domingo, 2 de agosto de 2009

Carros e comerciantes ou vice versa


O assunto é polémico e tem vindo a agitar as relações entre a Câmara Municipal e os comerciantes do eixo central da cidade de Almada nos últimos meses.
Depois da campanha "CMA - sigla para Comércio Mal Apoiado" em cartazes espalhados por quase todas as montras da Av.ª Afonso Henriques e D. Nuno Álvares Pereira (entre outras ruas transversais daquelas), chegou a vez de um novo slogan ser afixado, mas desta feita em muito menor número de lojas: "Srs Autarcas - Assim estamos todos a perder o comboio. DEVOLVAM A VIDA À CIDADE. Reabram o trânsito no eixo central" .
Mas a este propósito não posso deixar de manifestar o meu desacordo.
Primeiro: insinuar que a vida da cidade (ou ausência dela) se resume à maior ou menor frequência de carros pelas suas artérias é pretender esconder os problemas de fundo do comércio local que já se arrastam há uns bons anos e, na minha opinião, têm mais a ver com a abertura do Almada Fórum do que com a entrada em funcionamento do MST. E se a autarquia não agiu da melhor forma até ao presente, os comerciantes também não, pois nem uns nem outros parecem ter acautelado, com a devida antecedência, as medidas necessárias para diminuir o impacto da implementação dos projectos atrás referidos.
Segundo: esquecer o papel da actual crise (que não é da responsabilidade da autarquia) e os reflexos na capacidade económica das famílias, que se fariam sentir mesmo que o eixo central estivesse aberto ao trânsito, é ter uma visão muito limitada da situação.
Terceiro: se a questão é o estacionamento, não dá para perceber porque ninguém fala da recente iniciativa da CMA de abrir um "parque de estacionamento especial para clientes do comércio local", mesmo no centro da zona pedonal. (no meu passeio matinal de hoje vi apenas um restaurante com o comunicado da ECALMA ampliado e afixado na sua montra).
Por isso, por muito que eu não concorde com a actuação da CMA (não podemos esquecer as mais de duas décadas de total abandono do núcleo urbano consolidado que se foi degradando em favor da construção desenfreada na periferia, um dos motivos que tem levado à desertificação populacional do centro da cidade), não posso deixar de considerar bastante positiva a abertura deste parque de estacionamento, estrategicamente situado.
E reabrir ao trânsito o eixo canal? Não! Não acho que seja essa a solução!
A dinamização do comércio local passa por outro tipo de medidas, entre elas, por exemplo, a criação de um fundo de apoio à modernização e requalificação dos estabelecimentos, a criação de um portal on-line onde todos pudessem ter oportunidade de divulgar a sua loja e os seus produtos, o desenvolvimento de espectáculos de rua, horários diferenciados e alargados, um espaço público mais agradável, limpo e com sombras, etc. etc.

17 comentários:

Liberdade disse...

Neste aspecto não posso concordar com parte da sua opinião e o meu apoio vai para os comerciantes de Almada. Senão vejamos. Em dois aspectos concordo consigo:
1. A situação dos comerciantes não é de agora começou com a abertura do Almada Fórum;
2. A razão principal é a saída da população da cidade para as urbanizações da periferia.

Contudo importa tirar a conclusão de que nas duas situações a responsabilidade cabe à CMA/CDU e não aos comerciantes, como é óbvio.

Não concordo consigo quando atira as culpas para os comerciantes e para a crise internacional (esta só lembrava à MES...). Na verdade a crise atinge a todos mas porque razão não há acções semelhantes dos comerciantes de outras cidades?

Na verdade à crise da economia que a todos afecta a CMA/CDU juntos os erros de gestão da cidade que agravam as consequências para os comerciantes de Almada.

O meu ponto de vista é mais reformista que o seu que é mais revolucionário. Como se sabe as revoluções muitas vezes fazem vítimas inocentes. É o caso dos comerciantes de Almada.

Em todo o mundo as cidades são o principal motor da economia, onde mais mercadorias se trocam, mais serviços se vendem e mais emprego se cria. Por isso a Humanidade tende para viver em cidades e não o inverso.

Esta é uma verdade indiscutível e basta olhar para a história da Humanidade. Portanto as alterações da forma de funcionar duma cidade tem sempre de ponderar as suas consequências económicas concretas, sem visões voluntaristas e construções ideológicas do "homem novo".

Não é possível numa sociedade que foi incentivada para a utilização do automóvel querer que, dum dia para o outro, altere os seus hábitos, só porque a Presidente da Câmara quer!

A política de urbanismo da CMA tem sido de fomento da construção na periferia para onde se está a deslocar a classe média jovem da cidade de Almada, que precisa do carro para ir trabalhar, para levar os filhos à escola, ao infantário, ao médico, para se divertir e também para fazer compras.

Portanto a CMA empurra os habitantes com maior poder de compra para fora da cidade, obrigando-os a depender do carro e retirando-os como clientes fiéis do comércio local.

Mas ainda poderia admitir que fosse fácil vir de carro à cidade fazer compras. Mas não é, todos sabemos as dificuldades.

Se um habitante da Charneca quiser comprar um par de sapatos (que os há de boa qualidade na cidade...) o mais certo é ir ao Fórum onde pode estacionar sem ser perseguido pela ECALMA, como seria na cidade.

Já me alonguei e talvez volte ao assunto. O parque que abriu agora é útil, mas é uma gota de água e não resolve a questão central que é da mobilidade para todos sem preconceitos ideológicos contra os cidadãos que usam automóvel.

É possível conciliar TODOS os meus de transporte no eixo central da cidade, basta ter vontade que as soluções técnicas existem.

Aproveito para recordar que o projecto da "Cidade da Água" considera o eixo central de Almada como PRINCIPAL ACESSO VIÁRIO à área do Plano de Urbanização, seguindo a história da cidade de Almada. O que é errado é a introdução forçada, por razões ideológicas, duma "zona pedonal" naquele eixo.

Anónimo disse...

O aparecimento deste parque de estacionamento agora, soa mesmo a eleitoralismo barato... Porque não foi pensada esta solução mais cedo? Antes mesmo de terem cortado o trânsito no eixo central?
Além disso, quem nos garante que os lugares não vão passar a ficar ocupados pelos carros dos senhores comerciantes, como aliás já o fazem à descarada, com a conivência dos fiscais da ECALMA nos poucos lugares disponíveis na Av.ª Afonso Henriques?

Humberto Silva disse...

Acordo entre comunas e os PSDs. O dono da garagem da CITROEM ERA ANTICOMUNA E DO PSD. Vejam com quem a comunada de almada faz negócios. Arbutres Emilia, Maia, carreiar, Mendes etc,). Vamos votar no Paulo Pedroso para correr com estes mafiosos

Susana Castro disse...

Susana Castro disse...

As reclassificações só abrangeram alguns trabalhadores? tenho uma amiga licenciada, que não foi reclassificada nessa Câmara. No entanto, a irmã dela foi reclassificada como técnica superior na Câmara da Moita. Uma pergunta, a CDU de Almada pertence a um partido diferente da CDU da Moita?

Observador disse...

Esta solução que não o chega a ser é, realmente, oportunista, como refere o "Liberdade".
Porque aparece na altura em que aparece e porque cheira a remendo estudado às escondidas entre a CMA e o proprietário daquela área é do PSD e, por isso, deixa configurar (mais) uma estratégia conjunta não desejada politicamente.

Iniciou-se o "bodo aos pobres" dia 1 e prolonga-se (ena tanto!!!) até dia 15.
A partir daí, pague quem quiser servir-se do mesmo.
Não discordo do pagamento num parque de estacionamento. Desde que tenha condições para tal. O que não é o caso.

O maior mal foi e é o Plano de Acessibilidades 21 que constitui uma das maiores desgraças no panorama de circulação em Almada (cidade).

Será verdade que foi dada indicação aos trabalhadores da ECALMA para fecharem os olhos e assobiarem para o lado, até Outubro?

Liberdade disse...

APAGÃO EM ALMADA, PROSSEGUE CONTESTAÇÃO DE COMERCIANTES

Os comerciantes de Almada prosseguem a contestação à desertificação do centro da cidade com um apagão geral das lojas e montras após o período de funcionamento, numa acção que decorre a partir de terça-feira, dia 4 de Agosto até sexta-feira, dia 7.

A acção surge na sequência da reunião realizada no dia 31 de Julho entre os representantes do sector e a Câmara Municipal de Almada, encontro que foi inconclusivo e que foi pautado, segundo os comerciantes, pela ausência da presidente da autarquia, Maria Emília de Sousa.
Perante a ausência de diálogo e de quaisquer propostas, os comerciantes de Almada decidiram prosseguir a contestação. Depois dos cartazes nas montras e de se mascarem de palhaços, o apagão surge como uma nova fase da luta.

Recorde-se que as movimentações dos lojistas contam com o apoio da delegação local da Associação Comecial do Distrito de Setúbal.

Menos 45 mil pessoas; mais de 30 lojas encerradas.

De acordo com a ACA – Associação do Comércio de Almada, desde o início das obras do Metro, a cidade de Almada perdeu cerca de 45 mil pessoas que diariamente passavam pelo eixo central e o número de lojas que já fechou desde então ultrapassa as três dezenas.

Para a ACA a solução passa sempre pela abertura do eixo central da cidade à mobilidade geral e pela retoma do Plano de Comunicação previsto no final da obra do Metro e apenas posto em prática o Natal passado, estando disponíveis para o diálogo e entendimento com a autarquia, facto que não tem acontecido.

NO DIA 11 DE OUTUBRO É PRECISO APAGAR A DITADURA QUE GOVERNA A CIDADE, VOTANDO NA OPOSIÇÃO.

Vamos votar BE para acabar com a maioria absoluta!

Vamos votar PS para derrotar a ditadura da CDU!

Satanaz disse...

Caro Liberdade
Concordo consigo na necessidade de vir para o centro da cidade de carro.
É bom ir ao Central de carro para beber uma bica, e depois levar o carro até à Rua Bernardo Francisco da Costa para ver as sapatarias e acabar na Rua Capitão Leitão para almoçar num dos seus restaurantes.
O problema é que já há 10 anos isto era difícil e agora praticamente impossível, a não ser que se deixe o carro junto a uma estação do MST em que haja estacionamento e se vá de Metro e a pé.
Mas o pessoal jovem já não frequenta o Central, porque foi viver para a Charneca ou para a Sobreda onde se construiu habitação e o centro da cidade (Almada, Cacilhas e Cova da Piedade) envelheceu. Quer as pessoas quer a habitação.
Na cidade a renovação urbana foi congelada por parte da Câmara CDU através de uma deliberação camarária tomada há mais de uma década. O que tem sido um importante contributo para a degradação do património urbano construído.
Quem vive na cidade ainda pode ir a estes locais a pé.
Os estacionamentos e os passeios já há bastante tempo que estavam ocupados. A cidade não tinha espaço. Os que vinham de fora, os pendulares, os que vêm de manhã e voltam ao fim da tarde, preenchiam a maior parte do disponível.
Havia necessidade de fazer alguma coisa, o MST foi parte da solução, mas tinha de ser complementado com um Plano de Mobilidade, que tem falhado.
Quanto ao comércio local, ele está dentro de um organismo vivo que é a cidade e portanto, com mais ou menos ajuda, tem que, tal como nós as pessoas, que somos quem mais interessa no meio disto tudo, que se ir adaptando.
Satanaz

Liberdade disse...

Caro Satanaz,

Concordo plenamente consigo. A deliberação da CMA que congelou a renovação urbana faz parte da listas das grandes asneiras da CDU, mas que tinha o objectivo claro de promover a especulação fundiária, como muito bem refere, para as urbanizações nos arredores.

A adaptação do comércio a uma outra forma de viver a cidade tem de fazer-se de forma gradual e sem rupturas, por isso defendo reformas da gestão urbana e não uma revolução drástica que a todos prejudica.

Mas a questão essencial é a manter a cidade habitada, por isso é preciso incentivar a renovação urbana, a compra da casa dentro da cidade, reforçar a rede de equipamentos e promover a mobilidade para todos.

Mas é preciso também manter os empregos dentro da cidade e neste aspecto o comércio tem ser visto como um aliado e não como um inimigo.

Anónimo disse...

Estou um pouco alarmado com as declarações da Minda, faz-me lembrar alguns colegas de trabalho nesta câmara, quando lhe fazem promessas de melhores posições de trabalho dentro da câmara, mas têm que começar a apoiar as ideias da CDU.
será que lhe prometeram alguma coisa MINDA ?

Minda disse...

Liberdade:

Das minhas palavras não pode concluir aquilo que afirma porque não é verdade: não atiro as culpas para os comerciantes. Apenas não posso isentá-los de responsabilidades na actual crise.

Não se trata de fazer dos comerciantes os maus da fita, mas de reconhecer que, se a autarquia é a principal culpada pela ausência de uma verdadeira estratégia de salvaguarda do comércio local, o certo é que a associação de comerciantes bem podia ter sido mais previdente.

Quanto à crise, por favor... só falta dizer que ela não existe ou que é a CMA a única e exclusiva culpada dos seus reflexos no nosso concelho. Não é decerto isso que pretendeu dizer, tal como a dedução a que chegou sobre a imputação do ónus da culpa que, supostamente, eu fiz está errada.

Afinal, se calhar até pensamos da mesma forma...

E muito obrigada pelo seu comentário. Extenso, é verdade, mas sério e com uma reflexão efectiva sobre o problema abordado. Eram comentários assim que eu bem gostaria fossem aqui apresentados mais vezes.

Minda disse...

Anónimo 3-8, 8:49

Eleitoralismo? Se calhar será mesmo... mas não posso deixar de considerar aquela uma medida de positiva. Antes isso do que voltar a abrir o eixo canal ao trânsito.

Quanto à gestão do parque, vamos lá ver no que é que vai dar... há que estar atento.

Minda disse...

Humberto Silva:

Exemplos de alianças entre a CDU e o PSD são mais que muitas... e se não me engano, com a perda da maioria absoluta, até os vamos ver a partilhar o executivo municipal.

Minda disse...

Susana Castro:

Já percebemos que as reclassificações são um assunto que a preocupa. Mas repetir o comentário não adianta grande coisa ainda mais quando o assunto em debate nada tem a ver com isso.
A minha resposta é, por isso, idêntica á que lhe dei anteriormente e não vale a pena repetir.

Minda disse...

Observador:

Disseste e bem, que o mal mal foi e é o pseudo Plano de Acessibilidade da CMA que além de incompleto, não cobre todo o concelho...

Minda disse...

Liberdade:

Inteiramente de acordo consigo quando afirma:
NO DIA 11 DE OUTUBRO É PRECISO APAGAR A DITADURA QUE GOVERNA A CIDADE, VOTANDO NA OPOSIÇÃO.
Faço minhas as suas palavras.

Minda disse...

Satanaz:

Embora o seu comentários eja dirigido ao Liberdade, não posso deixar de lhe responder.

É que a sua breve análise da situação é bastante perspicaz. Toca nos aspectos essenciais do problema e aborda uma questão essencial: a necessidade de adaptação às novas exigências da vivência na cidade.

Minda disse...

Anónimo de 3-8, 21:13

O senhor deve medir todos pela sua bitola, não? Mas está muito enganado!

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