sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Palavras novas


 

Se o sonho comanda a vida, eu sou uma inveterada SONHADORÍCIA (alguém que sonha de olhos abertos e embora deixe a imaginação vagar e pareça alheada da realidade tem sempre os pés bem assentes na terra).

Por outro lado, acredito que é CAMINHALENGANDO (diz-se do percurso cauteloso que alguém vai fazendo em direção à meta que deseja alcançar ultrapassando os obstáculos que lhe vão aparecendo pelo caminho com prudência e segurança) que se atinge a meta pretendida e, por isso, o meu lema é “devagar se vai ao longe”.

E porque as vitórias que mais prazer me dão são as que conquisto com esforço, considero que a RESISTILIÊNCIA (capacidade daqueles que sentem satisfação na superação das dificuldades do quotidiano, juntam a resistência com a resiliência e dificilmente se deixam abater pelas adversidades da vida) é uma das minhas maiores virtudes (os defeitos deixo para mais tarde enumerar).

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Hábitos!


 

Sou uma pessoa de hábitos. Há rotinas diárias de que não prescindo. Elas dão-me segurança, fazem-me sentir domínio sobre o quotidiano.

E são coisas tão simples como acordar todos os dias às 6h30 min, o que faço desde criança… (a minha avó paterna, camponesa ribatejana, costumava dizer: “gaiata, tu acordas antes das galinhas”).

Ou, ler enquanto bebo um café (sempre sem açúcar), depois do pequeno-almoço… E este tanto pode ser na pastelaria perto da paragem do autocarro, na proximidade do meu local de trabalho ou, agora, em casa onde tenho o privilégio de me poder sentar na varanda e observar o nascer do sol sobre o estuário do Tejo.

Embora me adapte facilmente à mudança, quebrar rotinas que me satisfazem assusta-me. Por isso, prefiro complementá-las. E para aproveitar o cenário extraordinário que tenho da minha janela gostava de “aprender a fotografar como uma profissional”.

Por outro lado, para potenciar as manhãs domingueiras em que me dedico à arte culinária e faço da família as minhas cobaias das experiências que ouso confecionar, gostava de “aprender a cozinhar pratos novos”.

Mas porque tenho gostos literários muito seletivos, talvez o maior desafio fosse mesmo aceitar “ler um livro de um autor recomendado por um desconhecido”.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Multiplicada


Procuro encontrar-me e dou por mim multiplicada... Não sei se me descubra ou esconda atrás da máscara que a pandemia me obriga a usar. Na rua, muitas são as vezes que me cruzo com gente que não reconheço e a saudação antes tantas vezes ouvida é agora silenciada. Sinto-me uma estranha na minha terra!

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Escrever


 

"Escrevo para criar um espaço habitável da minha necessidade, do que me oprime, do que é difícil e excessivo. Escrevo porque o encantamento e a maravilha são verdade e a dedução é mais forte... porque o erro, a degradação e a injustiça não devem ter razão... para tornar possível a realidade, os lugares, os tempos, as pessoas... para evocar e fixar o percurso que realizei, as terras, gentes e tudo o que vivi e só na escrita eu posso reconhecer. Escrevo para tornar possível o mistério das coisas. Escrevo para ser. Escrevo sem razão." (Virgílio Ferreira, in Pensar).

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Sobre os "relacionamentos urbanos"


Já passaram 20 anos desde a data em que escrevi este pequeno texto, que encontrei hoje perdido entre as páginas de um livro:

Nos relacionamentos ditos de "tipo urbano" o que me choca não é a "liberalização dos afetos", nem tão pouco a superficialidade das relações, embora não consiga entender esse tipo de ligações.
O que me indigna de facto, é que, num grupo restrito de pessoas, haver várias delas que já se envolveram sexualmente e a cada novo contacto íntimo o parceiro do momento saber sempre quem o antecedeu e até opinar sobre o assunto... são comportamentos que me constrangem pela exposição, que considero imprópria, dos sentimentos, aqui apresentados como se de coisa menor se tratasse.

domingo, 11 de outubro de 2020

Mulheres de negro


 

Só mesmo a chuva intensa conseguiu afastar o manto exalviçado que tudo cobria.

Ainda assim, a neblina teimava em não se afastar e os terrenos que ladeavam o caminho de pedras basálticas surgiam por entre a bruma como mochões no meio de um rio de águas pantanosas.

Em passos rápidos e sincopados sobre o piso molhado, um grupo de mulheres vestidas de negro, escondendo a tristeza dos seus rostos cansados com os chapéus de chuva que levavam na mão direita, dirige-se à igreja segurando as longas vestes para que se não molhassem.


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Inspirado numa novela de Ferreira de Castro (1954).

sábado, 10 de outubro de 2020

Ida para o trabalho


 

Madrugadora, às 5h30 min Maria já está a levantar-se da cama.

Em gestos calmos, faz a higiene pessoal e veste a roupa escolhida na véspera.

Pega no livro (nunca sai sem um) e na mala, mas antes de sair cumpre o seu ritual diário… dirige-se à janela da varanda e olha o panorama: o sol rompendo por entre as nuvens ensonadas, os reflexos que incendeiam o céu e cobrem o leito do rio Tejo de uma policromia tremeluzente.

É nesta paisagem que busca ânimo para enfrentar as agruras do quotidiano e o sorriso tímido que lhe aflora ao rosto, acompanhado pelo leve franzir dos olhos, demonstra-o.

No autocarro em direção a Lisboa, lê compenetrada. Faz uma única conceção: sobre o tabuleiro da ponte admira o despertar da capital e deleita-se com a sumptuosidade da paisagem estuarina.

Já perto do escritório, senta-se na esplanada de sempre (é uma mulher de hábitos) a beber, descansada, o café da manhã (sem açúcar) e a ler até às 7h45 min.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

A minha sala


Ao abrir a porta foi recebida por um odor ambarino e abraçada pelos acordes de Miles Davis.

Deu dois passos no pequeno hall e entrou na sala decorada com móveis de carvalho, estilo nórdico.

Atirou com a mala para o maple à sua direita e sentou-se no maior, em frente à televisão, de écran plano, que tinha na parede por companhia um relógio de cedro com pêndulo dourado e uma coluna com centenas de discos.

Sobre a cabeceira de cada sofá, duas telas a óleo em tons pastel combinando com a cor verde escuro dos estofos em pele dos sofás e o candeeiro em ferro fundido cujas lâmpadas imitam seis velas acesas.

No centro, uma mesa com o jogo de xadrez em cerejeira. Na direção oposta, a mesa de jantar com quatro cadeiras ergonómicas ladeada por uma cristaleira e uma estante coberta de livros.

Ao fundo, a secretária virada para uma ampla janela de onde se avista o estuário do Tejo num horizonte de 180º graus. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Viagem de avião

Imagem retirada DAQUI.
 


Não era a primeira vez que Maria fazia uma viagem de avião. Contudo, nem o hábito regular dos trajetos entre Lisboa e o Funchal, sempre por motivos profissionais nos últimos dez anos, a fazia gostar deste meio de transporte.

Mas que alternativa tinha? Viajar de barco é que nem pensar! Um cruzeiro pelo oceano adentro ao sabor das ondas ainda a horrorizava mais. E uma viagem aérea sempre tinha a vantagem de ser muito mais rápida transformando o tormento do percurso no instante de uma boa soneca, sempre com a ajuda da amiga valeriana.

Chovia. A água desenhava um bailado acelerado e irrequieto no vidro da janela e tornava a visão do exterior turva. Ainda assim, e apesar do olhar ensonado, Maria não deixou de apreciar a beleza do estuário do Tejo ao entardecer, com a luz do sol a dourar o casario da capital que das colinas até à margem parecia abraçar o rio num namoro envergonhado.

E de pouco mais além da filigrana de estradas e viadutos, da ponte Vasco da Gama a bordejar a linha do horizonte e da foz do rio Trancão, se conseguia lembrar pois, entretanto, fechou os olhos e foi já em sonhos que prosseguiu pelas ruelas do seu bairro (Alfama) sentindo o cheiro a sardinha assada na porta da tasca do velho Luís, ouvindo o cantar canoro da neta da D. Lurdinhas ou apreciando o sorriso maroto do proprietário do Retiro do Fado.


quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Uma pequena história de vida


 

Era já noite cerrada quando Salvador abandonou as instalações da empresa. Cansado, depois de mais de doze horas consecutivas de trabalho, ansiava por chegar a casa e abraçar os filhos que, a esta hora tardia, já deviam estar impacientes com a sua demora.

Tremiam-lhe as mãos, fraquejavam-lhe as pernas. A dor de cabeça, leve embora insidiosa, que o incomodava desde manhã cedo, ameaçava agora transformar-se numa enxaqueca bastante incomodativa.

Enquanto se dirigia ao carro, estacionado no outro lado da rua, arrastando os pés em passos lentos, tropeçou num buraco no passeio, quase foi atropelado por um motociclista em alta velocidade, e só então reparou que deixara a carteira sobre a secretária. Completamente desalentado, encostou-se ao carro e deixou-se deslizar até ao chão, as lágrimas escorrendo-lhe pela face.

Entretanto começou a chover. As gotas de água sobre o rosto deram-lhe alento e num esforço supremo levantou-se, a vista turva, o olhar distante. Encaminhou-se de novo para o escritório e ao pegar na carteira deixou cair uma fotografia.

Ali estava ela, de sorriso aberto, olhos brilhantes, cabeleira loira rebelde emoldurando um rosto oval sardento e de traços delicados. Maria Luísa, a sua companheira de uma vida e mãe dos gémeos Lourenço e Gonçalo que nos seus inocentes quatro anos ainda esperavam por ela todos os dias entre birras e choros, numa espera desesperante que tanta dor lhe causava observar.

Porquê? Porquê, meu Deus! Porque a levaste tão cedo?

De súbito ouviram-se gargalhadas ecoando pela sala vazia. Um riso duplo entrecortado por gritos de criança que o fizeram despertar para a realidade. Era o toque do telemóvel: sim mãe, estou a ir para casa! Sim mãe, eu sei que já é tarde! Diz-lhes que o pai já não demora.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Palimpsesto

Palimpsesto. Acrílico sobre tela, de Carlos Pinto

Na beira do precipício, coloquei o relógio no bolso, segurei-me ao corrimão do miradouro e deixei o olhar vaguear sobre as ondas do mar até ao infinito, numa viagem sem tempo…

Foi apenas um instante? Horas, talvez! Pouco importa… foi a pausa suficiente para recuperar do palimpsesto da memória recordações que julgava perdidas e regressar a casa feliz por me ter encontrado.

 

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Está desempregado e tem até 30 anos? Faça um estágio PEPAL!



ESTÁGIOS PROFISSIONAIS: encontra-se a decorrer a 2.ª fase da 6.ª edição do programa de estágios profissionais na administração local (PEPAL).

 

Trata-se de uma política pública de emprego, comparticipada por fundos comunitários, destinada a jovens desempregados com idade até aos 30 anos e qualificações correspondentes aos níveis: 4 (ensino secundário acrescido de curso tecnológico), 5 (curso pós-secundário não superior) e 6 (licenciatura).

Os estágios têm a duração de 12 meses e dão direito ao recebimento mensal de uma bolsa de 566€ (nível 4), 610€ (nível 5) ou 719€ (nível 6), valor ao qual acresce 4,77€ por dia de subsídio de alimentação. 

Os avisos concursais, os formulários de candidatura, a legislação aplicável e as informações técnicas contendo as regras e orientações específicas estão disponíveis no Portal Autárquico (www.portalautarquico.dgal.gov.pt).

Quaisquer esclarecimentos adicionais devem ser solicitados através do email oficial (helpdesk.pepal@dgal.gov.pt).

 

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Conselho Diretivo da ADSE anda a ludibriar os beneficiários? Com que intenção?



Como reação à notícia do Diário do Distrito Online de 23-02-2020, intitulada «Medicamento para a esclerose múltipla passa de 103€ para 515€» e por mim aqui divulgada, fui acusada de mentir e de estar a propagar “fake news” com a intenção de denegrir a ADSE.

Dos juízos de valor precipitados, passando pela leviandade de certas opiniões tidas como verdades absolutas, até à ofensa pessoal, houve de tudo um pouco. Contudo, em quase todas essas manifestações a intolerância e a precipitação, aliadas à soberba e à falta de educação, mais não eram do que sinónimo de ignorância.


E se tudo começou com a participação que apresentei no Portal da Queixa no dia 22 de fevereiro, foi no grupo de beneficiários da ADSE que se desenvolveu através das muitas dezenas de comentários.



Reagi a esta resposta de imediato, não só porque a informação era vaga e não fundamentada, mas porque o seu autor era “anónimo” e a legislação citada não correspondia à conclusão apresentada.


Como, entretanto, houve desenvolvimentos que importa relatar, a bem da verdade e da transparência deixo aqui o teor da exposição remetida, nesta data, aos membros do Conselho Diretivo e ao presidente do Conselho Geral e de Supervisão da ADSE:

«Insatisfeita com a informação obtida [a que corresponde a imagem acima], não só porque se tratava de uma resposta anónima (na medida em que o autor do texto não se encontra identificado, uma situação que nunca deveria ocorrer), mas, principalmente, porque fazia referência a uma norma legal cuja redação não corresponde à conclusão apresentada, como se comprova consultando a legislação disponível na página web da própria ADSE (um "erro" inconcebível), dirigi-me à Loja 1 na Praça de Alvalade no dia 27-02-2020, onde fui atendida pela funcionária Maria Almeida (mesa 3, pelas 15:30) a qual prestou os seguintes esclarecimentos:

  • Desde 2013 a ADSE deixou de financiar os medicamentos fornecidos nas farmácias de rua;
  • Os doentes com esclerose múltipla têm um regime de exceção que prevê a distribuição gratuita através do SNS da respetiva medicação;
  • A fampridina está incluída na listagem dos medicamentos citostáticos;
  • Segundo a tabela do regime livre da ADSE em vigor, este tipo de medicamentos têm o código 6624;
  • O reembolso destes medicamentos pela ADSE é de 100% (tabela XIX, página 127 do regime).




Face ao acima exposto, e tendo presente o conteúdo das mensagens juntas à presente, solicita-se a V.ªs Ex.ªs se dignem esclarecer, com a maior brevidade, as seguintes dúvidas:

  1. Qual foi o facto ocorrido entre 31 de dezembro de 2019 e 20 de fevereiro de 2020 que levou à alteração do procedimento no que concerne à cobrança, pelo Hospital da Luz, do Fampyra de 103,15€ para 515,76€ por cada caixa de 56 comprimidos?
  2. Qual é, afinal, o preço de referência de uma caixa de fampridina com 56 comprimidos?
  3. Um beneficiário da ADSE que, ao abrigo do regime livre a que tem direito, é acompanhado no setor privado pela mesma neurologista desde que foi diagnosticado em 2004 (embora só em 2014 tivesse começado a ser medicado pois o seu tipo de EM, primária progressiva, não tinha medicação específica até ter surgido o Fampyra) é obrigado a passar para o SNS para poder usufruir de medicação gratuita?
  4. A dispensa gratuita nos hospitais públicos só pode ocorrer se o medicamento for prescrito por um neurologista do SNS no âmbito de uma consulta de especialidade ocorrida no estabelecimento em causa?
  5. Ou um doente da ADSE assistido por um neurologista do setor privado ao abrigo do regime livre (um direito que lhe assiste) pode levantar gratuitamente a medicação numa farmácia hospitalar pública (desde que a prescrição seja efetuada no modelo de receita do SNS)?
  6. Que razões explicam que a ADSE nunca tenha efetuado quaisquer esclarecimentos aos beneficiários diagnosticados com EM sobre a aplicação do disposto na Portaria 330/2016, de 20 de dezembro?


Antecipadamente grata pela atenção dispensada, com os melhores cumprimentos.»

domingo, 23 de fevereiro de 2020

ADSE discrimina doentes com esclerose múltipla tratados nos hospitais privados.



«O Fampyra, medicamento destinado a doentes com esclerose múltipla (apenas fornecido nas farmácias hospitalares e desde que prescritos por um neurologista do serviço) era, até dezembro de 2019, comparticipado pela ADSE.
No entanto, os doentes que este mês procuraram levantar este medicamento ficaram perplexos quando foram informados que dos 103,15€ por medicação mensal, a despesa passou a ser de 515,76€ mensais.
A informação foi veiculada pela familiar de um doente que está a ser seguido no Hospital da Luz, onde adquire a medicação, através de um post no seu perfil do Facebook.
“Sem pré-aviso e sem a apresentação de uma única explicação da ADSE aos beneficiários que sofrem de Esclerose Múltipla, isto apesar da notícia que, em janeiro de 2019, garantia que não havia perda de benefícios quando uma hipótese semelhante surgiu.
Quem tiver como suportar este encargo continua o tratamento. Quem não tiver, paciência. Pode ser que morra mais cedo e alivia as despesas da ADSE pois os doentes com EM não precisam só daquele medicamento…”
Ao Diário do Distrito, Ermelinda Toscano explicou que “no dia 30-12-2019 levantei duas caixas do medicamento e paguei 103€ por cada uma. No dia 20-02-2020, apresentaram-me a fatura dos 515€ por cada uma.
A explicação da farmacêutica, que veio pessoalmente falar comigo à sala de espera da farmácia do hospital, muito constrangida, foi a de que a ADSE deixara de suportar os custos do medicamento.”
Ermelinda Toscano garante que não ficará em silêncio. “Já apresentei denúncia no Portal da Queixa. E na quinta-feira vou pessoalmente à ADSE. Não consigo deixar de pensar quando fui confrontada com a situação, pensando que ia pagar 103€ e me aparece a fatura dos 515€.
E se eu não tivesse dinheiro para pagar? Quantos doentes com EM não terão sequer esse valor de rendimento, quanto mais aplicá-lo num único medicamento…”
Este não foi o primeiro «rombo» causado a doentes com EM, conforme explica também. «Já em 2018 a ADSE deixara de comparticipar um tratamento periódico (que é de seis em seis meses, uma toxina botulínica, para diminuir a espasticidade dos músculos) que custa 462€ cada sessão… E sem direito a reembolso. A conta apenas entra nas despesas de saúde para efeitos de IRS.
Afinal para que servem os 3,5% que pagamos 14 meses por ano (apesar de só podermos ‘usufruir’ dos ‘benefícios’ durante 12)?”
O Fampridina é um medicamento que melhora a marcha de doentes com esclerose múltipla, aprovado pela Autoridade Nacional do Medicamentos (Infarmed), em 2014.
A Esclerose Múltipla atinge cerca de 60 em cada 100.000 habitantes em Portugal, ascendendo a mais 2.500.000 pessoas que sofrem desta doença em território nacional.
Trata-se de uma doença neurológica crónica, muito incapacitante, e mais comum no adulto jovem, que surge habitualmente na terceira década de vida, com o dobro da frequência no sexo feminino.
A doença afecta o sistema nervoso central. As fibras nervosas das células do sistema nervoso estão revestidas por uma bainha chamada mielina que é essencial para que os estímulos sejam correctamente propagados.
Na esclerose múltipla a mielina é destruída, impedindo uma adequada comunicação entre o cérebro e o corpo. Por outro lado, o processo inflamatório que ocorre nesta doença lesiona as próprias células nervosas, causando perda permanente de diversas funções, dependendo dos territórios afectados.
Na sequência desta publicação, o Diário do Distrito contactou a ADSE a questionar se é confirmada a retirada da comparticipação no medicamento; o que levou a essa decisão e tratando-se este um valor elevado, como é que os doentes com menos posses financeiras podem continuar a recorrer ao medicamento, aguardando agora uma resposta dos serviços.»


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

À Joacine: uma crítica sem cor, sem género e sem problemas de dicção.


Cara Joacine Katar Moreira,
Dirijo-lhe estas palavras ciente de que, possivelmente, não terá interesse em lê-las. Hesitei bastante antes de as redigir, ponderando se valeria a pena perder tempo com tal missiva. Mas resolvi que, em breves linhas, tinha de lhe dizer umas quantas “coisinhas”.
Nas últimas legislativas votei no LIVRE porque concordava, na generalidade, com as ideias do seu programa eleitoral. Como resido em Almada, o meu apoio foi para a médica Ana Raposo Marques, cabeça de lista por Setúbal. E tal como eu, 60% (34.2002) do total dos que votaram LIVRE (56.940) fizeram-no noutros candidatos que não a Joacine.
Mesmo sabendo que no Parlamento representa (ou deveria representar) o país no seu todo e não apenas o círculo eleitoral de Lisboa pelo qual foi eleita, não a considero “dona” do meu voto: não foi a si que o entreguei, mas ao LIVRE confiando que, se fosse eleita, a cabeça de lista do distrito de Setúbal, pugnaria pela defesa do programa sufragado pois quem vai a eleições, como sabe, é o coletivo partidário e não o candidato a título individual.
Por isso, mesmo os 22.738 eleitores do LIVRE no distrito de Lisboa (40% do total nacional), e cujo voto permitiu a sua eleição à Assembleia da República, votaram num programa partidário e não na agenda política pessoal da Joacine, a qual antes das eleições de outubro de 2019 nem sequer era conhecida da população.
A maioria das críticas de que é alvo depois da tomada de posse como deputada, nada têm a ver com cor de pele, género ou problemas de dicção e resultam, sim, da arrogância como se passou a comportar (muito mais do que a impreparação política que referiu no último fim de semana). Falta-lhe, isso sim, um pouco de humildade.
E, já agora, falta-lhe também um pouco de ética, porque se é verdade que, legalmente, tem direito a manter-se como deputada, sabendo que, ao contrário do que afirma foi eleita por um partido e não sozinha (se não fosse integrada nas listas do LIVRE não estaria a ocupar o lugar atual), em termos políticos deveria abdicar da representação parlamentar e permitir que o LIVRE exercesse o mandato cujo programa foi sufragado.


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