiro (as palavras do Director Municipal assim o expressam claramente), que atitude estaria a Sr.ª Deputada Municipal do BE à espera da CDU? Se é mentira o que o BE anda a propalar relativamente à CM Almada, e se é sobre essa questão que o BE leva moções atrás de moções à Assembleia Municipal, que atitude acha que seria a justa? A menos que a Srª Deputada Municipal do BE tenha a arrogância inaceitável de pensar que o Director Municipal está a mentir naquilo que lhe escreve em resposta ao seu requerimento...

E mais do que isso, a não ser que a Sr.ª Deputada Municipal do BE não saiba também ler os despachos da Presidente da CM Almada anexos à referida resposta.

Insisto, por isso, o que move o Bloco de Esquerda nesta "cruzada"? Lembrando, também, que a Minda, confessa militante e autarca eleita por este Partido Político, aqui tem defendido a aplicação de uma lei que é absolutamente nefasta para os trabalhadores da administração pública, quando para ser coerente consigo própria o que eu penso que deveria fazer era denunciar essa lei, combatê-la e exigir a sua revogação. Ou será que quando serve os seus interesses partidários que afirma "transparentes e coerentes", a questão se coloca noutros termos...?»



Caro Curioso:

Tem razões para continuar anónimo e ponto final. Pois com certeza. Assim seja. Mas terá de me permitir continuar a achar que essa sua atitude demonstra falta de coragem (para não dizer cobardia), a qual, por sua vez, é exemplo de vergonha, insegurança e/ou temor a represálias, quiçá por ser alguém de quem não se espera tenha este tipo de opiniões (o que nos levaria a uma outra discussão que não vale a pena, sequer, aqui começar). Por isso, avancemos...

O Infinito’s presta-se a estas coisas? Ao anonimato dos comentadores? Pois, sim. E esse facto é em si a justificação para que aja desta forma? Não brinque comigo.

Terei eu medo das suas palavras? Censura às suas ideias? Mas onde é que foi buscar essa peregrina conclusão? Apenas porque eu gostava de saber quem é o meu interlocutor? Francamente... Isso cheira-me, antes, não à ofensa velada com a qual me pretende atingir mas, antes, àquilo de que você é capaz de fazer quando não consegue obter os resultados que pretende. Alguma vez lhe cortei a palavra? Alguma vez o impedi de dizer o que pensa? Então, apenas porque me defendo das suas erráticas e pouco sérias acusações isso significa que censuro as suas ideias? Que exagero...

Confessa que, acerca dos requerimentos que o BE apresentou, questionando a CMA sobre o trabalho precário na autarquia, e a resposta do Dr. Pedro Filipe “fazendo o balanço entre uma coisa e outra, não entendo mesmo onde é que o Bloco de Esquerda pretende chegar. Mas é dificuldade minha, seguramente.”

Infelizmente não me parece que tenha lido os dois primeiros requerimentos do BE e a resposta da CMA com a mesma atenção. Por isso a sua interpretação dos factos é deficitária. Porque, se tentar fazer uma leitura atenta de ambos os documentos verificará que as razões são muitas para continuar a exigir explicações à CMA.

Onde pretendemos chegar? Mas não é óbvio? Ao esclarecimento das irregularidades que, ao nível da gestão de pessoal, a CMA tem cometido nos últimos anos. E não são simples suspeitas. Temos provas concretas, de casos específicos. E um destes processos até já está em Tribunal, sendo que a CMA nem sequer apareceu na 1.ª audiência destinada a encetar uma tentativa de acordo entre as partes. Ora, se a CMA tem tanta certeza de que a razão está consigo, que não comete ilegalidades na contratação de pessoal, porque não foi desmascarar a situação em Tribunal? O caro Curioso saberá responder-me?

Por isso, motivos sérios de reserva quanto à sinceridade do discurso (seja o seu, ou o da CMA) teremos de ter todos nós.

Critica a honestidade política e a transparência do BE. Quer-me explicar, e aos leitores deste blogue, onde está a honestidade do PCP que diz defender os direitos dos trabalhadores e dá, em simultâneo, o aval à M.ª Emília para recrutar pessoal em regime de prestação de serviços para desempenhar tarefas permanentes, sabendo que isso é contrário à lei?

O que o BE anda a propalar é mentira? Ai é? Então porque razão a CMA não respondeu, ainda, aos nossos últimos requerimentos tendo deixado passar o prazo legalmente estabelecido? Mas que respeito é este pelas regras de um estado de direito? Quem não deve não teme, não é assim? Mostrem as provas concretas de que estamos a mentir. Não andem com evasivas ou silêncios comprometedores. Deixem-se de hipocrisias baratas ou demagogias de algibeira e atrevam-se a apresentar os dados concretos.

Porque o BE insiste em apresentar moções e requerimentos sobre este assunto – friso: porque as respostas são inexistentes ou não são satisfatórias (afinal não é esse o papel da oposição? Aliás, fiscalizar a actuação do executivo é ou não é uma competência dos órgãos deliberativos?) o senhor acha que a deputada municipal do BE Helena Oliveira está a demonstrar “a arrogância inaceitável de pensar que o Director Municipal está a mentir”... Se não está a mentir, então, só demonstra incompetência, o que é igualmente grave.

Sabe, por acaso, o senhor Curioso, qual é a legislação que impediu a CMA durante cerca de quatro anos (2005 a 2008) fazer concursos de promoção, como o Dr. Pedro Filipe afirma? É que ele não a indica e que nós saibamos isso é uma refinada mentira, pois o que esteve congelado durante esse período foram as progressões. Saberá ele a diferença entre uma coisa e outra? Se não sabe deveria saber, pois o cargo que ocupa assim o exige.

Parece-me que, afinal, quem não sabe ler é o senhor, ao contrário da deputada do BE. Os despachos da Sr.ª Presidente demonstram o quê? Que se fizeram concursos de pessoal para integrar os contratados a termo? E depois? Isso resolveu a situação dos “falsos recibos verdes”? Ou da reclassificação dos administrativos que desempenham funções de técnicos superiores? Claro que não! Acha isto justo?

E não me venha dizer que estamos a mentir. Porque, então, a CT também mente e a delegação do STAL igualmente. Não acha que é gente a mais a mentir? Já diz o povo que “não há fumo sem fogo”...

E se mentimos nas acusações que fazemos, porque a CMA não esclarece tudo de vez e apresenta as provas irrefutáveis de que diz a verdade? Porque não se foi defender em Tribunal no caso que atrás falei? Julgar-se-á acima da lei?

O que move o BE nesta “cruzada”? Tão só e apenas desmascarar a prepotência deste executivo municipal e as irregularidades que tem vindo a cometer ao nível da gestão de pessoal. É difícil de perceber? Talvez para si seja, mas os trabalhadores da CMA sabem que estamos a lutar pela defesa dos seus direitos.

A Lei 12-A/2008, de 27 de Fevereiro, tem muitas armadilhas que podem prejudicar os trabalhadores. Mas prejudicam muito mais os trabalhadores os maus dirigentes, cuja incompetência acaba por lesar os seus interesses por vezes de modo irreversível. Aqui tenho defendido è a correcta aplicação dos preceitos contidos naquela lei. Enquanto não for revogada, é nosso dever cumpri-la e tentar menorizar os efeitos sobre os trabalhadores. Agora a CMA está a procurar fazer exactamente o inverso, chegando ao ponto de, deliberadamente, interpretar de forma tendenciosa as regras para depois acusar o Governo de ser o culpado pelas consequências da sua aplicação. Um caminho perverso, na minha opinião, e que só é seguido por quem não tem argumentos válidos.

Com o seu discurso o senhor está a legitimar que aqueles que não concordam com determinada lei não a devem aplicar. Portanto, está a dizer que é legítimo cada um só seguir as normas que o beneficiam. Acha isso correcto? É este o Estado de direito que defende? Nesse caso apoiará todos aqueles que, porque não concordam com elas, violam as leis que asseguram alguns direitos básicos consignados na nossa Constituição?

E o senhor que gosta tanto que lhe responda às perguntas, atreva-se a responder àquelas que lhe coloco. E tenha a frontalidade suficiente para provar o que diz e não vir para aqui com discursos ocos ou insinuações despropositadas, facilmente desmontadas pela simples leitura dos factos.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Diálogos cruzados (1.ª parte)

Esta conversa trocada, literalmente (às avessas digo eu, porque parece que cada um dos intervenientes está falando de coisas bem diferentes), começou com o meu artigo de sexta-feira passada, intitulado «A ética e a legitimidade política», uma breve análise acerca da posição da CDU na Assembleia Municipal de Almada ao rejeitar a moção do Bloco de Esquerda sobre «O código da contratação pública e o desincentivo à precariedade», o qual mereceu alguns comentários de um certo anónimo, auto-designado CURIOSO.

Este artigo é o primeiro, ao qual se seguirá um outro (mais não sei, tudo depende da contra-argumentação que me seja apresentada), é uma resposta a este senhor, pois achei que era insuficiente ficar limitada ao curto espaço disponibilizado pelo sistema de comentários da Haloscan.

Para boa compreensão deste “diálogo cruzado”, começo por transcrever as palavras do senhor Curioso (alguém a quem, contudo, segundo parece, a curiosidade dos outros incomoda sobremaneira):


«Apenas três perguntas de curioso mesmo.

1. Porque é que a Minda (ou o Bloco de Esquerda por ela, ou ela pelo Bloco de Esquerda) tem tanto ódio à CDU e ao PCP?

2. Será que a Minda não achará estranho que apenas o PS, partido do governo de maioria absoluta, responsável pelo Código da Contratação Pública (como do Código do Trabalho ou da famigerada Lei 12-A/2008...) vote ao lado do BE uma moção como aquela que ontem foi apresentada na Assembleia Municipal de Almada pelo Bloco de Esquerda?

3. Porque é que a Minda (ou o Bloco de Esquerda por ela, ou ela pelo Bloco de Esquerda) tanta apologia faz (tem feito) da famigerada Lei nº 12-A/2008? Estará a Minda (ou o Bloco de Esquerda por ela, ou ela pelo Bloco de Esquerda) de acordo com as disposições legais da famigerada Lei 12-A/2008? Ou estará de acordo apenas com algumas dessas disposições legais?

4. (afinal são quatro perguntas. Bem vistas as coisas, até são seis ... estou a habituar-me com o Bloco de Esquerda, que pelo que pude constatar no site da Assembleia Municipal onde estão os requerimentos apresentados à CM Almada, se tem fartado de perguntar, e perguntar e perguntar nos últimos tempos ... só num requerimento são mais de 60 (!) perguntas). Como se passam as coisas na única Câmara Municipal gerida pelo Bloco de Esquerda, a Minda sabe responder-me? Deve ser um paraíso, certamente...»



Caro Curioso:

Começa por me perguntar, «porque é que eu e o Bloco de Esquerda temos tanto ódio à CDU e ao PCP»?

Ao que eu lhe respondo: reduzir o confronto político a sentimentos deste calibre, faz-me lembrar os tempos da outra senhora onde quem não estava com o Governo era contra ele e quem era contra o Governo era porque o odiava e não porque eles estivessem errados. Não sabia era que, em Almada, quase 35 anos depois do 25 de Abril, fosse possível haver quem continuasse a pensar dessa forma mesquinha e capaz de considerar que expressar opinião diferente da maioria que detém o poder autárquico e exigir explicações ao executivo municipal, dando cumprimento àquele que é o papel, legalmente definido, dos órgãos deliberativos se resume a “odiar”. Como se todos os políticos fossem movidos por questiúnculas irracionais...

Ódio? Esse é sentimento que não sinto por nenhuma pessoa, muito menos por um partido político. E quanto ao BE, não é essa a postura dos nossos eleitos. Mas se coloca essa hipótese, é porque deve ser essa a sua postura... mas dou-lhe um conselho: antes de julgar os outros deixe de se olhar ao espelho para não ser influenciado pelos reflexos da sua própria imagem.

Odiar o PCP? Não, não odeio. Não, não odiamos. Está muito enganado. Mas se há coisa que nos custa a tolerar é a incompetência e, sobretudo, quando o desleixo profissional mais não é do que a capa para a ingerência do poder político em questões de mera organização processual como tem vindo a acontecer na CMA ao nível da gestão dos recursos humanos.

Além disso, não confundamos a CDU e o PCP de Almada, em particular a Presidente da CM, com o partido a nível nacional, embora a conivência passiva com que têm silenciado as irregularidades cometidas neste município no sector de pessoal, seja deveras intrigante.

Estranha que o PS concelhio tenha votado favoravelmente a moção do BE? Pois eu estranho, mais ainda, que num órgão deliberativo municipal a CDU pretenda-o transformar numa plataforma para fazer, em exclusivo, oposição ao Governo como forma de ver se problemas locais passam despercebidos, como aliás tem vindo a acontecer. Jogo este no qual o próprio PS tem vindo a pactuar.

E fala na maioria absoluta do Governo, para explicar a aprovação seja do Código do Trabalho ou da Lei 12-A/2008. Essa tem a sua graça... como se a maioria absoluta da CDU em Almada fosse sinónimo de democracia local quando, salvo as devidas distâncias, é tanto ou mais perniciosa do que a do PS e enferma dos mesmos vícios de sectarismo e prepotência, com a agravante de durar há muitos mais anos e o sentimento de impunidade dos seus autarcas tocar as raias do inantigível (julgam eles).

Quanto à Lei dos Vínculos, Carreiras e Remunerações (a Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro), diploma que, na sua opinião, eu e o BE andamos a fazer a apologia, deixe-me dizer-lhe o seguinte: sabe, com certeza, que este diploma, apesar de toda a contestação, está em vigor há vários meses. Correcto? Se os sindicatos nada conseguiram, acha então que uma forma de contestação é os autarcas e os funcionários recusarem-se a aplicar a lei?

Para si, exigir a adequada aplicação de uma lei é fazer a sua apologia? Defende, consequentemente, o seu incumprimento, presume-se? A solução por si proposta é: incentivar à desobediência legal? Certo? Considera legítimo, portanto, que prejudicar ainda mais os trabalhadores, deliberadamente e com dolo mesmo, é um comportamento digno? Belo exemplo de gestão autárquica que o senhor nos sugere.

Nesse caso, acho melhor protestar, também, contra o STAL. É que, não sei se sabe, eles andam, afinal, pelos vistos à revelia das orientações do PCP (que, todos sabemos “domina” este sindicato) como você aqui nos tenta demonstrar, a fazer a apologia dessa “famigerada lei”, propondo aos autarcas que cumpram determinados preceitos na aplicação concreta da mesma. Enviaram mesmo uma circular a todas as autarquias locais e distribuíram um comunicado aos trabalhadores nesse sentido. Talvez o senhor lhes devesse dar uns conselhos...

Há! E já agora, contacte a Comissão de Trabalhadores da CMA (onde o PCP é maioritário) e mande-os calarem-se também, pois foram alguns dos seus comunicados que nos deram matéria para contestar a gestão da CMA. (bem, se calhar nem é preciso pois parece que alguém já tratou disso).

Por último, questiona-me sobre o número elevado de perguntas que o BE tem andado a fazer à CMA nos últimos tempos. Quer com isso dizer que o papel da oposição é manter-se calada? Então, porque faz o PCP tantas perguntas ao Governo? Ou apenas se pode questionar os outros? Dois pesos e duas medidas em política costumam dar mau resultado...

Quanto a Salvaterra de Magos. É um paraíso? Nunca lá fui. Mas caberá à oposição local (e não a mim), entre os quais se encontram eleitos da CDU, fazer o seu papel. Se têm dúvidas, questionem, denunciem. Não cruzem os braços, como em Almada não pretendemos fazer.

Desculpe lá se acabei por lhe apresentar mais uma série de perguntas, coisa a que, já vi, parece ser alérgico.

Por hoje termino. Em breve responderei ao seu segundo comentário se, entretanto, não tiver nada de mais interessante para postar.

E por uma questão de educação, despeço-me desejando-lhe a continuação de um bom fim-de-semana.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A importância da luz

Ontem, coube-me fazer a apresentação da obra A Importância da Luz, vencedora do prémio de poesia e ficção de Almada 2006.

Foi uma intervenção necessariamente breve porque o importante não era a minha modesta opinião (uma leiga na matéria e tão só uma amante da poesia, que a aprecia com os “olhos do coração” e não como uma especialista em literatura poética), mas sim a obra em si.

Se por um lado vos pode parecer óbvia a minha apreciação, por ser amiga pessoal do autor, é decerto essa condição que me permitiu criar o necessário envolvimento para perceber as várias mensagens que o Isidoro nos dá o privilégio de conhecer através das suas palavras.

A Importância da Luz é um retrato multifacetado de sentimentos e memórias dispersas.

Da esquerda para a direita: Ermelinda Toscano (Poetas Almadenses), Isidoro Augusto (o autor) e Armando Correia (Director da Biblioteca Municipal Romeu Correia).

Cada verso contém preciosos fragmentos de afectividade, sentida e profunda, onde as sílabas expressam um amor óbvio à vida, mas quase sempre com um mais ou menos leve toque de doce nostalgia.


Este livro contém um conjunto vasto de emoções, definidas de uma forma subtil, mesmo quando o poeta pretende exprimir mágoa, revolta e raiva.

Construções poéticas extraordinárias, simples na aparência mas de uma riqueza linguística e semântica incrível que nos seduzem em cada página como estes tão belos quanto curtos poemas, aos quais o autor nem título deu e que não posso deixar de transcrever:

nem sempre as águas me levam

ao saber

eterno

calmas são as margens

do que sinto e do que vejo

tão branco é o que escrevo

Alexandre Castanheira

tóxica a palavra

da salvação

intrusa errática atmosférica

castradora ameaça

sanguínea fogueira

um verdadeiro muro


Helena Peixinho

teríamos sido

se a noite assim deixasse

escorrer o verbo

e os sentidos

assim tão explícitos


Vista geral da sala Pablo Neruda, local onde decorreu a sessão de lançamento.
Faltam-me aqui, tal como ontem, as palavras para vos continuar a guiar por esta que foi a minha leitura de um livro que eu considero, simplesmente, magnífico.

É que o Isidoro tem o dom de nos fazer reinterpretar cada poema nas sucessivas visitas que ao seu livro sentimos necessidade de fazer, pois aquilo que diz nas entrelinhas é muito mais do que o conteúdo aparente das vestes com que nos apresenta cada verso.

Imagens de: Manuel Barão.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A ética e a legitimidade política

Ontem, o Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia Municipal de Almada a moção abaixo transcrita, a qual foi rejeitada com os votos contra da CDU e a abstenção do PSD, tendo o PS e o BE votado a favor:


«O CÓDIGO DA CONTRATAÇÃO PÚBLICA E O DESINCENTIVO À PRECARIEDADE

Considerando que:

As consequências da crise económica que o país está a atravessar têm tido um reflexo assaz devastador nos níveis de Emprego tornando cada vez mais prementes a assumpção de medidas concretas que visem defender o Trabalho e os direitos dos trabalhadores.

Em tempos conturbados como os actuais, com o desemprego a aumentar de forma assustadora, a luta contra a precariedade deve ser, também, um dos nossos principais objectivos em termos laborais.

As Autarquias Locais podem ter um papel muito importante na adopção de procedimentos de desincentivo à contratação de trabalhadores com vínculos precários, sobretudo “falsos recibos verdes”, pelas entidades às quais adjudicam a aquisição de bens e serviços.

Os critérios de adjudicação devem ter uma forte ligação às necessidades e interesses públicos que consubstanciam a aquisição, entre os quais, numa perspectiva de desenvolvimento económico integrado, se podem inserir as preocupações sociais subjacentes à luta contra a precariedade, pela dignificação dos trabalhadores.

A Assembleia Municipal de Almada, reunida na sessão ordinária de 25 de Fevereiro de 2009, delibera recomendar à Câmara Municipal de Almada que:

À semelhança da obrigatoriedade de se exigir às empresas a comprovação prévia da regularização da sua situação tributária (Finanças) e contributiva (Segurança Social) para que seja possível proceder a quaisquer pagamentos superiores ao montante legalmente estabelecido, se passe a exigir, também, que assumam o compromisso, mediante declaração escrita, de que não possuem trabalhadores em regime de prestação de serviços a desempenhar funções de carácter permanente, na medida em que o Código dos Contratos Públicos (aprovado pelo Decreto-Lei n.º 18/2008, de 29 de Janeiro) nada dispõe que impeça uma autarquia de estabelecer como condição de adjudicação aquele requisito


Sendo este resultado mais do que esperado, confesso que ainda me consegui surpreender com o descaramento da bancada da CDU ao afirmar, em declaração de voto, que «os propósitos e os objectivos da moção são justos e concordamos com eles». Mas, mesmo assim, achar que a medida de desincentivo à contratação precária proposta pelo BE levantava “problemas concretos de hierarquia das fontes de direito” e, por isso, votava contra, acrescentando que a mesma era ilegal à luz dos preceitos constitucionais.

Todavia, não foi apresentada uma única razão demonstrativa, de facto, sobre a ilegitimidade daquela proposta, nem tão pouco explicaram, objectivamente, qual era o vício legal de que a medida sugerida padecia, não bastando dizer que as condições do concurso têm de estar definidas na lei para afirmar que a exigência da declaração escrita aos empresários levanta sérios problemas de legalidade. Qual é, então, a norma que está a ser violada?

O Código dos Contratos Públicos estabelece o regime jurídico do procedimento a adoptar pelas entidades públicas na aquisição de bens e serviços. É aí que estão versadas todas as regras a que as autarquias devem obedecer.

Contudo, este regulamento não apresenta nenhum elenco taxativo (como a CDU quer fazer crer) de quais devem ser os critérios de selecção. E distingue entre critérios de qualificação e critérios de adjudicação, coisa que a CDU parece não saber.

Este diploma define, ainda, quais são os critérios materiais da escolha do procedimento a adoptar, exigindo também um maior cuidado na apresentação dos requisitos técnicos de qualificação dos candidatos.

Mas deixa margem para que até à decisão afinal de adjudicação (que apenas pode ter em conta duas variáveis – artigo 74.º) possam ter sido considerados outros factores, adaptados a cada situação específica, a título de exemplo cita-se a ponderação e valorização de preocupações sociais, como se pode depreender do preâmbulo, e, mais adiante, quando se fala do sistema de qualificação prévia dos candidatos e apreciação das respectivas propostas, podendo aqui introduzir-se a questão da salvaguarda dos direitos dos trabalhadores.

Aliás, neste sentido de condenar as práticas ilegais de contratação de pessoal, parece ter apontado o legislador quando na alínea h) do artigo 55.º impede mesmo de se candidatarem as entidades que «tenham sido objecto de aplicação, há menos de dois anos, de sanção administrativa ou judicial pela utilização ao seu serviço de mão-de-obra legalmente sujeita ao pagamento de impostos e contribuições para a segurança social, não declarada nos termos das normas que imponham essa obrigação, em Portugal ou no Estado de que sejam nacionais ou no qual se situe o seu estabelecimento principal».

Pensando no flagelo do desemprego e no combate à precariedade, é lógico que assim seja. Apenas para a CDU é que não. E é não, porquê? Vejamos...

Apesar de o porta-voz da bancada da CDU ter afirmado ontem na AM, peremptoriamente, que para eles também era óbvio que «a trabalho permanente tem que corresponder um vínculo permanente», o certo é que na CMA não é essa a prática dos últimos anos, como o BE tem vindo a denunciar.

Para o efeito basta ler os vários artigos que aqui já foram apresentados ou, em alternativa, consultar a página da AM e analisar o teor dos diversos requerimentos que o BE já apresentou sobre o assunto, seis dos quais ainda não obtiveram resposta, embora o prazo para o efeito já tivesse sido ultrapassado (o Código do Procedimento Administrativo e a legislação autárquica são dois outros diplomas que a CMA não cumpre, sistematicamente).

E o problema reside aí. É que, nesta óptica, seriam as empresas que se deveriam recusar a ter como parceira uma autarquia cuja política de gestão de recursos humanos é um incentivo ao trabalho precário.

Ou seja, bem vistas as coisas, a reacção da bancada da CDU só podia mesmo ser a que foi, pois caso a moção do BE tivesse sido aprovada, colocar-se-ia à CMA um sério problema de ética e legitimidade política.

E mais não digo. Brevemente haverão novos desenvolvimentos (que é como quem diz, “a novela do trabalho precário na CMA” continua no próximo capítulo).

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Quero navegar...


Quero navegar... seja em sonhos, no mar ou pelo ar.
Quero navegar, mas com os pés acentes na terra.
Quero navegar por entre memórias, levantar voo e molhar as asas na espuma das ondas.
Quero navegar... entre o teu sorriso, no calor do teu olhar.
Quero navegar para bem longe, sentir-me livre de amarras.
Quero navegar e voltar para te encontrar.
Quero navegar... percorrer o caminho que me leva ao infinito.
Quero navegar por entre as veredas da saudade que enchem meu coração.
Quero navegar sem motivo ou razão.
Quero navegar... pelo teu corpo, a meu lado acostado.
Quero navegar levando-te comigo.
Quero navegar e vou consegui-lo!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Quem se atreve a responder?

(clique na imagem para aumentar)

Nas minhas deambulações por Lisboa, encontrei esta pergunta num muro, ali na zona do Convento do Carmo.

Intrigante, não é?

Quem se atreve a dar um palpite?

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sim, é possível!

Além da notória falta de imaginação do slogan (adaptado da campanha presidencial americana) este cartaz do PCP levanta-me outras questões primordiais. Sendo certo que ele é de cariz nacional, e que reflecte uma palavra de ordem que não é especifíca ao caso de Almada, não posso deixar de considerar um grande descaramento afixá-lo neste concelho quando é a própria Câmara Municipal, liderada pelo PCP desde que há poder autárquico democrático em Portugal, que impede que muitos dos seus trabalhadores tenham, de facto, uma vida melhor.

Sim, era possível ter integrado as dezenas de trabalhadores contratados a prestação de serviços (falsos recibos verdes) em vez de os manter com contratados de forma precária.

Sim, era possível ter reclassificado os trabalhadores que andam a receber como administrativos mas a desempenhar funcções como técnicos superiores.

Sim, era possível ter efectuado os concursos de promoção em vez de os ter suspendido a partir de 2005 com base numa mentira.


SIM, ERA POSSÍVEL ter permitido aos trabalhadores terem tido ordenados mais justos nestes últimos quatro anos.

CONTUDO NÃO O FIZERAM... PORQUÊ?

Mas ainda vamos a tempo de afirmar que:

SIM, É POSSÍVEL ... integrar os trabalhadores na posição e nível remuneratório adequados.

SIM, É POSSÍVEL... acabar com o trabalho precário na Câmara Municipal de Almada.

E muito mais é possível... queira a senhora Presidente da CMA!

Quer saber mais notícias sobre o assunto? Clique nas etiquetas abaixo identificadas.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Festa das Artes - SCALA 2009

Foi hoje inaugurada a 15.ª exposição intitulada Festa das Artes, uma organização anual da SCALA (Sociedade de Artes e Letras de Almada) destinada a mostrar os trabalhos dos seus sócios em diversas artes (pintura, escultura, fotografia, literatura e artesanato).

A minha modesta colaboração foram três fotografias que aqui vos apresento:





Venham fazer uma visita. Vão ver que gostam.

Até dia 1 de Março.

Na Oficina da Cultura (Praça S. João Baptista), em Almada.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Estacionamento autorizado?


É hábito ver um determinado veículo, quase todos os dias, sobretudo ao entardecer, estacionado sobre o passeio, debaixo das arcadas na Av.ª 25 de Abril, em frente à estação dos CTT, impedindo a livre circulação dos transeuntes, dificultando o acesso ao prédio número 41 e à passadeira de peões que ali existe, local por onde este e outros automobilistas sobem devido ao rebaixamento do lancil.

Mas só agora reparei que o dono deste automóvel exibe no para brisas do seu carro o cartão que acima vos mostro. É preciso ter descaramento! E não é que o dito senhor ainda me vê a fotografar o dito dístico e resolve ser malcriado? Como se a infractora fosse eu e ele estivesse no uso pleno dos seus direitos de cidadão cumpridor.

Estou de facto bastante curiosa em saber se a ECALMA emite, de facto, estas autorizações e em que disposição regulamentar se baseia para o efeito. Além disso, muito gostaria de saber também, se os passeios da freguesia de Cacilhas passaram agora a ser “espaços de estacionamento sob gestão da empresa” (???).

Ou, mais ainda, quais são os critérios para atribuição destes cartõezinhos e que privilégios têm os seus detentores: além de lhes permitir violar as mais elementares regras do Código da Estrada também os inibe de pagar as multas pelo incumprimento? Cidadãos de 1.ª, enquanto a maioria dos residentes são de 2.ª e a população no geral de 3.ª?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Famalicão e Ermesinde

Antes de regressar a Lisboa, ainda fiz uma visita a Famalicão e outra a Ermesinde. Desses breves passeios, não mais de uma hora cada, recolhi algumas imagens (não muitas) destas terras... e chamo a vossa atenção para a degradação que, sobretudo em Famalicão, se pode observar logo à saída da estação da CP: um bairro de lata entre muros de pedra, mais parecendo um campo de refugiados, com esgotos a céu aberto mas onde uma parabólica faz o contraste entre a miséria real e a "virtual"...

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