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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Almada no "Second Life"
Quem conhece a degradação do presente (prédios em ruínas, ruas esburacadas, lixo acumulado nas ruas, o envelhecimento da população, os problemas sociais de muitas famílias, a inépcia da gestão autárquica, a indiferença dos transeuntes, a falta de civismo dos residentes, a acomodação dos eleitores, etc. etc. etc.), é confrontado com promessas semelhantes desde há décadas (com pequenas variações de conteúdo, conforme o autor/promotor e apoiantes do delírio) e apenas vê os projectos serem sucessivamente adiados e Cacilhas transformada numa "lixeira a céu aberto", só pode mesmo encarar com desconfiança mais esta parafernália de ideias que, aos olhos do cidadão comum, não deixam de ser mirabolantes.
Falar de milhões de euros de investimento num pedaço do território, prometendo fazer renascer o concelho de Almada num futuro que não se sabe quando chega e do qual apenas se tem um desejo de que aconteça (dizem que são precisos, no mínimo, vinte anos para que se "revele") e nenhuma base de suporte a ser construída (no terreno, não existe nem o mais pequeno indício de que algo vai mudar), em detrimento de uma negra realidade actual, que se prefere manter com a desculpa de que não vale a pena mudar porque vem aí o milagre, é bem o retrato da forma como os nossos autarcas encaram as questões do planeamento urbano: construir é mais importante do que recuperar, nem que a miragem impeça que olhemos, de forma racional, para os problemas do quotidiano.
Falar de milhões de euros de investimento num pedaço do território, prometendo fazer renascer o concelho de Almada num futuro que não se sabe quando chega e do qual apenas se tem um desejo de que aconteça (dizem que são precisos, no mínimo, vinte anos para que se "revele") e nenhuma base de suporte a ser construída (no terreno, não existe nem o mais pequeno indício de que algo vai mudar), em detrimento de uma negra realidade actual, que se prefere manter com a desculpa de que não vale a pena mudar porque vem aí o milagre, é bem o retrato da forma como os nossos autarcas encaram as questões do planeamento urbano: construir é mais importante do que recuperar, nem que a miragem impeça que olhemos, de forma racional, para os problemas do quotidiano.
Há uns anos atrás, a Presidente da CMA dizia, a propósito da "Manhattan de Cacilhas", que queriam "roubar o céu aos almadenses" com as torres a implantar nos terrenos da Margueira. Hoje, sendo certo que a proposta de Rogers tem uma menor densidade de ocupação em altura, em termos gerais não difere assim tanto da sua antecessora, pese embora o traço arquitectónico, o desenho urbano de enquadramento e alguns equipamentos sejam, obviamente, diferentes (em vez de um edifício com 312m vamos ter vários de 132m - cercade 40 pisos - e muitos com 10/15 andares, e os arranjos exteriores serão outros).
Todavia, só na aparência o éden ora projectado é, de facto, mais "simpático". Na prática, os cacilhenses ficam com o mesmo céu que já tinham e, em contrapartida, passam a ver o estuário do Tejo por entre as nesgas de betão dos prédios que irão nascer nos antigos estaleiros da Lisnave.
Todavia, só na aparência o éden ora projectado é, de facto, mais "simpático". Na prática, os cacilhenses ficam com o mesmo céu que já tinham e, em contrapartida, passam a ver o estuário do Tejo por entre as nesgas de betão dos prédios que irão nascer nos antigos estaleiros da Lisnave.
Mas eu descobri! Finalmente…
O projecto "Almada Nascente", que diz querer transformar Cacilhas num oásis, não é mais do que a apresentação da cidade virtual que o município vai "construir" no "Second Life".
Por isso, ainda há esperança. Outros projectos virão… e "enquanto o pau vai e vem folgam as costas". De lamentar é, contudo, o dinheiro que, impunemente, se vai gastando nestes desvarios que, muitas das vezes, vão mudando consoante se movem na sombra, com mais ou menos ligeireza, os interesses económicos/partidários de ocasião, os quais reflectem a imagem que de quem detém o poder (financeiro e político) e nada mais (veja-se o que aconteceu em Lisboa com o projecto encomendado por Santana Lopes ao arq.º Frank Gehry para o Parque Mayer, e agora colocado na gaveta por António Costa, após gastos largos milhares de euros dos depauperados cofres da autarquia).
Ironias à parte: preocupa-me que este entusiasmo exagerado da CMA pelo projecto de Richard Rogers faça esquecer a outra Cacilhas que já existe, de ruas tristes e sujas, onde a degradação é visível na fachada de cada prédio. Temo que, enquanto se pensa nos futuros "festivais" a realizar numa Almada idílica ainda inexistente, se descure o presente e se adopte uma postura de inércia expectante, ou seja, que as prioridades de hoje se afundem na esperança de um onírico amanhã.
O projecto "Almada Nascente", que diz querer transformar Cacilhas num oásis, não é mais do que a apresentação da cidade virtual que o município vai "construir" no "Second Life".
Por isso, ainda há esperança. Outros projectos virão… e "enquanto o pau vai e vem folgam as costas". De lamentar é, contudo, o dinheiro que, impunemente, se vai gastando nestes desvarios que, muitas das vezes, vão mudando consoante se movem na sombra, com mais ou menos ligeireza, os interesses económicos/partidários de ocasião, os quais reflectem a imagem que de quem detém o poder (financeiro e político) e nada mais (veja-se o que aconteceu em Lisboa com o projecto encomendado por Santana Lopes ao arq.º Frank Gehry para o Parque Mayer, e agora colocado na gaveta por António Costa, após gastos largos milhares de euros dos depauperados cofres da autarquia).
Ironias à parte: preocupa-me que este entusiasmo exagerado da CMA pelo projecto de Richard Rogers faça esquecer a outra Cacilhas que já existe, de ruas tristes e sujas, onde a degradação é visível na fachada de cada prédio. Temo que, enquanto se pensa nos futuros "festivais" a realizar numa Almada idílica ainda inexistente, se descure o presente e se adopte uma postura de inércia expectante, ou seja, que as prioridades de hoje se afundem na esperança de um onírico amanhã.
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Trilogia da utopia
Ou talvez seja a "santíssima trindade" (Quinta do Almaraz/Ginjal, Metro Sul do Tejo e Almada Nascente)... um trio de projectos (ao qual há a juntar, ainda, um quarto mais modesto: o Plano de Pormenor, do arq.º Vasco Massapina, e que abrange o Largo Alfredo Dinis e pouco mais) que promete transformar a freguesia de Cacilhas num paraíso.
Depois do megalómano "Manhattan de Cacilhas" do Arq.º Manuel Graça Dias, para o Fundo Margueira Capital, e que já caiu no esquecimento (?!?), aparece agora o projecto do Arq.º Richard Rogers (cerca de três anos após a Câmara Municipal de Almada o ter apresentado como a alternativa do município), anunciado ontem com pompa e circunstância, conforme noticia o jornal Global Notícias:
Cacilhas encontra-se, pois, no centro deste "vai-vem" de projectos (que são pagos a "peso de ouro") - é, nesta data, o pedaço do concelho almadense com maior concentração de "promessas por m2"... um futuro que teima em chegar, feito de cenários ideais, perfeitos enquanto "realidades virtuais", mas de difícil concretização no presente e que acabam por funcionar como freios à implementação de soluções que resolvam, no imediato, os problemas quotidianos da população (o lixo acumulado nas ruas, o trânsito, a degradação urbana, etc., etc.) à espera do plano messiânico que tudo irá resolver como que por milagre.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
«Projecto Netos»
Tive hoje conhecimento, através do Boletim Arroios Social (magazine informativo do Centro Social Paroquial de S. Jorge de Arroios, em Lisboa), de um projecto bastante interessante que visa, sobretudo, ajudar a combater a solidão na terceira idade, criando relações afectivas entre os jovens e os idosos daquela freguesia da nossa capital.Trata-se do «Projecto Netos» (uma iniciativa inédita no nosso país) em que os jovens vão visitar, conversar e passear com os seus "avós adoptivos" dedicando-lhes, pelo menos, uma hora por semana. Nesta data, são já vinte e seis os netos disponíveis, os quais estão a receber formação específica para o efeito…
Nas palavras do Pároco Paulo Araújo, pretende-se que "dois jovens adoptem uma pessoa idosa que esteja sozinha, acamada ou que consiga sair de casa, criando com ela laços de proximidade e laços afectivos, com o objectivo de estabelecer uma relação de paridade." Uma oportunidade de "inserção dos próprios jovens na realidade do idoso" possibilitando-lhes um maior enriquecimento pessoal através do conhecimento de testemunhos de vida diversificados.
Considero, pois, que esta é uma iniciativa de louvar e que deveria ser aplicada, por exemplo, na freguesia de Cacilhas devido ao elevado índice de envelhecimento da sua população e dos graves problemas de isolamento que se fazem sentir.
terça-feira, 21 de novembro de 2006
Projecto Inocência
Li ontem no jornal que o americano Larry Fuller fora libertado após ter cumprido 25 anos de cadeia, precisamente metade da pena a que fora condenado…E foi libertado porquê? Não, não foi em liberdade condicional. Tratou-se, "somente", da reparação de um "erro judicial". Afinal, Larry fora injustamente acusado de um crime que não cometera. Imagine-se que tinha sido condenado à morte, como ainda é possível em vários Estados norte-americanos…
Mas este não é caso único. O «Projecto Inocência» (PI), desde a sua criação em 1992, já conseguiu, só nos EUA, a revisão de 185 processos, com a consequente libertação dos presos.
Esta instituição, criada por dois advogados americanos, é uma entidade sem fins lucrativos (não cobra honorários pelo trabalho de investigação e defesa dos seus clientes), têm como lema: «trazer a Justiça àqueles a quem a mesma foi negada» e só aceitam casos em que o ADN pode ser usado como prova irrefutável.
É por situações como estas, e porque penso que «cá se fazem, cá se devem pagar» (ou seja, passar para o outro lado da vida é, afinal, uma espécie de absolvição) que SOU, liminarmente, CONTRA A PENA DE MORTE.
terça-feira, 27 de junho de 2006
BIBLIODOMUS

Li, hoje, no jornal Público (o meu diário preferido, e sem o qual não passo enquanto bebo o cafezinho da manhã e ganho forças para iniciar mais uma jornada de trabalho… trabalho sim, que isto de dizer que os funcionários públicos são todos uns preguiçosos é extremamente injusto… adiante!) uma notícia que não posso deixar de vir aqui, publicamente, louvar.
Trata-se do projecto Bibliodomus – Biblioteca em Casa, Serviço Domiciliário de Apoio à Leitura da Câmara do Seixal, e cuja Biblioteca Municipal deu já início à fase piloto.
Esta iniciativa, que eu considero de primordial importância e que deveria ser implementada noutros conselhos, visa levar o livro a populações carenciadas, ou com dificuldades de mobilidade que as impeçam de frequentar as bibliotecas do concelho ou usar a informação nelas disponível.
Nesta fase inicial, prevê-se dar apoio a cerca de 140 munícipes, levando até suas casas livros, música e filmes, além de “dois dedos de conversa”, na medida em que muitos dos destinatários são idosos e a solidão a sua companheira mais frequente.
Sendo este um projecto aberto e dinâmico, várias outras ideias estão a madurar entre os dinamizadores, à espera do momento oportuno para arrancarem no terreno, nomeadamente após conseguirem a colaboração de algumas empresas e agentes locais do sector: o INFODOMUS, que pretende levar a informática junto destes agora info-excluídos e potenciais utilizadores, e o TURISMO CULTURAL, que prevê «levar os idosos a passeios que tenham os livros como inspiração».
O combate a todas as formas de isolamento é, pois, o principal objectivo desta louvável iniciativa, que não podemos deixar de assinalar, esperando que outros municípios lhe sigam o exemplo.
Fotografia: retirada do site da Sociedade Filarmónica União Seixalense.
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