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domingo, 26 de junho de 2011

Mas que raio de jornalismo é este?

Esta era a nota de primeira página do Jornal de Notícias de ontem. E, na página 8, insistiam: «PSD quer tirar 68 mil pessoas da Administração Publica», embora já se dignassem acrescentar uma explicação em subtítulo: «Regra cinco por um provocará emagrecimento de 13,2%. Sindicatos apontam rupturas de serviços.»


Acontece, porém, que aquela epígrafe é um logro. É que, como depois até se acaba por perceber pela leitura do texto do artigo (valha-nos isso), este número refere-se aos lugares que, supostamente, o PSD não pretende venham a ser ocupados na sequência da saída previsível (face à situação dos últimos meses) de trabalhadores para a reforma.


Ora, que eu saiba, não estão aqui em causa despedimentos. Não se trata de mandar para o desemprego 68.000 mil funcionários públicos. Portanto, embora na prática acabe por ser uma efectiva redução de postos de trabalho, é substancialmente diferente do acto de despedir quem ainda está na vida activa.


Na minha opinião, trata-se do uso abusivo de um slogan para causar impacto e captar a atenção levando à compra do jornal. É, de facto, o vale tudo em nome de critérios economicistas descurando a ética jornalística.


Sabendo nós que muitos leitores têm por hábito apenas "ler as gordas", alguém terá pensado que, desta forma (que reputo de irresponsável), acabou por fazer passar uma mensagem errada? Terá sido intencional? E colar o nome, com fotografia e tudo, do novo Ministro das Finanças, acusando-o de ser o culpado pelo acontecimento, é ainda mais condenável.


É caso para perguntar: que raio de jornalismo é este?


Quanto à intenção do Governo de só deixar entrar um trabalhador por cada cinco que saiam, reduzindo bruscamente o número de efectivos, é mais uma daquelas medidas cegas, mal pensadas, e que revela uma perigosa obsessão pela apresentação imediata de propostas que visem reduzir a despesa pública (para mostrar que Portugal é, afinal "um bom aluno" e vai cumprir "à risca" e acima das expectativas a lição do mestre, neste caso a troika). Mas a pressa faz com que as implementem sem pensar nas consequências que poderão daí advir: a ruptura de alguns sectores por acumulação excessiva de serviço, em virtude de não haver quem cumpra as tarefas que se vão acumular e causar sérios constrangimentos. Não será assim em todos os departamentos (nalguns não fará mesmo diferença nenhuma que assim seja), mas outros irão mesmo ter sérias dificuldades de funcionamento.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Jornalistas

A propósito da "saga Mário Crespo" recebi um e-mail de uma amiga remetendo para um artigo de Carlos Albuquerque, do blogue CONVERSAS DAQUI E DALI.
Porque, sinceramente, esta história tem muito que se lhe diga, nomeadamente sobre a alegada imparcialidade do Mário Crespo - um jornalista que sempre admirei pela sua frontalidade mas que, neste momento, tenho sérias dúvidas, por vê-lo protagonizar um triste episódio que começou numa conversa de restaurante, passou à brilhante conclusão da falta de liberdade de expressão em Portugal e já chegou ao Parlamento Europeu com as "queixinhas" de Paulo Rangel, transcrevo o artigo de Carlos Albuquerque intitulado "Mário Crespo - Estranha história, ou talvez não!" publicado no seu blogue em 03-02-2010:


«Eduardo Cintra Torres, crítico de televisão do Público e professor da Universidade Católica escreveu a 10 de Janeiro de 2009 naquele jornal: “Crespo é hoje um verdadeiro porta-voz dos interesses informativos do Governo, um operário do agenda setting da central de propaganda.”

A 2 de Maio daquele ano, Cintra Torres voltou a falar de Mário Crespo para explicar que não cometera um erro de avaliação, mas que fora o jornalista quem dera uma cambalhota, por não lhe ter sido dado o lugar que ambicionava em Washington. Escreveu:

«Mário Crespo andou um tempão a servir a agenda do governo no seu programa Jornal das 9. A cadeira dos convidados parecia a cadeira do poder, de tanto que nela se sentaram os ministros Silva Pereira e Santos Silva. No auge desta opção editorial, o jornalista afirmou em entrevista ao Semanário Económico (15.01.09) que nas próximas eleições "provavelmente" votará (ou votaria) Sócrates; e noutra entrevista, ao CM (12.01.09), disse que "provavelmente" irá (ou iria) em breve para Washington por grandes temporadas (por coincidência, foi anunciado esta semana pelo Diário da República que o próximo conselheiro de imprensa em Washington será Carneiro Jacinto, ligado ao PS). Entretanto, a linha editorial de Crespo mudou, e de que maneira, quer no seu programa, quer nos seus artigos de opinião no Jornal de Notícias. Passou a criticar abertamente o poder PS; os ministros políticos do governo já não aquecem a cadeira do Jornal das 9. Crespo não explicou a sua radical mudança editorial (…). Mudar de opinião não é crime, nem para um lado nem para o outro, mas 180 graus é muita mudança.»

Crespo volta, agora, a ser falado por o Jornal de Notícias não ter publicado um texto seu, entendido por si como artigo de opinião, mas que não passa de uma notícia elaborada com base numa conversa de restaurante, que não ouviu, apenas lhe chegou por e-mail. Notícia a carecer de confirmação e de abertura de espaço ao contraditório, em obediência às regras jornalísticas, como lhe esclareceu o director do jornal. Não forneceu quaisquer dados. Para ele a questão era simples: ou o texto era publicado, ou deixaria de escrever para o jornal. Deixou de escrever. Soube-se, depois, que um dos intervenientes na conversa foi Nuno Santos, director de programas da SIC, tendo este afirmado, publicamente, que as coisas não se passaram como Mário Crespo as relatou.
Tudo isto acontece na véspera do lançamento de um livro de crónicas de Mário Crespo. Livro editado por Zita Seabra, antiga militante do PCP e actual deputada do PSD, com prefácio de Medina Carreira, comentador residente do programa Plano Inclinado, que o jornalista apresenta na SIC Noticias.

Curiosamente o texto não publicado pelo Jornal de Noticias veio a público no site do Instituto Sá Carneiro (PSD). Site que o jornalista disse não saber “sequer que existia”. Ainda curiosamente, Crespo não apresentou ontem o Jornal das 9 na SIC. Esteve ausente nas Jornadas Parlamentares do CDS, a convite de Paulo Portas, para, como “especialista em política internacional”, falar do ano de governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em quem ele não votaria, se fosse norte-americano, como o disse em entrevista.

Estranha história esta! Apenas uma certeza – o lançamento do livro de Mário Crespo vai ser de sala cheia! Tem, para já, o apoio solidário de Manuela Moura Guedes e de José Eduardo Moniz. Muita outra gente aparecerá a comprar o livro de um autor que, como ele próprio diz, deu “…aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.”

Carlos Albuquerque
(Conheço pessoalmente Mário Crespo. Segui com interesse muito dos seus trabalhos criticando a realidade que nos cerca. Longe estava de imaginar que um dia faria uma notícia, cujo centro é ele próprio, num olhar para o umbigo confrangedor. Notícia que quis transformar em artigo de opinião. Estará a considerar-se um iluminado?)»

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Lucidez!!


Recebi esta notícia ontem, por e-mail.
Apenas sei que saiu num desses jornais de distribuição gratuita.
Mas leiam-na com atenção. É curta mas certeira.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Pensando a Internet: o poder das redes digitais.




Hoje trago-vos um artigo da revista Courrier Internacional para que nos debrucemos sobre o seu conteúdo. Vem inserido no tema de capa que coloca a questão: Democracia sem jornais? embora não seja a notícia fulcral do tema (o texto principal é demasiado extenso para o publicar aqui e acabei por considerar este, também, bastante interessante).

domingo, 24 de maio de 2009

Marinho Pinto X Manuela Moura Guedes = 10 a 0!

Entrevista completa Marinho Pinto - Manuela Moura Guedes from Ricardo Martins on Vimeo.
http://trocaopasso.wordpress.com/

Entrevista de Manuela Moura Guedes a Marinho Pinto
Jornal Nacional, TVI
22/05/2009
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Não vi esta pseudo-entrevista em directo. Dela tive conhecimento através de um e-mail que recebi com o link para este blogue... Numa escala de 0 a 10, o resultado é o que consta do título (na minha opinião).

Por isso, não resisto a colocar este "momento espectacular" no Infinito's, como um óptimo exemplo de um certo tipo de jornalismo agressivo e sem ética, como aquele que MMG protagonizou (muito ao seu estilo costumeiro de quem acha que domina a verdade dos factos).

Marinho Pinto teve, no final, a coragem e a frontalidade de dizer à própria, publicamente, aquilo que muito boa gente pensa da forma como MMG costuma abordar os temas que lhe convém (politicamente identificados), com parcialidade e sem o distanciamento objectivo indispensável ao correcto tratamento jornalístico das notícias que apresenta.

São cerca de 30 minutos de uma critica feroz, nitidamente tendenciosa, ao bastonário da Ordem dos Advogados... mas onde a essência da contestação a Marinho Pinto não é sequer aflorada, isto é, que razões, objectivas, estão por detrás desta revolta?

Entre outras, estará decerto a proposta de alteração aos estatutos que prevê a incompatibilidade do desempenho simultâneo do cargo de deputado e da profissão de advogado... alguém já pensou nisso?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Mas que raio de jornalismo é este?

Como seria de esperar, a triste situação vivida na Junta de Freguesia da Sobreda (e que aqui já vos relatei), foi objecto de tratamento jornalístico na imprensa local.
Trago-vos três desses jornais, SemMais, Jornal da Região - Almada e Notícias de Almada.
Não conhecesse eu o que por lá se passara, e depois de ler o artigo do SemMais ficaria pensando tratar-se de uma autarquia liderada pelo PS (pois só assim se justificaria o título do artigo e o desenvolvimento do seu conteúdo).
Todavia, o PS nunca poderia ter retirado a confiança política a uma pessoa que não é do seu partido. Só poderia fazer o que o BE também fez: apresentar uma moção de censura na Assembleia de Freguesia, facto este que, contudo, a jornalista em causa nunca refere, levando a uma interpretação errada dos factos que, na minha opinião é grave.
Mas que raio de jornalismo é este?
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