sábado, 23 de abril de 2016
Dúvida/pergunta do dia.
Pode um licenciado em Direito que venha a ser considerado sem idoneidade para o exercício da advocacia, e condenado por procuradoria ilícita, seguir carreira como juiz?
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Que a Verdade seja dita!
Na próxima segunda-feira comemora-se
o 42.º aniversário do 25 de abril. Mas 2016 é ainda palco das comemorações dos
40 anos do Poder Local Democrático e, também, daquela que é o suporte do nosso
Estado de direito: a Constituição da República Portuguesa.
Por isso, esta é a oportunidade
certa para escrever sobre um “caso kafkiano” no qual me vi envolvida e que se
prende com direitos constitucionais e justiça, misturados com um desejo torpe e
maquiavélico de vingança que deturpa aqueles valores.
Em Democracia, todas as pessoas
podem, para defesa dos seus interesses legalmente protegidos, apresentar uma denúncia
contra alguém por factos que consideram como criminosos. Trata-se do direito de
acesso aos tribunais e à tutela jurisdicional efetiva consagrado no artigo 20.º
da CRP.
Mas fazer uma queixa imputando a outrem factos passíveis de serem considerados crime, mesmo
sabendo que não passam de falsidades, apenas para alimentar um ódio visceral
que não mede consequências, isso é crime de “denúncia caluniosa” previsto e
punido nos termos do artigo 365.º do Código Penal.
E quem tendo sido indicado por
tal personagem como testemunha abonatória num processo sustentado em mentiras,
é bom que tenha presente que prestar falsas declarações também é crime (artigo
348.º do CP) e, por isso, devem limitar-se a falar a verdade.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Como explicar o tema do “Panamá Papers” aos nossos filhos!
Não resisto em partilhar convosco
esta explicação da VOX sobre os “Panamá Papers”…
Aqui vai, analogias simples para
desmistificar algo muito complicado:
OS PORQUINHOS MEALHEIROS
Digamos que guardou as suas
poupanças num porquinho mealheiro numa prateleira do seu armário.
Mas a sua mãe continua a controlar quanto dinheiro põe e tira de lá e você não gosta disso.
Por isso arranja um segundo porquinho mealheiro…
A mãe do Joãozinho, ao contrário da sua, está sempre ocupada, por isso não perde tempo a controlar porquinhos mealheiros. Assim pode manter lá o seu em segredo, sem que ninguém o controle.
Outro miúdo lá da rua soube disto achou uma boa ideia e seguiu o seu exemplo.
E com ele todos os outros miúdos do bairro seguiram o imitaram. Todos arranjaram um segundo porquinho mealheiro que guardaram no armário do Joãozinho.
Só que um dia a mãe do Joãozinho
estava a fazer limpezas e descobriu todos os porquinhos mealheiros.
Pois bem, foi isto que aconteceu
durante anos. Sendo que a sua mãe é as Finanças do país onde reside, o
Joãozinho é o Panamá e você e os miúdos do seu bairro são alguns dos políticos
e personalidades de referência do nosso mundo.
A coisa fica ainda um pouco mais
complexa. Há quem tenha levado o dinheiro para a casa do Joãozinho apenas
porque queria maior privacidade, e também há quem tenha levado o porquinho
mealheiro para a casa do Joãozinho porque o dinheiro que lá metia era roubado a
meninas escuteiras que vendiam bolos, e não queriam que os seus pais lhes
fizessem perguntas sobre onde conseguiam esse rendimento extra. Há ainda
meninos que escondiam dinheiro no armário do Joãozinho porque esse dinheiro
provinha dos bolsos das suas mães, logo não podia ficar em casa.
Seja como for todos os meninos
que puseram dinheiro na casa do Joãozinho têm um problema nem mãos, é que há uma
regra unânime em todas as casas: não são permitidos mealheiros secretos e fora
do controlo parental.
Agora resta esperar que a mãe do
Joãozinho investigue com maior detalhe todas as atividades que se passavam no
armário do filho, de forma a que todos os meninos possam ter o castigo
adequado.
FIM
sexta-feira, 1 de abril de 2016
OS VOTOS DA VERGONHA!
Sobre o chumbo do voto de
condenação a Angola no caso de Luaty Beirão, e restantes ativistas recentemente
condenados a duras penas pelo "crime" de se expressarem livremente,
subscrevo na íntegra o editorial do jornal Público de hoje. Em anexo parte da
notícia que identifica as(os) deputadas(s) do PS que ousaram quebrar a
disciplina partidária (no sentido da abstenção) e votaram a favor da proposta
do BE.
Quanto ao PCP (que votou contra a
proposta do BE mas também contra a do PS muito mais moderada), como diz o
cartonista Luís Afonso na sua tira sobre o facto de terem ficado ao lado da
direita no chumbo aos votos de protesto contra o regime angolano: ... "considero
o PCP uma peça fascinante, tanto encaixa na geringonça como na
caranguejola". Triste, muito triste mesmo.
A propósito do tema, deixo aqui a ligação para os vídeos da leitura pública efetuada em novembro de 2015:
quarta-feira, 30 de março de 2016
Quem tem medo de ser avaliado?
Quando o sistema integrado de
avaliação apareceu na nossa Administração Pública (vulgarmente conhecido como
SIADAP), acabando com a anterior forma de classificação do desempenho dos
trabalhadores, as reclamações foram generalizadas.
É um facto que subscrevi muitas das
críticas então feitas, não por temer ser avaliada mas por estar consciente das
falhas que, ainda hoje, são notórias mesmo tendo já decorrido mais de uma
década.
Ensinou-me a experiência (como
avaliada e avaliadora) que, ao contrário do que muitos queriam então fazer
crer, o principal problema das velhinhas notações não era a parcialidade com
que os dirigentes classificavam os trabalhadores (algo que a novel gestão por
objetivos não consegue impedir) mas antes a incompetência de muitos deles em
matéria de recursos humanos e, sobretudo, uma certa “cultura de poder” generalizada
onde a importância do chefe se media pelos favores que distribuía e não pela
sua capacidade de liderança, o que nalguns casos ainda hoje se faz sentir.
Ou seja, com notações ou com SIADAP,
na essência, muito pouca coisa mudou entretanto e em muitos serviços as
injustiças na avaliação do desempenho dos trabalhadores da Administração
Publica Central e Local continuam ao sabor dos humores dos avaliadores que
favorecem ou prejudicam consoante lhes apetece.
Se há hábitos cuja mudança é
difícil de concretizar, como seja o comportamento parcial de alguns dirigentes,
existem outros que estão de tal forma enraizados nos trabalhadores que acabam,
também, por inquinar a implementação de um sistema justo de avaliação do desempenho:
refiro-me ao temor que muitos sentem em ser avaliados por objetivos (no que são
incentivados por alguns sindicatos), como se o mérito fosse o sujeito
indesejado e o problema estivesse no método de o avaliar preferindo a permissividade
de instrumentos que permitem esconder a sua própria incompetência.
No meu caso pessoal, sempre fui
bastante exigente em termos profissionais. Orgulho-me de ser uma trabalhadora
empenhada e responsável, que procura atualizar os seus conhecimentos de forma
regular. Por isso sei que vou cumprir, talvez até superar, os objetivos que me
foram atribuídos e irei conseguir demonstrar todas as competências que foram consideradas
essenciais ao desempenho das funções que me cabem.
Há pergunta em título respondo:
Na minha opinião, os irresponsáveis
e os incompetentes!
terça-feira, 29 de março de 2016
segunda-feira, 28 de março de 2016
Sindicalizar-nos vale a pena?
Acredito que os sindicatos desempenham
um papel muito importante na defesa dos direitos dos trabalhadores.
Tenho de confessar, todavia, que
a minha experiência sindical deixou-me bastante desiludida com a atuação destas
associações.
Fui delegada sindical durante
vários anos. Verificada a continuada inação face aos problemas vividos pelos
trabalhadores das Assembleias Distritais, em Lisboa acabámos todos por nos
desvincular do sindicato.
Por acordo unânime, voltámos a
nos inscrever num outro sindicato no qual cheguei até ao secretariado da delegação
regional de Lisboa e Vale do Tejo.
Mas também aqui, e mesmo com o
agravar da situação dos trabalhadores da Assembleia Distrital de Lisboa, da
existência de salários em atraso durante meses consecutivos, o comportamento do
sindicato foi de indiferença, por inépcia ou desinteresse não cheguei a
perceber.
Ou seja, pela segunda vez acabei por
sair do sindicato. Apenas com uma diferença: não voltei a sindicalizar-me.
Enquanto o funcionamento destas
estruturas se mantiver inalterável, questiono-me se vale a pena pertencer a um
sindicato quando, na prática, o que os parece mover são interesses políticos
mediáticos (de luta contra o Governo) e o empenho colocado na defesa das causas
específicas dos associados é feito não em termos da justiça e do direito mas em
função de critérios partidários.
Alguns artigos onde abordei a questão do sindicalismo:
08-01-2015: Que
espécie de sindicalismo é este?
01-02-2012: O
domínio do PCP na CGTP. Que consequências?
02-10-2010: Fazer
greve: direito ou obrigação?
17-09-2009: Estou
indignada!
22-01-2009: Repensar
o sindicalismo em Portugal.
03-03-2007: Sindicalismo.
sexta-feira, 25 de março de 2016
Mentes perversas.
Há gente com mentes tão perversas
que nem consigo imaginar que razões sustentam a sua falta de carácter. São
pessoas hipócritas e geralmente pouco inteligentes, invejosas e cobardes mas
são, sobretudo, pessoas muito infelizes. Sobrevivem alimentando-se de mesquinhas
vinganças pessoais, que engendram utilizando como meio a denúncia caluniosa com
o intuito de humilhar e prejudicar os que as rodeiam para assim se sentirem
superiores e esconderem o seu profundo sentimento de inferioridade.
Conheço, infelizmente, umas quantas.
Dois exemplos cujas consequências
estão ainda “em curso”: um passa-se comigo, outro com uma amiga.
Um é um caso profissional (uma
ex-colega que resolve acusar a antiga diretora de fraude entre outros crimes e
ilegalidades diversas com o objetivo de denegrir a sua imagem perante a nova
entidade empregadora), outro familiar (um neto que nunca se preocupou com o avô
durante anos consecutivos, a quem nunca visitava sequer, mas que após o falecimento
deste resolve acusar a sua companheira de tentar burlar a segurança social para
a impedir de conseguir obter o subsídio por morte).
Ambas estamos a ser vítimas de
energúmenos… oportunistas que não têm pejo em mentir para sustentar posições indefensáveis,
que acusam sem provas, que deturpam factos, que manipulam opiniões.
E tudo para quê? Apenas posso
concluir que a resposta seja: satisfazer o vil desejo de prejudicar aqueles de
quem não gostam por motivos mesquinhos que só eles sabem explicar quais são.
A justiça pode tardar mas acaba
sempre por chegar. Porque a razão está connosco e ambas somos mulheres de luta,
tenho a certeza absoluta que uma (a ex-colega) e outro (o neto) irão em breve ser
desmascarados e acabarão por ser judicialmente condenados pelo crime de
denúncia caluniosa.
sábado, 19 de março de 2016
sábado, 12 de março de 2016
Alargar horizontes!
Na próxima terça-feira, dia 15 de
março, faz seis meses que integro a Unidade de Fundos Estruturais da
Direção-Geral das Autarquias Locais.
Depois do conturbado processo de
extinção dos Serviços de Cultura da Assembleia Distrital de Lisboa,
Da passagem pela requalificação, que
embora curta não deixou de ser humilhante,
A enfrentar a denúncia
caluniosa de uma ex-colega que não tem olhado a meios para tentar denegrir
a minha imagem até mesmo junto da nova entidade empregadora a quem não se
coibiu de contactar,
Com quase 60 anos de idade e
trinta de carreira (dez dos quais como dirigente), confesso que recomeçar de
novo me deixou, de início, bastante nervosa… não tanto por ir trabalhar com
gente nova mas mais pelo facto de me terem sido atribuídas tarefas numa área
completamente diferente daquela que sempre fora a da minha experiência profissional.
Ainda assim, porque nunca recuso
um bom desafio (aliás, sempre encarei as adversidades como oportunidades de
desenvolvimento, seja em termos pessoais ou profissionais), encarei de forma positiva
esta etapa da minha vida e hoje sinto-me completamente realizada!
E, na prática, como continuo
ligada às autarquias locais posso mesmo afirmar que estou muitíssimo satisfeita…
sinto mesmo que os meus horizontes se alargaram, tal qual as imagens ilustram.
sábado, 13 de fevereiro de 2016
É esta a Administração Pública que queremos? Que age de forma parcial e injusta?
A perfídia de quem diz defender os direitos dos trabalhadores mas age
de forma parcial na aplicação da lei. Ou, melhor dizendo: uns são “filhos do
pai” (os dirigentes do Município de Lisboa) e, por isso merecem tudo (incluindo
continuar a receber despesas de representação mesmo que não se cumpram os requisitos
legais para a sua liquidação) … e outros há que são filhos da “outra senhora” (como
a dirigente dos ex-Serviços de Cultura da Assembleia Distrital de Lisboa) e ficar
12 meses sem receber salário por mero capricho político de um certo autarca é
um ato que “não causa lesão grave”.
Ainda a propósito do pagamento
das despesas de representação no Município de Lisboa – um tema que parece
inesgotável tantas são as perspetivas de análise – e à parcialidade com que os
responsáveis políticos da autarquia têm agido nesta matéria (um exemplo da má atuação
da Administração Pública),
Comecemos por caraterizar tal
abono servindo-nos da transcrição de parte do Parecer
n.º 243/2012, de 12 de outubro, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento
Regional do Centro:
«é doutrina da Procuradoria-Geral da República (Parecer n.º 80/2003,
publicado no D.R., II Série, de 27-03-2004, entre outros), que “o abono de
despesas de representação tem como missão compensar o acréscimo de despesas
exigidas no desempenho de determinados cargos ou funções de relevo, atenta a necessidade
de garantir a sua dignidade e prestígio, devendo ser abonadas a todas as
pessoas que suportem as mesmas particularidades específicas na prestação do
trabalho, independentemente dos cargos de origem ou dos exercidos a título
principal” ou, ainda, “que se trata de um vencimento acessório destinado a
compensar os encargos sociais extraordinários que resultem normal e
correntemente do exercício do cargo – desde os actos de cortesia individual,
passando pelas exigências de vestuário, os gastos, enfim, que a pessoa
investida no cargo tem necessariamente de fazer por causa do seu desempenho – e
que se não fosse isso poderia dispensar-se de efectuar, tendo por isso o
carácter de um abono indemnizatório que, como tal, deve reverter a favor de
quem, estando legalmente investido no desempenho do cargo, ficou sujeito às
despesas determinadas pelo exercício da função para ocorrer às quais a lei o
atribui.”»
Continuando com a transcrição do
aludido parecer:
«Ocorre, porém, que, com a publicação e entrada em vigor da Lei n.º 49/2012, de 29 de Agosto,
diploma que, não descaracterizando as despesas de representação, procedeu à
adaptação da Lei n.º 2/2004, de 15 de Janeiro, na sua redacção actual, à
administração local (artigo 1.º) e revogou expressamente o Decreto-lei n.º
93/2004, na redacção do Decreto-lei n.º 104/2006 (cfr., artigo 27.º), se
extirpou da ordem jurídica a norma habilitante do pagamento das despesas de
representação, com efeitos reportados à data da sua entrada em vigor, a saber,
o dia seguinte ao da sua publicação (artigo 28.º), nos termos anteriormente
descritos, substituindo-a pelo artigo 24.º, de cujo conteúdo resulta a possibilidade de só poderem ser
atribuídas despesas de representação “aos titulares de cargos de direção superior
de 1.º grau e de direção intermédia de 1.º e 2.º graus”, exigindo a intervenção da “assembleia municipal, sob proposta da câmara
municipal”, devendo salientar-se que, com
a entrada em vigor do diploma, tal suplemento remuneratório deixou de poder ser
atribuído por remissão para uma norma aplicável à administração central, antes
passando a ter por suporte uma norma aplicável directamente à administração
local.» (destaque nosso)
Como já aqui demonstrámos a
CCDR-C não foi a única entidade (muito pelo contrário) a ter aquele
entendimento da Lei n.º 49/2012. A CCDR de Lisboa e Vale do Tejo também perfilhou
a mesma opinião (que expressou no seu Parecer
n.º 75/2012) assim como foi essa a conclusão da reunião de Coordenação Jurídica
realizada na Direção-Geral das Autarquias Locais em 3 de outubro de 2012 (como
se pode ler no parecer da CCDR-C).
Todavia a Câmara Municipal de
Lisboa, quiçá por conveniências político partidárias e/ou negligência
conveniente dos responsáveis pela gestão municipal (atentos à débil e confusa fundamentação
jurídica apresentada, seja na Proposta n.º 679/CM/2015
do vereador João Paulo Saraiva, ou nas declarações
à imprensa) resolveu entender que só agora deveria cumprir a lei (ainda
assim com várias falhas como nos questionámos no artigo do passado dia
10 de fevereiro) apesar do diploma já ter entrado em vigor há mais de três
anos.
É interessante notar que aqueles
que agora consideram ser importante “salvaguardar o abono de despesas de
representação aos titulares dos cargos dirigentes da CML” (e por isso, depois
da publicação da Lei n.º 49/2012 foram autorizando o seu pagamento à revelia do
cumprimento dos procedimentos legais para o efeito) e que nem querem ouvir
falar da possibilidade de haver devolução das verbas indevidamente recebidas,
são os mesmos (referimo-nos ao Município) que defenderam em Tribunal que a então
Diretora dos Serviços de Cultura da Assembleia Distrital de Lisboa podia
estar privada da totalidade do seu vencimento mensal por tempo indeterminado,
mais especificamente até que o Estado resolvesse assumir aquilo que, por mero
capricho político pessoal (assumido à margem da lei e á revelia dos órgãos
autárquicos do município), o então senhor Presidente da autarquia e agora Primeiro-ministro
de Portugal, Dr. António Costa) se recusava a pagar.
Excertos do relatório Assembleia Distrital versus Câmara Municipal
de Lisboa: Factos & Contradições (de 05-12-2014):
«João Aguiar, advogado do Município de Lisboa: “Sem prejuízo do direito
ao seu recebimento, e talvez devido ao valor mensal da sua remuneração, a
Senhora Diretora não manifesta uma lesão grave, tanto mais que foi opção sua o
não recebimento atempado, pois sabe que o seu crédito laboral não está em
risco, nem nunca estará; Pois,
Não há nenhum fundado receio da constituição de uma situação de facto
consumado ou da produção de prejuízos de difícil reparação para os interesses
da Requerente [Assembleia Distrital de Lisboa] e designadamente da Diretora dos
Serviços de Cultura.
Não há, assim, qualquer risco de difícil reparação [referindo-se aos 7
meses de salários em atraso da Diretora dos Serviços], pois que o Estado irá
garantir, no processo de extinção da Requerente que, todas as situações
jurídicas e nomeadamente as laborais fiquem devidamente asseguradas.”»
Convém fazer aqui um parênteses para
lembrar que,
1.º) O pior que poderia acontecer
aos dirigentes do Município de Lisboa era durante alguns meses continuarem a
receber o seu ordenado mensal mas sem o acréscimo das despesas de representação,
até que a Assembleia Municipal deliberasse manter esse suplemento remuneratório
o qual, nos termos da lei, poderia ser aprovado retroativamente, o que torna
ainda mais incompreensível o reiterado incumprimento da autarquia pois que os
seus trabalhadores nunca seriam prejudicados;
2.º) Mercê da posição intransigente
e antidemocrática de António Costa, e ao contrário dos dirigentes do município
de Lisboa, a ex-trabalhadora da ADL (que enquanto exerceu o cargo de diretora
dos Serviços de Cultura, de 2004 a 2014, nunca auferiu quaisquer verbas a
título de despesas de representação mas tão só e apenas a retribuição pelo seu
trabalho o qual, aliás, foi merecedor de vários votos de louvor concedidos pelo
órgão deliberativo distrital) esteve 12 meses com salários em atraso, ou seja, 12
meses sem receber um único euro por mês muito embora tenha continuado a
desempenhar com igual empenho as atribuições que lhe cabiam.
É esta a Administração Pública que queremos, que parece agir de forma parcial,
que interpreta a lei conforme as conveniências de quem está no poder e onde a
ética profissional se esconde por detrás de um manto diáfano de interesses
políticos e/ou pessoais que promovem a desigualdade e a injustiça contrariando
os mais elementares princípios democráticos?
No atrás citado relatório Assembleia Distrital versus Câmara Municipal
de Lisboa: Factos & Contradições é referido a este propósito que,
«Em 08-10-2014: A Inspeção-geral
de Finanças envia à ADL o seu parecer N.º 2014/1281 sobre os salários em atraso
onde se concluiu que os municípios que deixaram de proceder às contribuições
nos termos definidos no artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 5/91, de 8 de janeiro,
“mostram-se em incumprimento de uma obrigação legal.”
E acrescentam que, “não obstante
o Decreto-Lei n.º 5/91, de 8 de janeiro, ter sido revogado pela Lei n.º
36/2014, de 26 de junho, que aprovou o novo regime jurídico das Assembleias
Distritais e que regula a transição dos respetivos trabalhadores, serviços e
património, salvaguardou, em disposição transitória (artigo 9.º), o direito das
Assembleias Distritais às contribuições dos municípios em dívida”.
Todavia mandam arquivar o
processo porque “no âmbito das suas atribuições relativas às autarquias locais
(n.º 3 do artigo 2.º da Lei n.º 96/2002, de 23 de abril), não cabe à IGF fazer
cumprir as leis e regulamentos a que os órgãos e serviços daquelas entidades
estão sujeitos, competindo aos tribunais essa função, a quem incumbe reprimir a
violação da legalidade e dirimir os conflitos de interesse públicos e privados
(artigo 202.º da Constituição da República Portuguesa).”»
Apesar desta resposta da IGF me deixar
apreensiva sobre aquela que será, efetivamente, a sua capacidade de intervenção
no caso em apreço, fazendo-me mesmo duvidar se valerá a pena solicitar a sua intervenção,
ainda assim, considerando
aquela que é a sua missão, e aquele que é o meu dever como cidadã em
obediência aos princípios em que acredito (nomeadamente o Estado de direito e a
Justiça), pela dignificação do exercício de funções públicas, é óbvio que, em
coerência com aquela que tem sido a minha postura na luta pela transparência na
gestão autárquica, não me restou outra opção: apresentar denúncia contra a
Câmara Municipal de Lisboa.
E porque assumo sempre as minhas
responsabilidades com frontalidade, a denúncia é pública pois não recorri ao
anonimato.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Ainda as despesas de representação aos dirigentes da CM de Lisboa: dúvidas por esclarecer!
Já aqui escrevi bastante sobre este
tema: despesas de representação aos dirigentes do município de Lisboa - em 30 de janeiro, 6 de fevereiro, 7 de fevereiro e 9 de fevereiro).
Mas as dúvidas continuam a ser
muitas e, por isso, vou escrever mais uma vez sobre este assunto.
Desta feita para elencar algumas questões que muito gostaria de ver esclarecidas, embora esteja
consciente de que muito dificilmente irei obter a resposta necessária:
Depois da entrada em vigor da Lei
n.º 49/2012, de 29 de agosto (nomeadamente nos anos de 2012, 2013 e 2014) foi
apresentada alguma proposta ao órgão executivo sobre a manutenção das despesas
de representação dos dirigentes municipais?
Considerando que a Proposta n.º
679/2015, de 30 de outubro, apresentada pelo vereador João Paulo Saraiva
não foi ainda aprovada pelo órgão deliberativo, o pagamento das despesas de
representação aos dirigentes do município em 2016 tem continuado a ser efetuado
ou encontra-se suspenso a aguardar o cumprimento do adequado requisito legal?
Se o fundamento para não terem submetido
o assunto para deliberação da Assembleia Municipal (tal como a lei o determina)
era porque o Município ainda não aprovara a nova estrutura orgânica dos Serviços,
o que só veio a ocorrer em maio de 2015, como justifica o executivo que apenas em
outubro apareça uma proposta para “salvaguardar o abono de despesas de
representação aos titulares dos cargos dirigentes da CML” e somente com efeitos
no orçamento de 2016?
Considerando que o Município de
Lisboa, como entidade da Administração Pública, deve estrita obediência, entre
outros, ao princípio da legalidade, publicada a nova estrutura orgânica do
Município de Lisboa em maio do ano passado, como justifica a Câmara Municipal o
pagamento das despesas de representação aos seus dirigentes entre junho e
dezembro de 2015?
Sendo certo que a maioria das
perguntas que se possam colocar (aquelas quatro atrás enunciadas são apenas um exemplo) são dirigidas ao PS, que é quem tem efetivas responsabilidades executivas
no órgão colegial, isso não faz esquecer o comportamento dos outros três partidos
que também integram a Câmara Municipal (PSD, CDS e PCP) e a quem cabe
esclarecer, nomeadamente, quais terão sido as razões do seu silêncio sobre esta
matéria de 2012 até ao presente e por que não terão questionado o facto de o assunto nunca
ter sido agendado para aprovação na Assembleia Municipal.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
(Ir)responsabilidade política (in)conveniente?
Ou: é para isto que lhes confiamos o nosso voto?
Ainda a propósito do pagamento irregular
das despesas de representação aos dirigentes do município de Lisboa desde a
entrada em vigor da Lei n.º 49/2012, de 29 de agosto, até ao presente (quase
dois milhões de euros em causa durante mais de três anos consecutivos) e do
comportamento parcial da “deputada autarca” Helena Roseta no que se refere à sua
agora mui louvável preocupação em proteger os direitos dos trabalhadores
envolvidos (e, por isso, nem quer ouvir falar da reposição de verbas e mostra
indiferença ao apuramento de responsabilidades efetivas) por comparação com o ostracismo
a que votou outros desde quando era apenas vereadora na CM de Lisboa, não posso deixar
de insistir em denunciar aquela que foi a sua atitude de menosprezo pelos
direitos dos trabalhadores da Assembleia Distrital de Lisboa, quiçá porque não
lhe convinha entrar em confronto direto com António Costa tendo em vista os seus
objetivos eleitorais futuros, atitude que manteve após assumir o cargo de
presidente da AM de Lisboa (em 2013) mas ainda antes de assegurar o lugar como
deputada na Assembleia da República (em 2015).
Embora diga pretender a
clarificação da situação, Helena Roseta parece, no entanto, estar apenas preocupada
com a salvaguarda do “rendimento extra” que os dirigentes do município de
Lisboa andaram a receber a título de despesas de representação sem o aval obrigatório
do órgão a que preside. Sendo um direito que a lei lhes confere, não podemos
contudo olvidar que esse suplemento deixou de integrar de forma automática o respetivo
vencimento mensal e passou a depender da aprovação prévia do órgão deliberativo
do município, algo que em Lisboa, pelos vistos, foi considerado de somenos importância
e, por isso, andaram a pagar-lhes mesmo sem cumprir esse requisito legal.
Mas em 2013, Helena Roseta “fechava
os olhos” não só àquele incumprimento mas ainda a um outro de consequências que
se viriam a verificar muitíssimo graves, impensáveis num Estado de direito
democrático: um prejuízo que colocou em causa não um mero suplemento
remuneratório mas o próprio ordenado mensal de uma trabalhadora (a qual esteve
privada de 100% da sua remuneração durante 12 meses) que teve a seu desfavor somente
o facto de exercer funções num órgão odiado por António Costa e que, por isso,
tentou a todo o custo levar à falência (e conseguiu) perante a vergonhosa conivência
dos órgãos autárquicos do município.
Ainda assim, mesmo alertada
atempadamente pela “Comissão Nacional de Trabalhadores das Assembleias
Distritais” para o que já se previa vir a acontecer, Helena Roseta adotou
sempre uma postura de total desresponsabilização e em 2014, já no decurso das
diligências no âmbito da transferência da Universalidade Jurídica da Assembleia
Distrital de Lisboa, como membro deste órgão distrital, acabou desempenhando um
papel fundamental naquele que foi o resultado pouco sério do processo de
passagem de todo o valioso património predial e cultural daquela entidade para
o Estado (que terminou em 20 de agosto de 2014), como o comprovam, entre outros
documentos, as atas das reuniões de 12
de setembro, 17
e 24 de outubro de 2014.
Abordar estas questões, citando
nomes e divulgando documentos oficiais, assumindo o ónus dessa denúncia
pública, é um risco. Sei-o bem!
Todavia, deixar que a indignação
que sinto me amordace apenas porque as pessoas envolvidas têm o poder e/ou a influência
suficientes para tecer uma rede de represálias a que dificilmente poderei fugir,
ao contrário delas que sairão sempre incólumes façam o que fizerem, ainda assim,
constatar essa hipótese não faz com que o medo tolhe a vontade de aqui deixar
expressa, de forma inequívoca, a minha opinião sobre o comportamento de certos
políticos tentando, com a apresentação de casos concretos, retirar-lhes a
máscara da hipocrisia com que habitualmente se cobrem.
Voltemos, então, à “supermulher Helena
Roseta” (que consegue, talvez “por obra e graça de S. Bento” desempenhar – ou julga
ela – com igual empenho e dedicação as suas funções como deputada, membro de
uma comissão parlamentar e coordenadora de um grupo de trabalho e, em
simultâneo, ser uma presidente da Assembleia Municipal de Lisboa atenta e
participativa) e à sua vontade em “resolver o problema” do direito dos
dirigentes do município de Lisboa receberem as despesas de representação… uma
preocupação com a lei e o direito que, no entanto, não teve quando se tratou de
proteger os trabalhadores da Assembleia Distrital de Lisboa a quem tratou de
forma fria, distante e indiferente, como se fossem desprovidos de direitos e
merecedores do destino que, por capricho, o então presidente da Câmara de
Lisboa lhes reservara, tratamento com o qual a autarca parecia concordar (ou
pelo menos terá julgado que os visados, ao contrário dos dirigentes da
autarquia lisboeta não eram merecedores da sua atenção).
Depois da carta
que António Costa escreveu à Assembleia Distrital em 30-12-2011, avisando
que a autarquia iria deixar de pagar as contribuições a que, por lei, estava
obrigada (uma atitude assumida a título pessoal pois que não houve qualquer
deliberação do órgão executivo nem do deliberativo nesse sentido – aliás o
orçamento para 2012 fora aprovado contemplando o pagamento integral da quota à
ADL no cumprimento do disposto no artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 5/91, de 8 de
janeiro),
A Comissão de Trabalhadores contactou
os vereadores da CM de Lisboa, ente eles Helena Roseta, alertando-os para a
ilegalidade daquela posição e das consequências que isso poderia vir a ter na
estabilidade financeira da entidade com a provável existência de salários em atraso.
Como resposta
Helena Roseta limitou-se a remeter um parecer
jurídico de 1996 emitido a pedido da Câmara Municipal de Oeiras após ter perdido
em Tribunal um processo interposto pela Assembleia Distrital de Lisboa por
razões idênticas às alegadas por António Costa em 2011.
A
Comissão de Trabalhadores agradeceu o envio do parecer em causa (embora já dele
tivesse conhecimento há mais de uma década) mas mostrou-se chocada com a
insensibilidade e o sacudir de responsabilidades que as escassas palavras de
Helena Roseta demonstravam.
Menosprezando aquelas que eram as
legítimas preocupações dos trabalhadores, Helena
Roseta reage informando-os que se havia responsabilidades na situação elas
não seriam da Câmara Municipal de Lisboa, numa clara tentativa de se
desculpabilizar a si própria como membro de um executivo conivente e branquear
a atitude ilícita de António Costa.
Obviamente a reação
da Comissão de Trabalhadores foi de indignação e lamentaram aquele que
classificaram como sendo um “comportamento pouco ético” da autarquia para com
os trabalhadores da Assembleia Distrital de Lisboa.
Como seria de esperar, Helena
Roseta não apreciou a crítica tendo voltado a insistir na sua inequívoca desresponsabilização
no caso em apreço e evidenciando um desprezo total pelos direitos dos trabalhadores
da Assembleia Distrital de Lisboa, com quem nunca mostrou um mínimo de solidariedade,
pelo que estes fizeram
questão de a informar o que sentiam acerca dessa atitude.
Depois das eleições autárquicas
de 2013, com o agravar da situação financeira da ADL e já com a existência de
salários em atraso há vários meses, a Comissão
de Trabalhadores solicitou audiência a todos os membros dos órgãos autárquicos
do Município de Lisboa mas Helena Roseta não se dignou sequer confirmar a sua
entrega.
Chegados a 2014, o comportamento
de Helena Roseta conseguiu ser ainda mais chocante pois à indiferença e
despreocupação com que sempre reagiu à situação gravíssima vivida pelos
trabalhadores da Assembleia Distrital de Lisboa juntou a participação ativa no
impedimento de uma solução célere do problema ao adotar uma postura de apoio declarado
à posição da autarquia e à conivência expressa com a existência de salários em
atraso, como as suas intervenções nas reuniões do órgão distrital – 12
de setembro e 17
e 24 de outubro de 2014 – e na Assembleia
Municipal o demonstram (seja utilizando argumentos infundados ou fazendo
afirmações que não correspondem à verdade, ou abstendo-se ou votando contra as
recomendações para que a CML pagasse a dívida à ADL).
E é esta mesma autarca que tão
insensível foi perante o drama dos trabalhadores da Assembleia Distrital de
Lisboa que, agora, se mostra aparentemente solidária com os dirigentes do Município
de Lisboa e ao que parece tudo pretende fazer para que não vejam o seu direito
a receber um suplemento remuneratório beliscado (nalguns casos muito superior
ao vencimento ilíquido de milhares de funcionários da autarquia) e quando algum
tempo atrás não se importou de saber que existia quem tivesse salários em atraso
há vários meses consecutivos devido à atitude ilícita de António Costa de
proibir os serviços municipais de pagar uma contribuição que era obrigatória
por lei.
Por isso termino, por hoje, com
as perguntas que dão título a este artigo:
(Ir)responsabilidade política
(in)conveniente?
Ou: é para isto que lhes
confiamos o nosso voto?
Artigos relacionados
30-01-2016:
06-02-2016:
07-02-2016:
Dois
pesos e duas medidas
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Dois pesos e duas medidas.
Não se tratou de nenhuma investigação
da minha parte (felizmente tenho mais que fazer e muitas outras questões me
preocupam) com o objetivo de promover uma qualquer vingança em resultado da má-fé
com que a Câmara e a Assembleia Municipal de Lisboa atuaram em relação à Assembleia
Distrital.
É bom não esquecer que o assunto
“caiu” no domínio público através, nomeadamente, de dois artigos do jornal Público que já aqui comentei (de 29
de janeiro e de 3
de fevereiro de 2016).
Como cidadã a viver num Estado de
direito democrático (mesmo depois de ter sentido na pele injustiças
que me fizeram duvidar dos fundamentos que o sustentam ainda acredito neste
princípio) tenho liberdade de expressar o que penso.
Deixar o medo de futuras represálias
(é difícil esquecer os salários em atraso por 12 meses consecutivos, só para
citar algumas das mais recentes) dominar a vontade de me expressar livremente seria
perder toda a dignidade, pelo que prefiro arriscar a ficar calada.
Também sei que certas
pessoas se incomodam sobremaneira com a opinião dos outros apenas porque estes
os ousam questionar sobre os seus atos públicos. Mas apesar do seu poder e
influência não ser mera ficção, ainda assim recuso-me a usar a mordaça e a
venda que alguns bem gostariam de me colocar.
E porque assumo sempre aquilo que
digo e considero que há, ainda, muita coisa por explicar, aqui vai mais um escrito
sobre o caso das despesas de
representação no município de Lisboa e que aparece na sequência dos dois
anteriores: de 30
de janeiro e de 6
de fevereiro.
««»»
Recomecemos com a transcrição das
declarações da Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, a também agora deputada
Helena Roseta, aos jornalistas no passado dia 3
de fevereiro:
«A autarca, eleita na lista do PS em nome dos Cidadãos Por Lisboa, sublinha
que os dirigentes municipais “têm direito” a receber as despesas de
representação e acrescenta que as verbas respectivas sempre estiveram
discriminadas nos orçamentos municipais. “É da lei, eles têm direito, e não foi
nada escondido”, sublinha.
Quanto à possibilidade de ter havido uma violação da lei, Helena Roseta
recusa assumir uma posição. “Não sou juiz para dizer se era ou não obrigatório
[fazer aprovar a atribuição das verbas pela assembleia municipal], mas mais
vale a mais do que a menos”, diz, defendendo que “o que está para trás tem que
se regularizar”.
Nesse sentido, a presidente da assembleia municipal adianta ao PÚBLICO
que vai solicitar um parecer sobre esta matéria aos serviços jurídicos do
município, acrescentando que num segundo momento é sua intenção pedir o mesmo à
Direcção-Geral das Autarquias Locais. “O que quero é resolver o problema”,
conclui Helena Roseta, que não quer sequer ouvir falar na hipótese de os
dirigentes terem que repor as quantias recebidas.»
Tendo presente qual foi o
comportamento de Helena Roseta no caso da Assembleia Distrital de Lisboa – do apoio
inequívoco à atitude ilegal de António Costa em recusar pagar à ADL a
comparticipação prevista no artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 5/91, de 8 de
janeiro, e que levou à
falência deliberada da entidade e à existência de salários em atraso por
meses consecutivos, à adoção de uma postura intencionalmente enganadora nas
reuniões do plenário distrital (atas
da ADL n.º 3 e n.º 4/2014) e, depois, na subscrição de uma proposta assente
em falsos pressupostos aprovada na Assembleia
Municipal em 2 de junho de 2015 para sustentar a recusa da Universalidade
da ADL – esta afirmação é uma ofensa à dignidade de quem sofreu as
consequências daqueles atos mas, sobretudo, trata-se de uma afronta aos mais
elementares princípios do Estado de direito democrático pois deixa subentender
que, afinal, há leis que alguns podem violar impunemente e trabalhadores que
merecem o castigo de estar sem vencimento por tempo indeterminado por mero capricho
pessoal de alguns dirigentes políticos, enquanto as despesas de representação em
Lisboa são um complemento salarial “sagrado” que deve ser sempre pago mesmo que
não se cumpram os requisitos que a lei exige.
Mas a hipocrisia que as palavras de
Helena Roseta encerram tocam mesmo o patamar do escândalo pois não só atingem a
imagem do órgão colegial por si presidido como menorizam o papel de quantos cumprem
de forma empenhada o importante papel que lhes foi atribuído pelos eleitores ao
integrar um órgão autárquico cujo principal papel é fiscalizar a atuação do executivo
e para cujo desempenho não é imprescindível ter formação jurídica muito menos
ser juiz para apurar da conformidade legal dos procedimentos pois que se trata de
uma apreciação na sua dimensão de gestão política e não um qualquer julgamento judicial
que é competência dos Tribunais.
Helena Roseta “lava as mãos como
Pilatos” e prefere esconder-se atrás da afirmação de que, por não ser juíza não
tem de saber se o pagamento das despesas de representação inscritas nos sucessivos
orçamentos e contas do município após 2012 por si aprovadas cumpria os
requisitos legais, mas esquece que essa é uma constatação que caberia ao órgão
a que pertence analisar no cumprimento da atribuição expressa no artigo 25.º da
Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, um lapso imperdoável em alguém com as
responsabilidades da citada e em particular com a sua experiência de vários
anos no exercício de cargos autárquicos (já foi presidente de câmara, em
Cascais, e vereadora em Lisboa antes de presidir à AM).
Quanto à louvável preocupação de
Helena Roseta sobre a necessidade de clarificar a situação e à sua intenção de
poder vir a pedir um parecer jurídico à Direção‐Geral das Autarquias Locais, ela
acaba também por ser mais um sintoma da… digamos apenas, falta de tempo para efetuar
uma simples pesquisa e descobrir os documentos oficiais, de acesso público, que
existem disponíveis na Internet e esclarecem essa matéria.
Como seja o Parecer
Jurídico n.º 75/2012 da CCDR-LVT do qual retiramos a transcrição abaixo:
«1- Desde do dia 30 de agosto de 2012, o pagamento das despesas de
representação aos titulares de cargos de direção superior de 1.º grau e de
direção intermédia de 1.º e 2.º graus está dependente de deliberação da
assembleia municipal nesse sentido, nada impedindo que o faça com efeitos
retroativos à data de entrada em vigor da Lei n.º 49/2012, de 29 de agosto.
2- A assembleia municipal determina, de forma objetiva e fundamentada,
quais são os cargos de direcção superior de 1.º grau e de direção intermédia de
1.º e 2.º graus cujo exercício dá direito à perceção de despesas de
representação, no montante fixado para o pessoal dirigente da administração central,
através do despacho conjunto a que se refere o n.º 2 do artigo 31.º da Lei n.º
2/2004, de 15 de janeiro, na redação que lhe foi dada pela Lei n.º 64/2011, de
22 de dezembro.
3- Verifica-se, portanto, que, as despesas de representação, depois de
a assembleia municipal determinar quais são os cargos de direção superior de
1.º grau e de direção intermédia de 1.º e 2.º graus cujo exercício dá direito à
sua perceção, têm um caracter certo e permanente para aqueles a quem esse
direito for reconhecido.»
Ou o entendimento sufragado na
reunião de Coordenação Jurídica realizada em 3 de outubro de 2012 na DGAL e na
qual participaram, nomeadamente, a Secretaria de Estado da Administração Local,
a Inspeção‐Geral de Finanças e as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento
Regional:
«Na Administração Local não existia nem existe atualmente base legal
que permita a atribuição de despesas de representação aos dirigentes intermédios
de 3.º grau ou inferior;
Relativamente aos outros dirigentes, e com a entrada em vigor da Lei
n.º 49/2012, o pagamento de despesas de representação deixou de ser
obrigatório, passando a depender da vontade da Assembleia Municipal, a qual
deve deliberar, de forma objetiva e fundamentada, quais os cargos dirigentes
cujo exercício dá direito à perceção de despesas de representação, no montante
fixado pelo despacho conjunto referido no artigo 24.º, pelo que as despesas de
representação deixaram de ser uma característica essencial da remuneração destes
cargos;
Assim, com a entrada em vigor da Lei n.º 49/2012, só pode haver lugar
ao pagamento de despesas de representação se a Assembleia Municipal deliberar
nesse sentido, nada impedindo que o faça com efeitos retroativos à data da entrada
em vigor da Lei n.º 49/2012.» Fonte: deliberação
da CM de Leiria.
Helena Roseta está muito preocupada
em garantir que os dirigentes em causa não tenham de devolver as verbas
recebidas entre 2012 e 2015 a título de despesas de representação.
Se por um lado a “deputada
autarca” pretende passar a ideia de que o inverso era injusto e, por isso, “nem
quer ouvir falar” na reposição dessas verbas, por outro lado acaba por
demonstrar uma inqualificável indiferença perante as regras básicas da boa
gestão autárquica.
Porque se é certo que a maioria
dos dirigentes terá confiado, de boa-fé, que o recebimento daquele suplemento
remuneratório cumpria os requisitos legais para ser liquidado (e por isso o
recebiam), outros há que terão muita dificuldade em explicar as razões do seu
silêncio em função das atribuições que lhes cabem no âmbito das funções por si
exercidas ao nível jurídico, financeiro e dos recursos humanos.
Uma defesa efetiva dos direitos
dos trabalhadores deve apurar, sem margem para quaisquer dúvidas, as efetivas
responsabilidades de quem entre eles, por acção direta (eventual emissão de
parecer sustentando o incumprimento) ou por omissão negligente (não informando
os decisores políticos da correta interpretação da lei) acabou por levar ao
pagamento indevido, durante cerca de três anos consecutivos, de despesas sem
suporte legal.
E, na minha opinião, importa
também esclarecer se o facto de nesse período não ter sido apresentada qualquer
proposta à Assembleia Municipal resultou de uma possível falha de quem devia
ter informado tecnicamente os serviços e, por incúria, não o fez, ou se a
decisão de nada enviar ao órgão deliberativo partiu da expressa vontade política
de quem detém o pelouro na matéria e desejou que assim se procedesse.
Se na Câmara de Lisboa estão
assim tão certos de que a interpretação que fazem da Lei n.º 49/2012, de 29 de
agosto, é a correta nada melhor do que solicitar a intervenção do Tribunal de
Contas e da própria Inspeção-Geral de Finanças para “tirar as teimas”. Se nada
têm a temer uma auditoria destas entidades seria, de facto, a forma mais
transparente de apurar responsabilidades e/ou desfazer confusões
interpretativas.
Infelizmente, depois de
resolvidas as quezílias partidárias na Assembleia Municipal e alterada a proposta
que foi aprovada por unanimidade na Câmara Municipal, acrescentando-lhe a retroatividade
suficiente para “limpar” a situação anterior, temo que tudo acabe como se nada tivesse
acontecido, branqueando eventuais atos negligentes e legitimando interpretações
da lei à medida de interesses específicos e depois corrigidos quando for mais
oportuno.
A terminar não posso deixar de me
questionar se não terá mesmo sido intencional esconder da Assembleia Municipal
este assunto. Em plena época austeritária extremista do anterior Governo, e uma
composição do plenário sem maioria absoluta (PS e PSD tinham o mesmo número de
mandatos) como teriam reagido os partidos em 2012 ao pagamento destas despesas ditas
de representação e que nalguns casos são de valor muitíssimo superior ao ordenado
mensal auferido por milhares de trabalhadores na autarquia?
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Maioria absoluta nos órgãos autárquicos: para que serve a Assembleia Municipal?
Imagem retirada DAQUI.
A pergunta em epígrafe serve de intróito ao
caso do pagamento irregular das despesas de representação aos dirigentes no
Município de Lisboa (após publicação da Lei n.º 49/2012, de 29 de agosto) e que
tem sido assunto denunciado nos jornais, entre outros, pelo Público.
Pegando no artigo
do passado dia 3 do corrente mês, e nas declarações da presidente da
Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta (que, a propósito, é também deputada
na Assembleia da República), não posso deixar de tecer alguns comentários
sobre a questão que o título desta notícia encerra. Mas antes de continuar tenho
algumas palavras a dizer sobre algo que me deixa seriamente intrigada:
Com uma agenda tão preenchida como autarca, presumindo que cumpre efetivamente
as suas funções no órgão para o qual foi eleita (em 2013) antes de ser deputada
(em 2015) – é bom não
esquecer que a AML tem, em média, duas sessões por mês sem contar com as reuniões
da “conferência de representantes” e das “comissões especializadas” – como é
possível que Helena Roseta tenha ainda disponibilidade para exercer com empenho
a missão que lhe cabe como deputada sabendo nós que além da participação nos
plenários pertence à “Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território,
Descentralização, Poder Local e Habitação” e é Coordenadora do Grupo de
Trabalho - Habitação, Reabilitação Urbana e Políticas de Cidades? Diz o povo
que “quando se tocam vários burros algum fica para trás” e nesta situação é por
demais evidente que por mais polivalente que a “deputada autarca” ou “autarca
deputada” seja, não dispondo esta do dom da ubiquidade nem dotes de magia para
conseguir duplicar a produtividade sem deteriorar a qualidade do seu trabalho,
é muito provável que a atenção que dedica a cada uma daquelas funções seja
inferior àquela que a responsabilidade que lhes é inerente exigiria, o que na
minha opinião só contribui para desprestigiar ainda mais a má imagem que a
maioria dos cidadãos já tem dos políticos.
Voltando à questão principal (pagamento
das despesas de representação sem que tenham sido cumpridos os requisitos
legais para o efeito – aprovação prévia do órgão deliberativo do município) e ao
papel da Assembleia Municipal de Lisboa.
Só me ocorre uma palavra para
descrever esta situação: vergonhosa!
Vergonhosa a atitude dos autarcas
que ousaram deliberadamente não cumprir a lei mas, também, vergonhosa a atitude
negligente daqueles que aprovaram os sucessivos orçamentos e as contas do
município sem se terem apercebido da ilegalidade que estava a ser cometida.
Como vergonhosa é, agora, a
tentativa que alguns andam a fazer (nomeadamente aquela que me parece ser a
postura de Helena Roseta) para branquear o problema tentando menorizar a
questão e desculpabilizar quem cometeu a infração, equacionando o problema apenas pela ótica do direito dos trabalhadores receberem aquelas verbas e centrando os esforços
na procura de uma solução que evite sejam obrigados a devolver os respetivos
montantes.
Sendo certo que a maioria dos
dirigentes que receberam as despesas de representação não terão
responsabilidade direta na ocorrência (por o processamento contabilístico, e a
verificação das condições legais para o mesmo se efetivar, não ser uma
competência que lhes caiba), outros há que, resultado das suas funções e
formação académica são tão culpados (ou até talvez mais) quanto os políticos que
autorizaram o pagamento daquela despesa. Será este o caso, nomeadamente, do
Secretário-Geral e dos diretores dos Departamentos Jurídico, de Finanças e de Recursos
Humanos, que só com muita dificuldade conseguirão explicar o porquê da sua suposta
conivência passiva com tal ato, por mais argumentos que do ponto de vista
jurídico possam ser apresentados.
E depois de aprovações sucessivas, ao que tudo indica “de olhos
fechados” (no que a este assunto diz respeito), de orçamentos e contas em que
aquelas verbas vinham consignadas e foram sempre passando despercebidas como se
de facto cumprissem os requisitos da lei para serem pagas, vir agora Helena
Roseta hastear a bandeira da clarificação legal com a “ameaça” de solicitar
parecer à Direção-Geral das Autarquias Locais, como se isso fosse suficiente
para resolver a situação, evitando assim debater as razões que estão na base da
ocorrência e que, na prática, não passou de um desleixo daquele órgão colegial
que não soube cumprir uma das suas principais atribuições (a de fiscalizar a
atuação do executivo), parece-me um comportamento de uma grande hipocrisia
política, à semelhança do de quantos agora se mostram tão escandalizados e só o ficaram
porque houve um vereador que, finalmente, resolveu cumprir a lei e solicitar a aprovação prévia do
órgão deliberativo para o efeito.
Mas se me é permitido perguntar: dado todo este impasse na Assembleia
Municipal (lembro que a proposta não foi ainda aprovada) os dirigentes
municipais têm continuado a receber ilegalmente aquela subvenção ou o seu
pagamento encontra-se suspenso? Note-se, contudo, que não está em causa o
direito destes trabalhadores a receberem despesas de representação mas tão só o
cumprimento da lei quanto à aprovação dos respetivos montantes.
Infelizmente este bem poderá vir
a ser mais um daqueles casos em que os autarcas “safam-se” incólumes e os trabalhadores
“lixam-se” mesmo que entre estes possam existir alguns que devam ser penalizados
pela negligência com que acabaram por cumprir as suas funções. A esses, sinceramente, não me chocaria nada que fossem obrigados a repor as quantias indevidamente recebidas.
E já agora não posso deixar de,
mais uma vez, trazer à colação a Assembleia
Distrital de Lisboa enfatizando a forma como os autarcas do município de
Lisboa (de ambos os órgãos autárquicos: executivo e deliberativo
mas deste último em particular) - salvo raras exceções (BE, PCP e PEV) -
agiram: provocando a falência intencional daquela entidade, a existência de
salários em atraso por meses consecutivos (12 no total) e provocando a passagem de todos os
bens patrimoniais (culturais e prediais) para o Estado, após um conturbado
processo baseado em mentiras e falsos pressupostos a que os partidos atrás
citados, uns mais conscientes do que outros do que se estava a passar, não conseguiram
opor-se de forma eficaz à muralha antidemocrática criada pela subserviência dos
membros do órgão colegial afetos ao partido maioritário (PS), com o apoio do
grupo dos alegados “Independentes” liderados por Helena Roseta que uns meses
depois acabou eleita deputada à Assembleia da República nas listas do Partido
Socialista.
Interessante não deixa de ser verificarmos a dualidade de critérios de
Helena Roseta que agora exige pareceres jurídicos para clarificar a situação
mas em relação à Assembleia Distrital de Lisboa (onde a recusa de António Costa
era uma ilegalidade evidente assim como o desrespeito pelo funcionamento dos
órgãos autárquicos do município – não esquecer que em 2012 enquanto o executivo
e depois o deliberativo aprovavam um orçamento onde se previa o pagamento
integral da quota anual à ADL o presidente da autarquia impediu, por mero
capricho pessoal o pagamento mensal de pouco mais de 4.000€) optou por apoiar a
atitude ilegal do hoje 1.º Ministro, apesar de plenamente consciente da
consequência que sabia estar a recair sobre os trabalhadores pois que participou
na reunião
do plenário distrital onde foi aprovada uma recomendação sobre os salários
em atraso.
Para terminar volto aqui a deixar-vos
cópia do parecer da Comissão
de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo e da Deliberação
da Câmara Municipal de Leiria, documentos que ouso aconselhar Helena Roseta
a ler, assim como os restantes autarcas da Assembleia Municipal de Lisboa, até
porque ali é referido ter existido uma reunião de coordenação jurídica entre a
CCDR-LVT e a DGAL ficando assim a senhora deputada autarca (ou vice versa) a
saber desde já o que pensam sobre o cumprimento da Lei n.º 49/2012 aquelas
entidades.
Sem querer apostar em “teorias da
cabala”, termino com uma frase da declaração de voto contra as despesas de
representação de uma vereadora da CM de Leiria que me fez pensar naqueles
que bem poderão ter sido alguns dos motivos pelos quais em Lisboa, nas vésperas
de um ano eleitoral autárquico (estávamos em 2012 e as autárquicas foram em 2013) e com a austeridade
do Governo PSD/CDS em pleno, houve quem preferisse fingir que a lei não era para cumprir (e a partir daí até aos dias de hoje houve outros condicionantes políticos que fizeram perpetuar por cerca de três anos aquela ilegalidade). Numa autarquia com milhares de trabalhadores (mais de dez mil) o peso dos votos dos
dirigentes e daqueles que por eles podem ser influenciados não é de
menosprezar (será?):
“Atendendo ao disposto na Lei n.º 49/2012, o pagamento das despesas de
representação deixou de ser obrigatório, e como o valor das despesas de
representação no caso do Diretor Municipal ascende a um valor muito elevado e
superior ao que muitos colaboradores do município recebem mensalmente [à época
estava-se a falar de um complemento mensal no valor de 700,23€], face ao
exposto, voto contra no ponto 1.7 e apresento a presente declaração de voto,
designadamente, para os efeitos do n.º 2 do Artigo 28.ºdo CPA.”
Subscrever:
Mensagens (Atom)




































