terça-feira, 25 de maio de 2010

Frase do dia


Para que desfrute os sonhos que lhe dão alento, suba sempre as etapas da vida degrau a degrau, porque a segurança busca-se na certeza do caminho que se consegue percorrer devagar, passo a passo, em direcção ao futuro.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

10 anos de POLIS - o balanço possível

No dia 16 de Maio último, o jornal Público, no suplemento Cidades, apresentou uma reportagem sobre o balanço de dez anos do programa POLIS a nível nacional.
Entre o sucesso de Viana do Castelo (cidade eleita pela revista Wallpaper como a nova meca da arquitectura) e o insucesso da Costa de Caparica (cujo calendário vai ter de ser reavaliado pelo Ministério do Ambiente em virtude de a CostaPolis terminar o seu mandato no final do corrente ano e estar ainda muito por fazer, e o que está feito deixa muito a desejar - digo eu), uma panorâmica geral sobre o programa que pretendeu ser "um analgésico para muitas cidades doentes" mas que, afinal, parece que, em muitos casos, agravou o mal de que muitas delas padeciam fruto da má gestão dos dinheiros públicos e que, agora, ninguém parece capaz de responsabilizar.

sábado, 22 de maio de 2010

Mil faces

Mil léguas de distância percorreste,
em mil espelhos enfrentaste
a imagem de que fugias,
mas em tua alma vias
mil cores que te abraçavam
que em mil danças te lançavam.
Contra mil lobos lutavas,
Mil vidas tu tiravas.

Sobre mil mares navegaste
em mil mundos procuraste
as mil faces que vestiste
sobre a face que não viste.

Em mil sonhos que não sonhaste
foi-se a vida que perdeste!

Sentir o toque do mar imenso
inundar o espírito,
purificar o ser,
como se de água fosse feita a alma.
Descer às profundezas
de um abismo de cor,
deixar de pensar,
exorcizar a dor,
deslizar lentamente
sobre um céu de mil prantos
e ser um só com o mar.
Este foi o primeiro poema do meu amigo António Boieiro que tive o privilégio de o ouvir declamar. Não sei explicar porquê, mas identifiquei-me, de imediato, com estas palavras e, confesso, emocionei-me tanto que até as lágrimas espreitaram dos meus olhos.
Com votos de um resto de bom fim-de-semana, aqui fica o poema Mil faces. A imagem é de uma obra de arte pública numa rua de Aveiro.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Costa da Caparica candidata às "7 ex-maravilhas naturais de Portugal"

Depois de um visitante me ter alertado para o vídeo sobre a Costa da Caparica e as "famosas" obras do POLIS que passou na SIC, no programa "Nós por cá", não resisti e fui procurá-lo. Começa assim:

"Os portugueses são exímios na arte do desperdício. O litoral é de fazer inveja a muitos países, mas raros são os casos em que as praias ficaram a salvo da especulação imobiliária.

Por exemplo, às portas de Lisboa há uma riqueza natural que ao longo de décadas sofreu intervenções que a tornaram candidata a ex-maravilha de Portugal: a Costa de Caparica."

(para verem a reportagem têm de ouvir primeiro o anúncio...)

Estranho conceito este de requalificação urbana...




A dita “Intervenção” do POLIS na Costa da Caparica não é só a frente de mar e as praias urbanas. Todos sabemos disso. Mas esta área é, talvez, a mais visível em termos turísticos.

Se pensarmos:
Primeiro
Naquele que era o principal objectivo do Programa POLIS na Costa da Caparica (lançado em Julho de 2001), consubstanciado no respectivo Plano Estratégico: «requalificação urbana e ambiental da Frente Atlântica de Almada, tendo como intenção reforçar e valorizar a Costa da Caparica como pólo de excelência em termos de oferta de actividades de turismo, recreio e lazer da Área Metropolitana de Lisboa»;
Segundo
Nos muitos milhões de euros gastos e a gastar nas diversas acções (152,4 milhões, mais precisamente – segundo dados do Relatório e Contas de 2009 da CostaPolis, a sociedade criada para gerir o processo);
Terceiro
E olharmos para as fotografias captadas no passado dia 17 do corrente mês…

É legítimo que se pergunte:
É isto a requalificação urbana de que se fala? De quem é a responsabilidade?

Os dois órgãos do município de Almada (deliberativo e executivo) estão representados nos dois órgãos sociais da sociedade CostaPolis (na Assembleia Geral de Accionistas e no Conselho de Administração). Aliás, cabe mesmo à Câmara Municipal aprovar o Relatório e Contas da CostaPolis. Por isso pergunto: qual é, afinal, o papel dos autarcas na fiscalização desta situação, nomeadamente da respectiva Junta e Assembleia de Freguesia?


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Que mal fizemos nós?




Congelam-nos o vencimento (não vão haver aumentos nos próximos tempos).
Cortam-nos no salário (através da subida da taxa de IRS levam-nos mais 1 a 1,5%).
Impedem-nos de receber prémios (estamos a falar do equivalente a uma remuneração mensal que pode ir de uns míseros 500€ - arredondando números – no caso dos assistentes operacionais a cerca de 3.000€ no caso dos dirigentes intermédios de 2.º grau, num universo de possíveis beneficiários que será sempre inferior aos 5% do total, pois nem todos os dirigentes os atribuem).
Mas que mal fizeram os funcionários públicos ao país? Será que fomos nós que provocámos esta crise?
E as “mordomias” que muitos políticos recebem (extra ordenado, como despesas de representação e outros subsídios)? Será que também as vão cortar?
E os salários e prémios milionários dos gestores públicos? Não sendo considerados trabalhadores do Estado ficam de fora. É justo?
E os senhores da “alta finança” e os “operadores bancários”, principais responsáveis pelo descalabro da economia, quem os penaliza? Que contribuição vai ser a sua para pagar a crise que originaram? Nenhuma! Mas que raio de justiça é esta?

Pormenores...

É apenas um pormenor. Mas será que ninguém o corrige? Ou nem terão reparado que o nome do restaurante tem um erro ortográfico? Muito mal vai a nossa língua…

A propósito, aqui fica o Fado do Cais do Sodré:


O cais do Sodré não é
só bares de prostitutas
também é gente a alombar
caixa de peixe e de fruta
não é só o mal que passa
na kandonga do Japão
também é cais onde embarca
quem busca no mar o pão

[refrão:]
Ai cais do Sodré
ai cais do Sodré
mais vale parecer
que ser o que é
ai cais do Sodré
ai cais do Sodré
nem todo o sapato
te serve no pé

O cais do Sodré não é
só rusga que vai e vem
também é gente que mora
num largo que á muito ali tem
gente com filhos mulheres
e a renda da casa em dia
gente que apenas trabalha
e no trabalho confia

[refrão]
O cais do Sodré não é
só refugio de falsários
também é gente, guindastes
movidos pelos operários
não é só amor que passa
na kandanga do Japão
também é cais onde embarca
quem busca no mar o pão

[refrão][música]
O cais do Sodré não é
só bares de prostitutas
também é gente a alombar
caixa de peixe e de fruta
não é só o mal que passa
na kandonga do Japão
também é cais onde embarca
quem busca no mar o pão.

terça-feira, 18 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dia Internacional Contra a Homofobia

Fascismo financeiro

«"Há doze anos publiquei, a convite do Dr. Mário Soares, um pequeno texto (Reinventar a Democracia) que, pela sua extrema actualidade, não resisto à tentação de evocar aqui. Nele considero eu que um dos sinais da crise da democracia é a emergência do fascismo social. Não se trata do regresso ao fascismo do século passado. Não se trata de um regime político mas antes de um regime social. Em vez de sacrificar a democracia às exigências do capitalismo, promove uma versão empobrecida de democracia que torna desnecessário e mesmo inconveniente o sacrifício. Trata-se, pois, de um fascismo pluralista e, por isso, de uma forma de fascismo que nunca existiu. Identificava então cinco formas de sociabilidade fascista, uma das quais era o fascismo financeiro. E sobre este dizia o seguinte."

O fascismo financeiro é talvez o mais virulento. Comanda os mercados financeiros de valores e de moedas, a especulação financeira global, um conjunto hoje designado por economia de casino. Esta forma de fascismo social é a mais pluralista na medida em que os movimentos financeiros são o produto de decisões de investidores individuais ou institucionais espalhados por todo o mundo e, aliás, sem nada em comum senão o desejo de rentabilizar os seus valores. Por ser o fascismo mais pluralista é também o mais agressivo porque o seu espaço-tempo é o mais refractário a qualquer intervenção democrática. Significativa, a este respeito, é a resposta do corrector da bolsa de valores quando lhe perguntavam o que era para ele o longo prazo: "longo prazo para mim são os próximos dez minutos". Este espaço-tempo virtualmente instantâneo e global, combinado com a lógica de lucro especulativa que o sustenta, confere um imenso poder discricionário ao capital financeiro, praticamente incontrolável apesar de suficientemente poderoso para abalar, em segundos, a economia real ou a estabilidade política de qualquer país.

A virulência do fascismo financeiro reside em que ele, sendo de todos o mais internacional, está a servir de modelo a instituições de regulação global crescentemente importantes apesar de pouco conhecidas do público. Entre elas, as empresas de rating, as empresas internacionalmente acreditadas para avaliar a situação financeira dos Estados e os consequentes riscos e oportunidades que eles oferecem aos investidores internacionais. As notas atribuídas - que vão de AAA a D - são determinantes para as condições em que um país ou uma empresa de um país pode aceder ao crédito internacional. Quanto mais alta a nota, melhores as condições. Estas empresas têm um poder extraordinário. Segundo o colunista do New York Times, Thomas Friedman, «o mundo do pós-guerra fria tem duas superpotências, os EUA e a agência Moody's». Moody's é - uma dessas agências de rating, ao lado da Standard and Poor's e Fitch Investors Services. Friedman justifica a sua afirmação acrescentando que «se é verdade que os EUA podem aniquilar um inimigo utilizando o seu arsenal militar, a agência de qualificação financeira Moody's tem poder para estrangular financeiramente um país, atribuindo-lhe uma má nota».

Num momento em que os devedores públicos e privados entram numa batalha mundial para atrair capitais, uma má nota pode significar o colapso financeiro do país. Os critérios adoptados pelas empresas de rating são em grande medida arbitrários, reforçam as desigualdades no sistema mundial e dão origem a efeitos perversos: o simples rumor de uma próxima desqualificação pode provocar enorme convulsão no mercado de valores de um país. O poder discricionário destas empresas é tanto maior quanto lhes assiste a prerrogativa de atribuírem qualificações não solicitadas pelos países ou devedores visados. A virulência do fascismo financeiro reside no seu potencial de destruição, na sua capacidade para lançar no abismo da exclusão países pobres inteiros.

Escrevia isto a pensar nos países do chamado Terceiro Mundo. Não podia imaginar que o fosse recuperar a pensar em países da União Europeia.»

De Boaventura Sousa Santos, in Visão, 6 Maio de 2010.

domingo, 16 de maio de 2010

Sons íntimos


Ontem fui assistir a um concerto de Jorge Palma. “Sons Íntimos”, no Cinema S. Jorge. Gostei da proximidade entre o músico e o seu público. Gostei, também, da empatia que Jorge Palma conseguiu criar com a plateia. Gostei, ainda, de o ver tão à vontade, na companhia do filho Vicente (piano, guitarra e voz) e com o amigo Gabriel Gomes (acordeão). Gostei do ambiente da sala, da distância esbatida no jogo de luzes e nevoeiro.

Mas o que eu AAAADDDDOOOORRRREEEEEEEIIIIIII mesmo foi, de facto, ouvir as canções de Jorge Palma, um músico extraordinário (exímio pianista e óptimo guitarrista) e um excelente poeta (aquelas letras são histórias de vida fantásticas).


Jorge Palma é, para mim (palmaníaca assumida), um dos melhores músicos portugueses de sempre. A conjugação da música e das letras que concebe são obras fantásticas, com conteúdo e uma mensagem evidente, seja de revolta, de tristeza, de solidão, de amor ou até política.

Jorge Palma tem um dom único: tudo o que sente transforma-se em palavras (poemas) e sons (músicas) que nos dá o prazer de partilhar connosco fazendo-nos sentir uns privilegiados por o estar a escutar.

Ontem tivemos uma revisitação dos seus temas, dos mais antigos aos mais recentes, com uma nova roupagem e, pelo meio, sobretudo quando estava ao piano, divagações estilísticas que deixaram todos os presentes encantados. (Se alguns dos presentes duvidava dos dotes de pianista de Jorge Palma ali dissipou todas as dúvidas)

Na plateia, composta por muitos cotas como eu (alguns até mais velhos), surpreendeu-me a quantidade (a maioria mesmo) de jovens que ali estavam, entusiasticamente, ouvindo aquele que se sentia ser um dos seus ídolos. Em surdina uns, outros de forma mais efusiva, era vê-los acompanhar as letras das canções com emoção… sinceramente, fiquei emocionada.



Jorge Palma demorou a ser reconhecido mas, finalmente, parece que está a conseguir. Mesmo assim, face ao tamanho do seu valor, este reconhecimento é insuficiente.

E, já agora, queria dizer que Vicente Palma me parece, também, um jovem com muito talento (“filho de peixe sabe nadar” e “quem saí aos seus não degenera”, são dois ditados que se lhe aplicam na perfeição).

E para despedida, deixo-vos o “Portugal, Portugal” (Acto Contínuo, de 1982), cantado em 2007, ao vivo, na Estação do Metro do Cais do Sodré:

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar…





Se gosta de Jorge Palma, não pode deixar de ir até aqui:
http://www.myspace.com/vicentepalma
http://www.myspace.com/jorgepalmaoficial
http://bloguepalmaniaco.blogspot.com/

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