segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Eleições autárquicas no concelho de Almada: 1979 a 2005



Vem este quadro a propósito de um comentário que fizeram num artigo anterior indicando as votações na CDU nas eleições legislativas, e onde se demonstrava o notório decréscimo de votos que tem havido nesta coligação desde, salvo erro, 1985.
Disse, em resposta, que seria importante analisar, isso sim, o que se passava nas eleições autárquicas no nosso concelho, pois eram essas que aqui mais nos interessavam. E, como tal, acabei de fazer o quadro comparativo que ilustra este texto.
Confesso que tive, ainda, pouco tempo para estudar todas as implicações dos números que aqui vos apresento. Mas, brevemente, conto fazê-lo e em particular para a freguesia de Cacilhas onde sou cabeça de lista à Assembleia de Freguesia, que é como quem diz, candidata a Presidente da Junta.
Mas numa análise muito superficial, julgo que há a reter quatro evidências:
- A tendência média de votação na CDU é decrescente em termos gerais (de 1979 a 2005);
- A votação na CDU para a Assembleia Municipal e Freguesias (2001 e 2005) é inferior ao votos para a Câmara Municipal;
- Entre 2001 e 2005 o BE mais do que duplicou a respectiva votação em todos os órgãos autárquicos;
- Se as eleições tivessem as mesmas regras (e felizmente não têm) dos referendos em termos de vinculação dos respectivos resultados, a maioria absoluta da CDU em 2001 e em 2005 não tinha qualquer legitimidade política em virtude de a taxa de abstenção ter sido superior a 50% (53 e 52, respectivamente).
Em breve voltarei ao tema. Entretanto, digam de vossa justiça...

22 comentários:

Carlos Pinto disse...

Pois é Minda,
com a proximidade das eleições andamos todos a fazer contabilidade eleitoral. Eu também tenho feito uma série de análises em Almada e Sintra.

Não tenho dúvidas de que o BE vai eleger um vereador em Almada e outro em Sintra, fazendo cair as duas maiorias absolutas. Da CDU em Almada e do meu PSD em Sintra, do mesmo modo que vão eleger em muitos outros concelhos.

É óbvio para toda a gente que o BE se está a tornar uma força também no poder local e um dia vai disputar o poder da CDU como já faz para o parlamento.

Só espero que a candidata do BE em Almada seja melhor que o André Beja, aqui em Sintra.

De qualquer modo aqui em Sintra, o Fernando Seara mesmo com maioria absoluta deu pelouros à CDU e ao PS, mostrando uma grande abertura democrática, que outros não conseguem fazer, fossilizados em ideologias do passado...

Pelo que a eleição do André Beja não terá uma grande perturbação à gestão municipal.

Em Almada, estou com uma grande curiosidade em ver o resultado da votação no BE no PS. Daqui por um mês saberemos se alguma coisa muda em Almada e em que dimensão.

Todos os cenários são possíveis.

Corja disse...

esta corja de bandidos que se têm governado á conta do erário público, com 28.000 votos, num concelho com 148.000 afirmam-se como legitimos donos do concelho. vamos votar PS para correr com esta corja de bandidos.

Vota PCP quem ganha é a emilia$$$$$ disse...

Viram a emilia na tvi com o cravo muito escondido, para não pensarem que é comuna- mas não engans ninguém quem te conhece de alhos vedros sabe que nunca foi comuna. Foi uma grande oportunista

Ze disse...

Cara Minda,
Os comentadores deste assunto deixam-me triste.
O comentador do PSD é inteligente e faz um comentário decente.
Os supostos comentadores de esquerda só dizem parvoíces, coitados.
Eu estou do lado inverso do Carlos Pinto. No entanto vejo-me obrigado a dizer que de "corja" estou farto e "Vota PCP" também.
Não censurar comentários neste blog é obra!
Isso só mostra que neste blog não há "défice democrático".
Espero que a esquerda inteligente também deixe cá algum comentário para ver se os imbecis se envergonham e só escrevem se tiverem algo de interessante a dizer.
Hei-de voltar para comentar os números.
Atazanador

Analista disse...

Por vezes fico confuso com o que leio.
É o caso dos comentários do "Zé".
Vai perdoar mas não consigo compreender o que pretende transmitir.

Não vejo, sinceramente, a razão que leva o "Zé" a tecer tamanhos "elogios" a alguns dos os outros comentadores.

Ze disse...

Caro Analista(Político, de Sistemas,de que?) vou explicar devagarinho para que possa fazer uma análise. Com ser Inteligente, quero significar dizer coisas inteligíveis. E isso não é apanágio só da esquerda. E os imbecis "corja" ou "vota pcp" além de envergonharem os partidos que pretendem defender, conspurcam este espaço.
Espero que não esteja neste caso.
Eu sou de esquerda, mas gosto de inteligencia, não quero dizer que os imbecis não tenham direito à vida, mas nem sempre há paciência...

Mário disse...

Vocemecê é que é imbecil senhora Zé! Todos são livres de expressar o seu pensamento, e o corja vive num país livre ou não?
A senhora é tanto de esquerda como o Salazar.
Partilho a ideia do Corja, vamos acabar com esta corja autarquica. Vota PS ou Bloco nunca na CDU.Já agora gostava de perceber, como é que a CDU nas autarquicas ganha sempre com mais de cinco seis mil votos do que nas legislativas- Nas europeias então essa diferença é de dez mil votos. a propaganda que é promovida pela CDU, que a emilita vai buscar votos aos partidos de direita PS e PSD e CDS, está muito mal contada. Quem controla a entrada dos votos nos paços de concelho? Nas últimas autárquicas o bloco por sete votos nao tirou a maioria aos comunas da CDU.Vamos votar no PS

Minda disse...

Carlos:

Fazer contas eleitorais é, de facto, algo que atrai mais na proximidade das eleições. Tem-se sempre a expectativa de antecipar o futuro... mas a imprevisibilidade é muita e raras vezes se acerta no resultado. Há, todavia, aproximações muito prováveis...

Também estou ciente de que o BE irá eleger um vereador. Desejo, embora isso já seja mais difícil de acontecer, que a CDU vá parar à oposição... já não era sem tempo, a bem da democracia local.

Não conheço o André Beja, mas a Helena Oliveira conheço. Ela é uma mulher cheia de genica, com uma grande capacidade de trabalho, politicamente capaz de desenvolver um excelente trabalho. Ela é, de facto, a "minha" candidata.

Estás tu e estou eu, mais ainda, com uma grande curiosidade sobre os resultados eleitorais em Almada. A ver vamos...

E tens razão. Todos os cenários são mesmo possíveis.

Minda disse...

Corja:

Manifestar opiniões contrárias não implica, necessariamente, a utilização de vocabulário assim tão "agressivo"...

Minda disse...

Vota PCP...:

Custa-me a perceber estes nicks. Mas cada um é livre de escolher o pseudónimo que lhe apetece.

Minda disse...

Zé:

Gostava que os comentários deste blogue fossem, de facto, mais construtivos, mais sérios. O que não quer dizer que sejam todos do mesmo nível. E aqui também os há de qualidade, com mais ou menos ironia, com uma pitada de humor ou mesmo um toque de revolta...

Nem todos se sabem expressar, é verdade. Alguns baralham as ideias. Mas todos têm aqui entrada.

Confesso que aceitar comentários sem moderação é um grande risco. Mas prefiro isso (e já lá vão cerca de seis anos) a introduzir alguma limitação à sua entrada.

Fico à espera do comentário sobre os números. Ao fim e ao cabo é esse o assunto deste artigo.

Minda disse...

Analista:

Também não é caso para ficar confuso. O Zé foi bem explícito... mostrou algum desagrado quanto ao nivel de alguns comentários, e eu até partilho a sua opinião.

O barrete só é enfiado por alguns e que me lembre o Analista nunca teceu aqui comentários do tipo daqueles que ele critica. Por isso não tem que se sentir aborrecido.

E tamanhos elogios é um tanto exagerado da sua parte. Ele apenas refere que o Carlos, que eu também admiro pela frontalidade e correcção de diálogo, além de louvar o facto de ter a coragem de se identificar com a sua verdadeira identidade (ao contrário da maioria dos que aqui vêm comentar), faz comentários "com pés e cabeça", inteligentes no sentido de que são bem escritos.

Minda disse...

Zé:

Não vale a pena alimentar animosidades. Cada um tem a sua opinião e as palavras aqui ficam registadas para quem as ler interpretar e julgar.

Álvaro Cunhal disse...

Estive a ver o debate na TVi.Perda de tempo Fiquei decepcionado com a presença da Helena Oliveira. Esta senhora e o Pedroso de Almeida pareciam dois apoiantes na continuidade da alvoraça Emilia, que nunca deixou os participantes finalizarem uma única ideia. A emilia é sabida, e esta representante do Bloco, deixou_se levar pela mãozinha da idosa sabida. Não me parece que tenha coragem para afrontar a madrinha emilia. O pedroso de almeida é um autentico lambebotas, não fosse ele administrador do MST, para onde se diz que a emilia irá quando for corrida da Câmara e deixar os comunas. Vou votar no PS, mas, o único que afrontou ligeiramente a emilia foi o representante do CDS. Não foram discutidos assuntos como o mau ordenamento do território a repressão junto dos trabalhadores da Câmara, a falta de politicas culturais, a má gestão dos recursos humanos, o caos urbanistico e rodoviário, o descontentamento dos comerciantes e da população em geral. Mesmo assim, vamos votar PS

Minda disse...

Mário:

Mas que grande confusão vai por essas bandas...
Os insultos são dispensados. Se se sentiu ofendido não adianta ofender também.
Peço, portanto, alguma moderação na troca de palavras entre comentadores. Ninguém ganha nada com este tipo de posições.
O "eleitorado flutuante" (esses que votam PS nas legislativas e PCP nas autárquicas) mais a maioria que se abstém, vão ser decisivos em 11 de Outubro.
Espero que façam a opção certa: votar PS e BE.

Carlos Pinto disse...

Minda, acabo de ver o debate na TVI24.

Achei que a primeira intervenção de Helena Oliveira foi contra a sua própria candidatura. Se eu estivesse dividido entre votar PCP ou BE, tenderia a votar PCP.

A MES utiliza a mesma estratégia do Sócrates, tudo que é bom é obra dela e tudo que é mau é obra dos malditos governos do PS/PSD/CDS... ou até de Afonso Henriques.

Neste ponto Helena Oliveira coloca-se ao lado da CDU, por uma razão de combate nacional, esquecendo a realidade local de Almada numa eleição autárquica.

Certamente que as políticas nacionais não são diferentes em Almada e muitos outros municípios conseguiram com medidas locais compensar as políticas nacionais.

Tenho passado os meus últimos dias a ler o relatório preliminar do PROT-AML em revisão e vem lá muito clara, com imensa informação estatística, a diferença de desenvolvimento entre a Margem Norte e a Margem Sul do Tejo.

Não é por acaso que na Margem Norte o PCP tem votações residuais comparadas com as da Margem Sul. É que aqui os malditos autarcas do PS e do PSD têm sido capazes de promover o desenvolvimento social e económico com iniciativa e autonomia.

Helena Oliveira esteve bem no resto dos temas, quando conseguiu falar, em particular na denúncia dos falsos processos de participação pública e falta dum plano estratégico para o concelho.

Para terminar quero referir a iniciativa da TVI, a única estação de televisão onde se debatem as autárquicas fora de Lisboa a Porto.

Como se vê, os malditos privados muitas vezes fazem melhor serviço público do que a televisão do Estado...

Minda disse...

Álvaro:

Também estive a ver o debate. Uma tristeza... uma moderação inexistente, até tendenciosa (nas oportunidades que concedeu à representante da CDU em detrimento dos outros candidatos); uma falta de educação, civismo e democracia da actual presinete da CMA que atropelava todas as intervenções...
O candidato do PSD falou, falou, falou mas não disse nada de substantivo.
O do CDS bem tentou dizer alguma coisa mas, na minha opinião, saiu asneira.
Restou a Helena Oliveira: foi quem mais respeitou as intervenções dos adversários. Nunca interrompeu ninguém e, com isso, acabou por ser prejudicada (até o jornalista, depois de ter permitido tempo de antena a mais para a Maria Emília lhe exigiu brevidade). Tentou apresentar as linhas programáticas fundamentais e foi a única que mandou calar a Emília para poder falar. Temos ali uma óptima vereadora, que vai dar luta a quem quer que seja que ficar no governo municipal (esperemos que não seja a CDU).

Carlos Pinto disse...

Continuando no debate, foi evidente a tentativa de calar o candidato do PS Paulo Pedroso, sempre interrompido por MES com a complacência do moderador.

Jorge Pedroso do PSD revelou pouco jeito para o debate, independentemente do valor das suas ideias.

Duma forma geral parece-me que existe energia e ideias em todos os candidatos da oposição, basta ler os seus programas nos blogues de campanha, mas o debate não permitiu perceber.

Resta-me uma ideia final: se no dia 11 de Outubro a presidência mudar há condições para fazer uma gestão local com muitos pontos de consenso entre os eleitos.

Minda disse...

Carlos:

A primeira intervenção da Helena não foi assim tão má. Também acho que deu demasiada ênfase à culpa dos Governos nacionais e aos seus reflexos locais. Devia ter colocado a tónica na má gestão autárquica, é certo.

Mas com um debate tão mal conduzido era difícil conseguir controlar o tempo disponível para abordar todos os assuntos.

E o jornalista nem sequer soube controlar aqueles diálogos cruzados e as interrupções permanentes da Maria Emília e conduzir os discursos para temas concretos.

Foi um debate sem regras que acabou sendo pouco claro para os ouvintes. Se são todos assim, de pouco valem como esclarecimento eleitoral.

Mas a iniciativa da TVI24 é válida. Admito que são os únicos que estão a dar oportunidade ao confronto autárquico mesmo entre concelhos fora de Lisbao e Porto (os mais mediáticos) e com oportunidade aos principais candidatos. Têm, todavia, que melhorar a moderação.

Quanto ao desenvolvimento de ambas as margens do Tejo: concordo plenamente com as tuas palavras.

Estas vão ser umas eleições muito renhidas. Disputadas taco a taco. Só mesmo no dia 12 teremos certezas absolutas.

Minda disse...

Carlos:

Partilho a tua opinião acerca da tentiva de calar Paulo Pedroso. Aliás, o moderador terminou muito mal ao fechar o debate com a alusão ao processo Casa Pia.

Sobre o Pedroso de Almeida, sinceramente, acho que perdeu qualidades. Conheço-o há mais de vinte anos, quando ainda era membro do Governo de Cavaco Silva, como Director-geral das Autarquias Locais que é no mesmo edifício onde trabalho.

Tinha obrigação, portanto, de saber defender-se melhor e apresnetar o seu programa de forma mais convincente. Fiquei bastante surpreendida por ter ficado tão apagado e ter um discurso tão oco.

Aníbal Moreira disse...

O que nos pede a autora do post é que comentemos o quadro, de forma a perceberemos melhor a forma como o eleitorado se comporta nas eleições autárquicas em Almada, especialmente o do BE.

Perante os dados apresentados no quadro de referência, penso que é relevante começar a partir do ano de 2001, ano em que o BE participa pela 1º vez nas eleições autárquicas.

Este meu comentário será destinado a avaliar/entender melhor a evolução do BE em relação à CDU, partido que governa a Câmara á vários anos.

Em termos comparativos o BE entre a eleição de 2001 e 2005, teve uma subida considerável na votação para a CM, quase triplicou os seus votos passou de 1878 para 4785, mais 2907 votos da primeira eleição para a segunda.

O mesmo se pode dizer em relação à eleição para os outros órgãos seguindo a mesma metodologia de análise.

Em relação à eleição para a AM, em 2001 obteve 2522 votos e em 2005 obteve 6534 votos, mais 4012 votos entre 2001 e 2005.

Em relação à eleição para a AF, em 2001 obteve 2367 votos e em 2005 obteve 5910 votos, mais 3543 votos entre 2001 e 2005.

Se comparar-mos com a CDU que governa a Câmara á vários anos, o BE de uma eleição para a outra, ou seja entre 2001 e 20005, quase que triplicou os votos, já por seu lado a CDU:
Na eleição para a CM entre 2001 e 2005, só teve uma subida ligeira de 1 259 votos, na AM de 257 votos e na AF 512 votos.

Nada significativo para um partido que se mantém à muitos anos no poder e face aos inscritos e à taxa de abstenção verificada.

Não podemos desprezar o número dos inscritos e votantes nos anos aqui referenciados (2001; 2005).

Curiosamente em 2001 havia 142 073 inscritos e votaram 66 505 eleitores com uma taxa de abstenção de 53%, em 2005 havia 141 360 (menos 713 eleitores em relação à ultima eleição) e votaram 68 043 (mais 1 538 eleitores) com uma taxa de abstenção de 52%.

Ou seja em 2001 havia mais inscritos mas a taxa de abstenção foi 1% superior (53%) à verificada em 2005.

Em 2005 houve menos inscritos em relação a 2001, em uma taxa de abstenção menor – 1% (52%) à verificada em 2001, e mesmo assim o BE quase triplicou os votos.

Segundo o quadro o BE é um partido a considerar no futuro em termos autárquicos.

Minda disse...

Aníbal:

Os números não mentem. Estes que são resultados concretos e não meras sondagens ou estimativas irreais.

Todavia, devemos ser ponderados e embora eu até desejasse que o BE quase triplicasse, de novo, a sua votação isso é um cenário improvável.

Mas o BE é, como diz, e eu concordo, obviamente, um caso sério no panorama autárquico em Almada. Vamos, com toda a certeza, subir bastante na votação e eleger um vereador, assim como aumentar o número de deputados municipais, tal como nas freguesias.

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