Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Arsenal do Alfeite, sempre!

Imagem retirada DAQUI.

O Arsenal do Alfeite foi distinguido com a Medalha Militar de Serviços Distintos – Ouro no passado dia 4 de Maio.

70 anos ao serviço do país

Neste difícil período de extinção do Arsenal do Alfeite, em que 1160 trabalhadores estão a enfrentar a angústia, a expectativa e a insegurança quanto ao futuro que lhes está reservado, sem saber ainda o que lhes poderá vir a acontecer a partir de 1 de Setembro de 2009, o Bloco de Esquerda quer partilhar com os arsenalistas e a população de Almada e Seixal os motivos que levaram o Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada a atribuir esta medalha:

“Ao longo do tempo, o Arsenal do Alfeite construiu cerca de 150 navios e embarcações diversas, quer para a Marinha Portuguesa, quer para outras entidades nacionais e estrangeiras, e foi responsável pela execução da maioria das acções de manutenção da quase totalidade dos navios da Marinha, importando neste particular evidenciar a flexibilidade e sentido do dever com que foi dando resposta às solicitações inopinadas e urgentes, necessárias para assegurar a satisfação do dispositivo naval e a continuidade das missões. (...)

O notável desempenho do Arsenal do Alfeite tem sido, ao longo de várias gerações, uma indubitável fonte de orgulho para a Marinha e para todos os arsenalistas, fruto da consciência individual e colectiva de que tudo se fez para assegurar a prontidão material da Esquadra, em contextos por vezes difíceis face ao envelhecimento de parte dos meios navais e de descontinuidade logística de alguns dos seus sistemas. São disso exemplo a manutenção dos submarinos e as grandes revisões e modernizações, entre outros, das fragatas da classe João Belo, corvetas, patrulhas e a recente e bem sucedida transformação dos actuais navios hidrográficos, bem como a modernização do navio-escola “Sagres” na década de 80 e mais recentemente a recuperação da fragata “D. Fernando II e Glória”. (...)

Merece, também, ser destacada a responsabilidade social do Arsenal do Alfeite, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento profissional e pessoal dos seus trabalhadores, desenvolvido ao longo de várias décadas, tendo a sua escola de formação, única em algumas áreas técnicas, contribuído de forma indelével para alimentar outros estaleiros navais e, assim, manter o País com capacidade de reparação e construção naval, legado que, infelizmente se foi perdendo.”

Quem sabe que esta tem sido a realidade de muitos anos de funcionamento meritório deste importante Estaleiro situado no Concelho de Almada, não pode deixar de questionar as razões, intenções e objectivos de quem tudo decide, sem ouvir quem quer que seja.

Estamos a atravessar o período mais difícil da história de 70 anos de actividade profissional. Neste Estaleiro de construção e reparação naval trabalharam e trabalham muitos milhares de homens e mulheres que aqui aprenderam muitas profissões e transmitiram aos mais novos grandes lições profissionais, de civismo e de cidadania.

O processo de extinção e os seus responsáveis

Os processos que têm vindo a ser utilizados nos últimos meses pelas actuais chefias relativamente a muitas centenas de trabalhadores, merecem o nosso veemente repúdio. Não nos cansaremos de denunciar publicamente que discordamos que em breves minutos seja transmitido a muitos trabalhadores que “a futura administração NÃO CONTA CONSIGO a partir de 1 de Setembro”, na maioria dos casos sem qualquer justificação a não ser por represália ou por motivos desconhecidos.

A principal responsabilidade de todo este processo é do Partido Socialista. Não só ignoraram os órgãos representativos dos trabalhadores, não permitindo qualquer diálogo, como também não ouviram na Assembleia da República as opiniões dos partidos da oposição. A maioria absoluta do PS demonstrou de forma inequívoca a sua arrogância e prepotência. São já hoje os responsáveis pela tentativa de destruição de um rico património profissional que poderá vir a ter consequências muito nefastas no futuro. Temos a lição de processos idênticos utilizados em várias empresas e responsabilizamos o PS pelo futuro incerto e preocupante da actividade da próxima empresa.

O que hoje é apresentado como futuro é uma mão cheia de nada!

A precariedade que está envolvida com a diminuição de direitos adquiridos ao longo de décadas, fazendo tábua rasa do que foi o passado, demonstra na prática a insensibilidade de quem se encontra escudado pelos mais elevados responsáveis governamentais.

As regras/obrigações apresentadas aos trabalhadores pela AA, SA, revelam bem a indiferença com que ignoram direitos adquiridos ao longo de décadas: a redução drástica de dias de férias (que atingem 9 dias nalguns casos), a retirada do crédito de horas e a ideia absolutamente prepotente e retrógrada de descontar atrasos no vencimento, não tendo em conta a localização geográfica do AA. Estas regras não revelam a menor preocupação e sensibilidade por quem tem filhos pequenos, pais idosos, familiares doentes ou outras situações inadiáveis que obrigam a deslocações inopinadas.

Apresentam ainda um “acordo” em que o trabalhador se obriga a prestar a sua actividade nas instalações do cliente da AA, SA (Onde? Quando? Por quanto tempo?) ou permite que seja alterado unilateralmente o horário de trabalho, entre outras situações gravosas para o trabalhador.

Esta insensibilidade social e desconhecimento das reais dificuldades que se colocam a muitos trabalhadores que se vêem agora confrontados com as situações anteriormente mencionadas, levam-nos a concluir que o objectivo final é forçar os trabalhadores à não-aceitação dos contratos agora apresentados, por via da indignidade neles referidos.

Só assim se compreenderá a razão porque ainda não é do conhecimento público o número de trabalhadores que ficará na AA, SA, assim como não são conhecidos os motivos que levaram a que não fossem aplicados os critérios de selecção publicados.

Lamentamos também a forma como alguns chefes se disponibilizaram para falar já em nome da futura Administração, quando não têm (ou terão?) qualquer garantia de virem a ser contratados para a AA, SA, ou seja, conseguiram ser “mais papistas que o Papa”. Não seria de esperar que esta missão fosse da estrita e exclusiva responsabilidade da Administração da AA, SA? Não seria uma oportunidade para que os Administradores pudessem contactar, olhos nos olhos, os Arsenalistas e ouvir o que estes tivessem a dizer?

Não é possível ainda afirmar quantos trabalhadores ficarão na próxima empresa e quantos passarão à mobilidade especial, com as inevitáveis consequências de redução significativa dos respectivos salários. Tudo parece acontecer sem qualquer preocupação, quer dos governantes quer dos chamados gestores da sua política, criando ainda mais dificuldades a quem vive já hoje numa situação complicada com o mês a sobrar no fim do salário.

Em defesa dos trabalhadores e da democracia

Ao longo dos anos os trabalhadores têm sido confrontados com ofensas e ataques aos seus direitos, os quais são inerentes a uma sociedade democrática que preconizamos e que alguns já se enfadam de aceitar. É a própria Democracia que continua a ser ameaçada e terão que ser os trabalhadores os mais empenhados em a defender!

O Bloco de Esquerda, na sequência das suas tomadas de posição, em diversos locais, sobre o presente e o futuro do Arsenal do Alfeite, manifesta a sua solidariedade a todos os arsenalistas e assume o compromisso de continuar a desenvolver e apoiar todas as formas de luta que os trabalhadores decidam realizar.


A Coordenadora Concelhia de Almada do Bloco de Esquerda
5 de Julho de 2009
Site: http://almada.bloco.org/ e-mail: almadabloco@gmail.com

Domingo, 5 de Julho de 2009

A despedida de Aveiro



Nas vossas férias, se tiverem oportunidade, venham passear até Aveiro. É uma cidade espectacular, hospitaleira e com belas paisagens, óptima para andar a pé, ou de bicicleta (e não se preocupe, não precisa de trazer a sua... basta pegar numa BUGA, bicicletas urbanas grátis de Aveiro, e sair pedalando). Aqui fica mais um conjunto de fotografias que, espero, gostem.




E cá vou eu de regresso a Almada... Adeus Aveiro!

Sábado, 4 de Julho de 2009

Em Aveiro


Apesar da minha formação académica ser de Geografia (variante de Planeamento Regional), um curso pelo qual optei como escolha única tal era o meu gosto por aquelas matérias, certo é que, por contingências diversas acabei a coordenar um serviço de cultura e a assessorar um órgão deliberativo tendo, posteriormente, por indicação da presidência, concluído uma pós-graduação em Gestão Autárquica.

Contudo, com o tempo, e pelas responsabilidades profissionais que fui assumindo, acabei por começar a desenvolver um gosto muito especial pelo direito administrativo e, hoje, posso dizer sem margem para dúvidas, que esta é a minha área de actuação preferida, em particular a do direito autárquico.

Por isso, e mesmo não sendo jurista (nem tão pouco pretenda alguma vez vir a sê-lo, pois nos meus horizontes não está a frequência de uma licenciatura em direito), confesso que sinto uma atracção especial por todas as questões relacionadas com a justiça administrativa, ao ponto de muita gente pensar que sou advogada, até juíza já pensaram que eu era, tal é a linguagem que por vezes utilizo. E muito jeito me tem dado, no que concerne ao desempenho das minhas actuais funções como directora, onde o conhecimento das leis é fundamental para se atingir resultados seguros, sobretudo agora em que várias reformas da administração pública estão em curso.

Vem isto a propósito de eu estar em Aveiro, desde ontem, para assistir a um seminário sobre a “Reforma da Justiça Administrativa” em Portugal. E porque é meu hábito fazer os tais passeios pelos arredores, no intervalo entre dois painéis, lá acabei por fazer um mini percurso de cerca de trinta minutos… entre a ida e a volta ao local onde se realiza o encontro (o Hotel Meliá Ria) não deu para ver muita coisa, mas fiquei maravilhada com o que pude observar: Aveiro está uma cidade linda, como podem observar pelo conjunto de fotografias que vos ofereço.

Um bom fim de semana para todos, e espero que gostem da oferta simbólica que vos faço.


Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Mas que país é este, afinal?

Imagem retirada DAQUI
Gesto ordinário (no sentido mais pejorativo da palavra), ofensivo e mal-educado, mas também de extrema arrogância, demonstrativo da falta de respeito do Ministro da Economia por um parlamentar da oposição. Aconteceu ontem na Assembleia da República e no fim da sessão a pasta daquele ministério já passara para as mãos de Teixeira dos Santos (Ministros das Finanças).

Passaram poucas horas deste lamentável incidente (nem ainda 24) e parece que já lá vai mais de uma semana, tanto se tem falado no assunto. Aliás, nem eu própria resisti a tê-lo como tema do artigo de hoje.

Sem querer menorizar aquele acto e a leitura política que dele se deve fazer (o impacto já passou fronteiras e consta da imprensa internacional, por exemplo do Brasil e de Espanha, onde a imagem do Governo acaba por estar a ficar ridicularizada – o que é muito mau para Portugal), tudo isto acaba por ser o resultado da intolerável crispação verbal que domina no discurso dos nossos deputados e governantes.

O gesto é condenável, sim! Mas, também, muitas das palavras utilizadas nos discuros, as posturas de alguns deputados durante o plenário, o baixo nível da troca de acusações entre partidos (e não é preciso utilizar palavrões para baixar a qualidade da oratória)...

Uma vergonha, evidentemente! Mas que país é este, afinal?

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

"TascaBeat: O sonho português"

Este é o nome do primeiro disco dos OqueStrada, acabadinho de sair... Nasceram em Almada, dizem, com algum orgulho, como podem ouvir NESTE video. E, já agora, oiçam algumas das suas músicas AQUI...
Dos elementos do grupo, só conheço o João Lima (exímio tocador de guitarra portuguesa), que já participou em algumas actividades dos Poetas Almadenses, nomeadamente na apresentação do CD Poetas & Vozes D'Almada. Mas todos, incluíndo a vocalista (Miranda), têm uma excelente participação.
A alegria das músicas é contagiante e fazem-me lembrar Emir Kusturica. LINDO!

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Budapeste

Já li o livro e gostei imenso. Chico Buarque além de um excelente cantor é, também, um ótpimo escritor. E gostava imenso de ver o filme, que já estreou no Brasil (salvo erro a 22 de Maio último), se ele chegar a Portugal...

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Alguém falou em galinheiro?


A propósito do artigo de ontem, alguém falou em galinheiro... pois aqui está ele. Conseguem descobrir a personagem de que eu falava entre os frequentadores deste espaço? Só têm três hipóteses, logo é fácil de acertar... a não ser que o "dito cujo" esteja noutro lugar a ocupar mais um poleiro.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Se sabe quem são, denunciem-nos!


Imaginem a seguinte situação:

Um trabalhador de uma autarquia local, dirigente (director de departamento), que exerce funções como professor (assistente equiparado) do ensino superior, a tempo integral, num estabelecimento particular e num outro é, ainda, professor adjunto e lecciona a tempo parcial.

É o super-homem? Não! Apenas um mau dirigente ou um péssimo professor. Quiçá, ambas as coisas. Porque com tantas actividades em simultâneo é difícil conseguir executá-las a todas de forma profissional.

E, o mais certo, é tratar-se de uma acumulação de funções ilegal (muito frequente, infelizmente, na nossa Administração Central e Local). Contudo, mesmo que não o seja, isto é, mesmo que o trabalhador até tenha autorização do Serviço para o efeito, duvido que, eticamente, esteja correcto: sabendo que qualquer das tarefas em causa é de responsabilidade, exigindo muitas mais horas além do horário estabelecido, custa-me a crer que quem procede assim consiga ser um dirigente competente e um professor empenhado.

A não ser que mascare as ausências na autarquia com a facilidade da isenção de horário a que tem direito e aproveite a permanência no serviço para preparar as aulas. O que acaba por ser um comportamento condenável e que pode configurar a prática do crime de peculato.

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Na Administração Pública, incluindo a Administração Local, para quem não sabe, existe exclusividade no exercício de funções e só em casos muito especiais (devidamente fundamentados e a requerimento do interessado), é permitida a acumulação.

A acumulações de funções públicas encontra-se regulada nos artigos 27.º e seguintes da LVCR (Lei dos Vínculos, Carreiras e Remunerações - Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro) sendo que a não observância dos requisitos legalmente estabelecidos é considerada uma infracção disciplinar grave que pode levar à cessação da comissão de serviço do dirigente que a permitiu.

Tratando-se de acumulação com outras funções públicas a regra é permitir, mas apenas desde que haja manifesto interesse público e não sejam remuneradas.

Contudo, sendo funções remuneradas o caso muda de figura: além de se ter de provar o evidente interesse público, o exercício acumulado com outras funções públicas só é permitido excepcionalmente, por inerência, representação do órgão ou serviços, participação em comissões de trabalho ou conselhos consultivos, actividades temporárias e de carácter ocasional, actividades lectivas mas desde que não seja ultrapassada determinada duração fixada por despacho ministerial e sem prejuízo do cumprimento do horário de trabalho semanal e, finalmente, para a realização de conferências.

Se a acumulação for com funções privadas, o regime é mais permissivo bastando, para o efeito, que não exista incompatibilidade funcional, sobreposição de horários, nem se comprometa a isenção e imparcialidade exigidas ao desempenho público.

Em ambos os cenários, todavia, a acumulação só será permitida a requerimento do interessado, onde este informe a natureza das funções a acumular, do horário a cumprir, da remuneração a auferir, das razões que justificam a acumulação e dos fundamentos que explicam não haver incompatibilidades, além de que deverá ser entregue uma declaração assumindo o compromisso de cessação imediata se surgir, entretanto, algum conflito de interesses.

Acresce, ainda, o facto de nos termos do novo Estatuto Disciplinar (Lei n.º 58/2008, de 9 de Setembro) a pena prevista por exercer e/ou autorizar a acumulação de funções sem obedecer aos requisitos da lei pode levar, até, à demissão com despedimento compulsivo, em sede de procedimento disciplinar.

E para terminar, não nos podemos esquecer do que diz o Estatuto da Carreira Docente Universitária, nomeadamente o disposto no n.º 4 do artigo 68.º: «pelo exercício das funções a que se refere os números anteriores, os docentes em tempo integral não poderão auferir outras remunerações, qualquer que seja a sua natureza, sob pena de procedimento disciplinar».

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Por isso, termino com as seguintes perguntas:
Será que a personagem do exemplo acima citado recebe três ordenados - na Câmara onde trabalha, mais o de professor universitário a tempo integral e, ainda, o de professor a tempo parcial?
Com a falta de empregos que por aí anda, acumulações destas parecem escandalosas, não acha?

Domingo, 28 de Junho de 2009

Dia de chuva...

Hoje a chuva veio visitar-nos... Mesmo assim, não deixei de fazer o meu passeio matinal e, de chapéu aberto lá fui eu, de Cacilhas até Almada.
Há quem diga que sou louca. Caminhar às 7:45 da manhã, à chuva, num domingo, só pelo prazer de andar a pé, sentar-me a ler o jornal Público e a beber um café. Hábitos...
Só tenho pena que, em vez de estar na esplanada do Rifera, como é costume sempre que o tempo o permite, lá tive de acabar por entrar na pastelaria e ficar-me por ali a ver as gotas de água a cair na calçada.
Apanhei uma molha é verdade... mas a alma revigorou.
Antes de regressar a casa, fui às compras ao supermercado Pingo Doce. Estando carregada, resolvi ir apanhar o Metro e, na paragem da S. João Baptista, deparei-me com este jovem a dormir serenamente apesar das condições precárias da cama improvisada...

Sábado, 27 de Junho de 2009

Isto faz-se?

Av.ª 25 de Abril, Cacilhas (27-06-09, 07:45)
Julgava eu que, em democracia, se respeitavam os adversários políticos e não era com actos de puro vandalismo que se combatiam ideias. Pelos visto há, em Almada, quem assim não pense e prefira agir, a coberto da noite e do anonimato (cobardemente, portanto), desta forma criminosa.
É já a 2.ª vez que isto acontece. Na véspera das eleições europeias, o anterior cartaz colocado neste local, e quase todos os outros distribuídos pelo concelho, foram também vandalizados.
Quem o fez, deve sentir-se orgulhoso do feito, presumo. Deve estar a pensar que é um herói (ou uma heroína)... Por isso, fê-lo uma primeira vez e voltou a insistir. Que tristeza! E que desilusão! Ao que isto chegou...
A propósito deste episódio, não posso deixar de recordar a "teoria do inimigo do povo" que, infelizmente, ainda é seguida por muitos dos que andam nestas andanças da política, e para quem tudo é legítimo desde que sirva para combater o tal "inimigo do povo"... E se no passado defendiam a luta armada, hoje, apesar de terem moderado um pouco o discurso bélico, continuam, ainda, a apostar em formas de actuação que, na minha opinião, são demasiado agressivas.
Os motivos que estarão por detrás de quem anda a vandalizar os cartazes de Paulo Pedroso até podem não ser políticos (o que duvido). Mas em período eleitoral será sempre essa a conotação que lhes será atribuída. E se pretendem colher dividendos acabam, antes, por provocar aversão.
Falo por mim que, sendo militante do BE, não posso deixar de condenar estas atitudes, sem temer que (ao contrário de muitos) me venham dizer que, por esse motivo, estou "ao lado do PS". Estou e estarei sempre, digo-o aqui frontal e publicamente, contra quem utiliza este tipo de meios para, supostamente, atingir os fins pretendidos: denegrir a imagem de um candidato e fragilizar, politicamente, o respectivo partido.
Se isso me coloca ao lado seja de quem for que condena, também, comportamentos destes, então sim! seremos ambos solidários na defesa da prática da política séria, democrática, com respeito pelos nossos opositores...

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Contra a Precariedade - grupo FERVE é ouvido na Assembleia da República

O FERVE (Fartos Destes Recibos Verdes) foi ouvido, no dia 23 de Junho, na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública da Assembleia da República.
O diploma em análise foi a proposta de lei número 270/X (GOV), que visa aprovar o Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança Social.
Assim, esta proposta de lei estipula que uma entidade que contrate um trabalhador/a a recibos verdes deverá pagar 5% da Segurança Social desse/a mesmo/a trabalhador. Esta medida é considera como 'um importante passo no sentido da promoção da qualidade e estabilidade das relações laborais.'

Assentimos que seja um passo, porque é um passo atrás, mas refutamos e não compreendemos que possa de algum modo promover a qualidade e estabilidade das relações laborais; de facto, franqueia as portas a este tipo de contratação, promove e legitima a precariedade.
No entanto, o legislador, personificado no Governo, afirma pretender apresentar 'medidas inovadoras que visam dar um importante contributo no combate à precariedade e à segmentação do trabalho' e também 'incentivar relações laborais estáveis e, simultaneamente, desincentivar a precariedade.'
ASSUMINDO A BOA-FÉ E AS BOAS INTENÇÕES DAS AFIRMAÇÕES ACIMA TRANSCRITAS, PROPUSEMOS AS DUAS MEDIDAS DE SEGUIDA ENUNCIADAS QUE, SENDO COLATERAIS À PROPOSTA EM ANÁLISE, A COMPLEMENTAM:
1 - Obrigação de informar
1.1) Sempre que uma entidade contrate alguém a recibos verdes, tem de de informar a Administração Fiscal. Esta comunica administrativamente à Segurança Social.

Propomos que a Administração Fiscal comunique, por via electrónica, à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), o nome de todas as entidades empregadoras que contratam pessoas a recibos verdes, de modo a que a ACT possa ficar em posse de uma base de dados que orientará a sua planificação anual.

1.2) Propomos que, de cada vez que uma entidade contrata uma pessoa a recibos verdes e, por consequência, comunica essa contratação à Administração Fiscal deve ser accionado um processo obrigatório de fiscalização e verificação da validade e legalidade daquele trabalho independente, pela ACT; sendo um falso trabalho independente, deve ser automaticamente convertido em contrato de trabalho sem termo.

2 - Precariedade na Administração Pública e ACT
2.1) Consideramos fundamental que a Administração Pública promova e incentive as relações laborais estáveis, generalizando com contratos de trabalho sem termo todas as situações profissionais de preceriedade existentes no seu seio, ao invés de as converter em contratações através de Empresas de Trabalho Temporário ou da contratação de empresas.
2.2) O quadro de inspectores da ACT deve ser preenchido, uma vez que se encontra com cerca de metade das/os inspectoras/es previstas/os.

PROPOSTAS DE ELEMENTAR JUSTIÇA: PROTECÇÃO NA DOENÇA
Actualmente, a protecção na doença para as/os trabalhadoras/es independentes prevê o direito a 'baixa' a partir do 31ª dia de doença, por um período máximo de 365 dias. As/Os trabalhadoras/es por conta de outrém têm direito a protecção na doença a partir do 4º dia, por um período máximo de três anos. Propomos que as/os trabalhadoras/es independentes tenham direito a protecção na doença por igual período às/aos trabalhadoras/es por conta de outrém.

PROPOSTAS ESPECÍFICAS DE ALTERAÇÃO À PROPOSTA DE LEI 270X(GOV):
1) Propomos a retirada do ponto 2 do artigo 19º, o que significa que todas/os as/os trabalhadoras/es possam ter protecção na eventualidade de doença, maternidade, paternidade, adopção, desemprego, doenças profissionais, invalidez, velhice e morte.
2) Propomos que a contribuição para a Segurança Social seja paga por retenção na fonte em cada recibo verde emitido.
Esta proposta de lei prevê que a existência de esclões contribuitvos para a Segurança Social. O valor a ser pago é estupilado em função de 70% dos rendimentos totais do ano civil anterior. Ou seja, em função do que recebemos em 2009, pode ser estipulado que temos de pagar 300 euros/mês em 2010, mas em 2010 podemos receber 500 euros por mês...
Assim, sugerimos a anulação dos escalões e propomos que o pagamento à Segurança Social passe a ser feito por retenção na fonte, em cada recibo verde emitido, de acordo com a taxa já existente que é de 24,6% sobre 70% do valor bruto auferido.
3) Dívidas à Segurança Social
Propomos que, quando é detectada uma dívida à Segurança Social, o Estado, a seu encargo, accione as acções inspectivas que permitam aferir as condições em que aquela dívida foi contraída. Verificando-se que a dívida foi contraída quando a/o trabalhador/a estava sujeito a falso trabalho independente, o ónus do pagamento deve recair sobre a entidade empregadora e o vínculo contratual deverá ser reconhecido e convertido em contrato de trabalho sem termo.
Propomos também que, enquanto decorre o processo de averigução das condições em que a dívida foi contraída, o/a trabalhador/a não possa ser impedido/a de aceder aos apoios da Segurança Social nem ser impedido/a de trabalhar para o Estado. Pelo FERVE.
Cristina Andrade

FERVE - Fartos/as d'Estes Recibos Verdes
http://www.fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/
PETIÇÃO PELAS/OS TRABALHADORAS/ES DO IPAC, I.P.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

O mar...

Já aqui vos disse que, quando estou cansada só me aptece ir ver o mar... Neste momento, precisava tanto de ir olhar estes horizontes, quase como de comer e/ou beber.

Felizmente tenho uma grande capacidade de sonhar e de, ao olhar para estas fotografias, me imaginar nestas paragens... sentir o calor do sol no corpo, a brisa a acariciar o rosto, o cheiro a maresia...

É pouco, eu sei, mas ajuda-me imenso a recuperar as forças. Porque, hoje, estou mesmo muito extenuada. E preciso de estar em forma, pois logo à noite tenho Assembleia de Freguesia e quero manter o nível de intervenção que, até aqui, tenho tido.


Praia de Santa Cruz, concelho de Torres Vedras (distrito de Lisboa)

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Alguém arrisca uma legenda?

Foram cerca de 20 minutos nesta posição.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

É o PCP um partido de esquerda, dos trabalhadores?

Tentando responder a esta pergunta, recebi hoje (de Manuel Barão) o texto que a seguir publico na íntegra e com cujo conteúdo concordo inteiramente:


«Desde o Verão Quente de 1975 que compreendi muito bem a natureza absolutista e autoritária do PCP, o partido “iluminado” da esquerda, da verdade absoluta.
E compreendi-o pela forma como se comportava em relação aos partidos e organizações da esquerda revolucionária da altura: UDP, LCI, PRP, LUAR, etc; isto só para referir alguns dos mais actuantes neste período em Almada.
Neste período, antes do 25 de Novembro de 1975, o PCP esteve aliado com a esquerda revolucionária durante oito dias, numa frente que se veio a chamar FUR.
Abandonou-a no início de Setembro de 1975, porque não a conseguiu controlar.
Nunca considerou a esquerda revolucionária, como esquerda.
Actualmente gosta de alianças com a direita, como acontece em Cacilhas há dois mandatos consecutivos, onde partilha o executivo com o PSD.
Muita gente de esquerda continua a crer que o PCP é um partido de esquerda e que é preciso lutar contra o PS e “tarantantan pardais ao ninho”.
Mas o que fez na semana que passou na Autoeuropa através do sindicato por si (PCP) controlado, e contra a Comissão de Trabalhadores? recusou o acordo que esta tinha feito com a administração.
E porquê? Porque não é o PCP que controla a Comissão de Trabalhadores, e esta até tem um activista do Bloco de Esquerda na sua direcção.
O que aconteceu na Opel da Azambuja é paradigmático. Não digo que antes da greve a deslocalização não estivesse já decidida, mas uma greve nesse momento…
Será que agora pretendem o mesmo na AutoEuropa? Para o PCP o inimigo a abater a qualquer preço é sempre a esquerda. Move-se melhor num ambiente de destruição total, mesmo que também seja atingido como o foi no 25 de Novembro de 1975, pois confia no poder de reconstrução do seu aparelho partidário.
Mas convém não esquecer que se é o PS que está no Governo central, ao nível local/concelhio quem está no Governo é o PCP e basta ler neste blog como os trabalhadores da Câmara Municipal de Almada têm sido tratados.»