quarta-feira, 19 de agosto de 2009

É preciso ter descaramento...

Plano de Almada Nascente teve pouca participação na consulta pública

«O período de consulta pública do Plano de Urbanização Almada Nascente, documento que prevê a reabilitação de 115 hectares da zona ribeirinha, terminou segunda-feira e foi pouco participado, informou ontem a autarquia.

"Admitimos que ainda possa chegar algum contributo pelo correio nos próximos dias, mas não foi um processo muito participado. Apesar disso temos informação para reflectir, em especial do Fundo Margueira (que detém 50 hectares na área de intervenção)", disse o vice-presidente da Câmara de Almada, José Gonçalves, citado pela agência Lusa.

O autarca explicou que o próximo passo é a análise dos contributos da consulta pública e espera que em Setembro o plano de urbanização possa ser aprovado em reunião de câmara para depois ser remetido à assembleia municipal. "Depois de estar concluído todo o processo administrativo, é expectável que as sociedades a construir no âmbito do Arco Ribeirinho Sul venham a aplicar o plano de urbanização no território. Em um ou dois anos deve-se começar a ver algumas intervenções que vão começar por retirar do espaço o que lá existe e pela descontaminação dos solos", afirmou o vereador.

José Gonçalves considerou que o plano de urbanização foi muito para além do habitual nas áreas técnicas, destacando a qualidade da equipa responsável pelo projecto, e explicou que a intervenção vai abrir toda a cidade ao Tejo, daí o nome do projecto Almada Nascente – Cidade da Água.

"É uma nova cidade que vai nascer junto de um cidade já consolidada e que vai ajudar a resolver os problemas que existem e a criar novas infra-estruturas como a deslocação do terminal de cacilheiros, o novo terminal de cruzeiros ou a extensão do Metro Sul do Tejo", afirmou o autarca. "Vai também ser uma nova cidade não só para viver, mas também para trabalhar, com equipamentos de nível local e regional", acrescentou.

Processo complexo

A concelhia de Almada do Bloco de Esquerda teceu críticas à forma como o período de consulta pública decorreu, responsabilizando a Câmara de Almada e o Governo por esse facto. "O Plano de Urbanização de Almada Nascente é um processo tecnicamente complexo, envolvendo decisões técnicas e políticas da maior relevância para o futuro da cidade de Almada, do concelho e da Área Metropolitana de Lisboa, que até hoje não foram cabalmente explicitados de forma pública e transparente a todos os interessados", referem os bloquistas, em comunicado. "A Câmara de Almada e o Governo não acham necessário debater pública e seriamente, de forma aprofundada, as opções de ordenamento do território da maior relevância para os cidadãos da Área Metropolitana de Lisboa e do concelho de Almada", acrescentou o documento do Bloco de Esquerda.

O vice-presidente da autarquia da margem sul do Tejo esclareceu que o processo começou em 2001 e recordou as várias fases de participação com as diversas entidades competentes, a população e instituições ao longo dos anos. "Foi um processo profundamente participado, que foi para além das obrigações legais. Admito que algumas pessoas não tenham acompanhado o processo da mesma forma, já que é um processo complexo, e talvez se o tivessem feito poderiam dar contributos mais precisos", rematou o autarca de Almada.»

Fonte: Jornal Público, 19-08-2009

6 comentários:

Observador disse...

Estes autarcas sabem para quem falam.
O José Gonçalves vai ser uma das vítimas da sua actual arrogância.
Parece nada ter a ver uma coisa com a outra mas tem.
E de que maneira!!!

Anónimo disse...

Qual será a urgência do PCP/CDU em aprovar à pressa este plano se tem outros em execução há mais de 15 anos e não pressa nehuma em os acabar, como sejam do Plano de Pormenor da Bacia da Foz do Rego ou o Plano de Pormenor do Centro Terciário da Charneca de Caparica?

Anda aqui uma pressa estranha, anda aqui negociata dos amigos do costume pela certa.

E como é que o Gonçalves quer impôr às novas sociedades a criar no âmbito do Projecto de Arco Ribeirinho um Plano em que não participaram?

Anda aqui negociata da grossa, com tanta pressa antes das eleições.

Estão com medo de perder a maioria absoluta ou também a Câmara?

Fonseca Ferreira de Sousa disse...

Estes macacos andam a fazer pela vidinha. A sorte deles é que o Socrates e outros são amiginhos da emilia. Vejam o palhaço do Fonseca Ferreira, que quer o reforma dourada, vem atacar o camarada pedroso. Aquele chuleco, que andou a mamar à conta da Câmara com palnos de desordenamento do território, vem apoiar desta maneira a madrinha. São estes fonsecas ferreiras os principais apoiantes da maioria absoluta da CDU/EMILIA. Vamos todos votar PS, mesmo que não se goste do Paulo Pedroso, mas é a maneira de acabar com esta ditadura em ALmada. Maiorias Absolutas = Ditaduras, ou isto é alguma mentira caros comunas da treta.

Minda disse...

Observador:

Lá saber sabem eles... mas pode ser que as contas lhes saiam goradas.

Minda disse...

Anónimo:

A pressa, é óbvia. Que seja a actual Assembleia Municipal a aprovar o plano... é que depois de 11 de Outubro, as coisas vão mudar.

Minda disse...

Fonseca:

Mistura muitas coisas e usa uma linguagem pouco própria, que condeno, mas não deixa de tocar num ponto nevrálgico:
maiorias absolutas = ditaduras? seria um tema interessante para discussão, partindo do exemplo almadense.

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