terça-feira, 4 de agosto de 2009

Assuntos sérios não se discutem em véspera de eleições!!

Pois claro! Disse-o ontem, à comunicação social, a lider do PSD, a propósito da condenação de Isaltino Morais que vai, na mesma, candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Oeiras.
"Assuntos sérios não se discutem em véspera de eleições"... resta saber se apenas este (dos candidatos arguidos) ou se todos, isto é, se afinal, em período de pré e campanha eleitoral só se discutem assuntos irrelevantes. Será?
Embora todos saibamos que aquele autarca já não pertence ao PSD, percebe-se agora por que Manuela Ferreira Leite ficou tão atrapalhada com as perguntas dos jornalistas e não quer falar no assunto...
É que, indo contra a posição do cabeça de lista pelo distrito de Lisboa às próximas eleições legislativas, Carlos Carreira*, Manuela Ferreira Leite resolveu impor a inclusão, em lugar elegível, de dois deputados arguidos (António Preto e Helena Lopes da Costa).
É caso mesmo para tapar a cara de vergonha... Ou pedir ajuda a Pacheco Pereira para vir interpretar as declarações de Manuela Ferreira Leite.
Pergunto: é esta a política de verdade que o PSD tem para oferecer aos seus eleitores e ao país?
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* Errei e, por isso, aqui coloco o esclarecimento de Carlos Pinto: "Carlos Carreiras não é, nem nunca foi cabeça de lista para coisa nenhuma, muito menos para o Parlamento. Carlos Carreiras é o presidente da distrital de Lisboa do PSD."

18 comentários:

Carlos Pinto disse...

Convém saber um pouco mais das coisas quando se fala delas. Carlos Carreiras não é, nem nunca foi cabeça de lista para coisa nenhuma, muito menos para o Parlamento. Carlos Carreiras é o presidente da distrital de Lisboa do PSD.

Carlos Carreiras bem devia, mas não o fez, ter apresentado um lista de candidatos seguindo a orientação geral do partido que era de renovação e competência, por ordem alfabética.

Ao contrário meteu lá todos os seus comissários políticos marimbando-se para a renovação e competência. A própria lista do Carreiras tem sido fortemente contestada por algumas estruturas concelhias.

Mas a propósito refira-se que Carlos Carreiras, logo após ter sido eleito para a distrital, foi convidar o Isaltino a voltar para o PSD e a ser candidato laranja a Oeiras. Isaltino não aceitei.

Hoje ninguém fala disso?

Só por simples brincadeira se poderia pensar que ainda existe tempo para aprovar qualquer legislação sobre esta matéria antes das eleições. Mas em Portugal há de facto muita gente a brincar na política, em particular quando não se tem responsabilidades de governar.

Quanto aos arguidos são apenas isso mesmo e nenhum está ainda acusado de nada. Convém não fazer demagogia nem tratar como igual aquilo que é diferente.

Dou um exemplo: o actual presidente da Câmara de Faro (PS) foi constituído arguido, mais o vereador do urbanismo, mais o director do urbanismo, por causa dum procedimento administrativo relacionado com o embargo duma obra.

Acha que o PS o devia atirar borda fora e não o recandidatar por ser arguido?

Façamos mais política e menos populismo.

Carlos Pinto disse...

Só para concluir, a manipulação do cartaz do PSD que coloca no blogue está ao mesmo nível do pior de Santana Lopes.
Lembra-se das campanhas negras?

Minda disse...

Carlos:

Peço desculpa. E dou a mão à palmatória... reconheço que errei ao dizer que Carlos Carreiras era o que não é, sendo que é apenas o Presidente da distrital do PSD de Lisboa. E, como tal, vou rectificar o lapso. Obrigada pela sua chamada de atenção.

Ser ou não ser arguido, ser ou não ser autarca, podíamos (ou podemos) dizer que é a questão da ordem do dia.

Claro que há casos em casos. Assim como todos sabemos que este assunto se trata a três níveis: pessoal, político e jurídico.

Algures, entre os três patamares, está a ética... sobre a qual se constrói a imagem de cada político. Uns têm mais, outros têm menos.

A baralhar as coisas, temos a presunção de inocência, o estatuto de arguido, o nosso sistema judicial e a lentidão da própria justiça. Ou seja, um caldo permissivo às maiores injsutiças, mas também às situações mais bizarras...

Uma pessoa indiciada pela prática de um crime, não é, obviamente, até ser acusada em tribunal, considerada culpada. E suspeitas não são provas, também o sabemos, juridicamente falando.

E retirar a confiança política a alguém sem culpa formada, pode até ser uma deslealdade se se vier a provar a sua inocência.

Contudo, do ponto de vista pessoal, a coisa já é, para mim, diferente... mas cada um sabe com aquilo que pode aguentar. E só o próprio saberá avaliar até onde vai o limite da decência...

E, depois, embora eu não perfilhe a tese das cabalas, mas que as há há e, por isso, temos ainda a considerar no meio disto tudo, aqueles que, apenas para satisfazer escusos propósitos de outros, são acusados injustamente e acabam arguidos de um crime que não cometeram... teias demasiado emaranhadas para num simples comentário se conseguirem resolver.

E faço minhas as sua palavras: faça-se mais política e menos populismo.

Minda disse...

Carlos:

Comparar este cartaz com as tais "campanhas negras" que refere é, desculpe que lhe diga, abusivo...

Segundo me lembro, aquelas pretendiam atingir José Sócrates na sua vida íntima (por isso foram mais do que negras, foram porcas, mesmo!).

Todavia, a manipulação deste cartaz do PSD (que começou a circular logo que apareceu o original), que eu saiba, não pretende atingir Manuela Ferreira Leite... apenas brinca com uma situação política e pretende demonstrar (assim o interpreto eu) a dificuldade que o PSD terá em conseguir votos para ganhar as eleições.

Não confundamos as coisas.

Carlos Pinto disse...

Cara Ermelinda,

Na minha opinião a manipulação da imagem dum cidadão, seja ele qual for, ofende os seus direitos de personalidade (estão na Constituição...) onde se integra a imagem.

Pior quando se pretendia transmitir uma ideia de fraqueza e incapacidade de decisão que nunca colaram com a pessoa em causa.

Aliás esse cartaz é de antes das europeias e todos sabemos os resultados.

Comparo o baixo nível desse cartaz com outros promovidos pelo PSD/Santana Lopes, de má memória, em 2005, com manipulações da imagem de candidatos do PS, entre os quais José Sócrates.

Também todos nos lembramos dos resultados das eleições de 2005.

Os portugueses não são parvos, sabem distinguir na hora da escolha.

Carlos Pinto disse...

Cara Ermelinda,

Quanto ao seu comentário anterior assino por baixo, em particular no que se refere à necessidade de ÉTICA na política que devia, em primeiro lugar, ser a regra de ouro dos comportamentos individuais.

E digo isto com total desinteresse até porque não sou candidato a qualquer lugar em nenhuma das próximas eleições e até considero que muitos dos auto-propostos candidatos dos partidos maiores (PS e PSD) vão na mira de se promovem e aos seus interesses pessoais e não no interesse nobre de servir a sociedade.

É por isso que mesmo sendo militante do PSD permaneço muitas vezes em desalinho.

Talvez seja ainda o sangue da velha esquerda
revolucionária a correr nas veias.

Saudações sempre democráticas

Observador disse...

Dou-vos, Carlos e Ermelinda, os parabéns.

Estão, eu sei, em posições políticas divergentes mas ambos demonstram, neste diálogo, uma elevação digna de registo.

Assim toda a gente procedesse. Independentemente da "côr" e da opinião.

De repente, este blogue enriqueceu.
Espero, sinceramente, que ninguém se lembre de manchar o espaço.

Obrigado

Minda disse...

Carlos:

Sinceramente... em termos gerais, até acho que tem razão quanto à manipulação de imagens. Tenho que admitir.

Mas, por outro lado, considero que a ofensa, juridicamente falando, é deveras grave se ela ferir o bom nome do visado. E, insisto, não é o que está em causa no cartaz que utilizei...

Também terei que lhe dar razão quando afirma que a suposta mensagem deste tipo de cartazes nem sempre atinge os objectivos chegando a ter os efeitos contrários. Deu, de facto, os exemplos certos.

Mas continuo a achar que o cartaz (independentemente de ser da europeias, como nada o associa a esse acto eleitoral aplica-se a qualquer outro) apenas nos transmite uma ideia de cansaço face às dificuldades e um acto eleitoral que se avizinha cheio de dificuldades... tão só e apenas isso. E foi nessa óptica que o utilizei.

Saudações democráticas.

Minda disse...

Carlos:

Se a ética fosse, de facto, a base da actuação de todos os políticos, esta não teria a imagem tão suja que acaba por ter junto dos cidadãos.

Mesmo com opiniões divergentes, é possível respeitar cada um e discutir ideias sem nos ofendermos desnecessariamente.

Obrigada pelos seus contributos. E espero que continue a vir por cá mais vezes.

Minda disse...

Observador:

Obrigada, pela parte que me toca.

Mas quando as pessoas têm nível, a discussão só pode mesmo ser sã.

Além disso, é bom saber com quem estamos a falar (escrever). E nisso, admiro o Carlos, pois não se esconde atrás do anonimato para assumir as suas posições.

**

Carlos Pinto disse...

Já nem sei o que escrever depois do comentário do Observador, mas é a opinião dum amigo que peca sempre por exagerar nos meus eventuais méritos escondendo os meus muitos defeitos.

Para mim, é um prazer polemizar com respeito pelas opiniões divergentes e por isso não deixarei de frequentar este blogue. Porque gosto de sítios bem frequentados e por isso tenho o INFINITO'S na lateral esquerda do meu blogue.

Mas, insisto, se a manipulação da imagem de Manuela Ferreira Leite pretende dar dela uma ideia de cansaço e incapacidade de decidir errou totalmente o alvo.

Quem a conhece (e eu apenas contactei com ela 5 minutos...) sabe bem que aquela mulher de estatura franzina é duma força e persistência invejável. Como se viu ontem no Conselho Nacional do PSD e na sua coragem em romper com os sindicatos de votos e de interesses de algumas distritais.

Se há poucos políticos de quem se pode dizer que só estão na política para servir o país MFL é uma delas, concorde-se ou não com as suas decisões (e eu sendo seu declarado apoiante nem sempre concordo, mas é assim a democracia).

Observador disse...

Oh Carlos, se eu falasse dos seus defeitos, teríamos que encontrar um espaço extra. Em tamanho, entenda-se.

(gargalhada estridente)

PS( not politic): não cometo este tipo de exageros.
Digo o que sinto e quando sinto.

Minda disse...

Carlos:

O nosso amigo Observador tem o dom de, às vezes, nos deixar assim sem palavras...

Por isso, tomo a liberdade de fazer minhas as tuas palavras:
«Para mim, é um prazer polemizar com respeito pelas opiniões divergentes e por isso não deixarei de frequentar este blogue. Porque gosto de sítios bem frequentados e por isso tenho o POETA DO RISCO na lateral direita do meu blogue.»

E, coisa curiosa: eu, no "Infinito's", tenho o "Poeta do Rico" à direita... e o "Poeta do Risco" tem o "Infinito's" à esquerda. Engraçado, não é?

Saudações democráticas.

Minda disse...

Observador:

Gostei dessa do PS( not politic)... ahahaha

**

Carlos Pinto disse...

Pois é Minda, não há uma "direita" sem uma boa "esquerda" :-)

Votos de boa campanha em Cacilhas e por Cacilhas.

Anónimo disse...

Já acabaram o namoro, ou é para continuar?

Minda disse...

Carlos:

E não é que tens mesmo razão?

Obrigada pelos votos de boa campanha.

:-)

Minda disse...

Anónimo:

Está muito incomodado? Não se rale que não vale a pena!

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