sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Depois desta notícia irá Cavaco Silva manter-se em silêncio?




Afinal Francisco Louçã sempre tinha razão quando responsabilizou Fernando Lima por ser a "fonte anónima" da Presidência da República neste que sempre me pareceu ser um caso mal contado desde início, mas o qual nunca pensei que chegasse ao ponto a que o artigo do Diário de Notícias de hoje descreve...
O assunto é grave, demasiado. O Presidente da República não se pode manter por mais tempo em silêncio. Precisa, rapidamente, de vir explicar aos portugueses qual é, afinal, o seu grau de envolvimento nesta situação...
E, obviamente, há que accionar os mecanismos adequados de investigação judicial para apurar responsabilidades e penalizar os infractores. Estando nós em período eleitoral, e sendo esta uma matéria muito sensível do ponto de vista institucional, é necessário que os órgãos competentes actuem com rapidez e seriedade.
As consequências políticas podem ser imprevisíveis, mas serão, com toda a certeza, um golpe profundo na nossa democracia não deixando incólume o partido que aqui aparece indirectamente envolvido no assunto.

16 comentários:

Observador disse...

A primeira coisa que Cavaco dirá é que esta não é a altura para se falar desse assunto.
Pateticamente vai escudar-se nas eleições.

Porém, o assunto é demasiado grave para ser silenciado.

Sempre defendi que Cavaco tem telhados de vidro, ainda que reforçados.

Anónimo disse...

"Afinal Francisco Louçã sempre tinha razão quando responsabilizou Fernando Lima "...

Querem ver que o Louçã tem escutas em Belém!!!!

Al-Ma'dan disse...

Fazendo contra-corrente com a opinião generalizada no país, além de não ter dado o meu voto a Cavaco Silva nem pretender alguma vez fazê-lo, parece-me que o Presidente tem muito poucas qualidades para o ser.
Enfim, são opiniões.
Quanto às escutas, como estamos em Portugal tudo vai ficar na paz do Senhor e não há nem haverá culpados. Isto, se as escutas existiram realmente e se não são mais uma manobra para criar casos políticos onde eles não existem.
Há lodo no cais!

Minda disse...

Observador:

Era evidente que Cavaco Silva não ia falar escudando-se, como dizes e eu concordo, pateticamente, na questão das eleições.

O silêncio de Cavaco é, na minha opinião, altamente comprometedor da estabilidade democrática e muito me admira que o Presidente da República prefira calar-se.

Minda disse...

Anónimo:

E vai daí se calhar o FL anda mesmo a escutar Belém e, já agora, também o jornal Público...

Minda disse...

Al-Ma'dan:

Há lodo no cais sim. E não é pouco! E, infelizmente, a investigação que possa vir a haver irá dar em nada... triste, mas é o país que temos.

Há que ganhar coragem para mudar...

Liberdade disse...

Porque será que não divulga as posições do "Público"?
Já calaram a TVI, agora querem calar o "Público". O resto é fogo de vista.

Minda disse...

Liberdade:

O objectivo desta notícia, mais do que analisar a atitude do DN ou do Público, foi somente a de, perante um caso desta natureza, cuja gravidade, penso, ninguém contesta, questionar a oportunidade do silêncio de Cavaco Silva que, na minha modesta opinião, não deveria escudar-se atrás da suposta perturbação da campanha eleitoral para se manter num duvidoso silêncio aparentemente conivente com os factos que estão na essência de todo este imbróglio que, ao que parece, nasceu no Palácio de Belém.

Refiro-me, obviamente, à denúncia das alegadas escutas pois, quanto ao resto (que de "fogo de vista" nada tem, muito pelo contrário), muito ainda há para desvendar sendo certo que, perante os indícios e provas (ou ausência delas) esgrimidas de ambos os lados (DN - Público e Belém - S. Bento) apenas uma certeza nos fica: há mentiras (e não são poucas) no ar! Mas, principalmente, há muita falta de ética à mistura (do ponto d vista jornalístico e político).

Para terminar, aconselho a leitura das duas crónicas de Joaquim Vieira (Provedor dos Leitores do Público) sobre o assunto, publicadas nas edições deste jornal de 13 e 20 do corrente mês, assim como sugiro que, antes de se tentar emitir quaisquer teorias sobre a suposta vontade de não sei quem tentar calar o Público, se leia com redobrada atenção todos os esclarecimentos prestados no blogue http://provedordoleitordopublico.blogspot.com (crónicas) onde estão disponíveis alguns documentos suplementares.

E deixo no ar a pergunta que Joaquim Vieira faz, que eu considero curial e que é deveras preocupante, após uma séria e cuidada análise do assunto em apreço, referindo-se aos métodos (jornalisticamente falando) utilizados na condução do processo que levou às notícias divulgadas pelo Público:
Terá este jornal uma agenda política oculta?

Liberdade disse...

Mas alguém dúvida que José Sócrates quer calar o Público como calou a TVI e manipula o DN?

Será coincidência José Sócrates fazer ataques públicos à TVI e ao Público e elogios ao director do DN, especialista em jornalismo negro?

A propósito apetece-me citar Brecht, esperando que quando chegar a nossa vez não seja demasiado tarde:

"Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde."


Bertolt Brech

Anónimo disse...

Há qualquer coisa que não se percebe.
O "lançamento" da noticia das escutas tem ano e meio, sensivelmente.
Porque é que agora o jornal Público volta à carga?
Porque demoraram ano e meio a anlisar os microfones?
Ou será por outra razão menos tortuosa?

Analista disse...

Existe uma campanha enorme contra José Sócrates.
É evidente e só não vê isso quem não quer.
Foi Sócrates que calou a TVI? Que eu saiba a TVI continua a emitir. Ou quer falar-se do mais que merecido "abafamento " da super jornalista MMG?
Que bases servem de arremesso para dizer que Sócrates quer calar o "Público" e manipular o DN?
Nenhumas. Apenas vontade de manter uma perseguição ao primeiro ministro.
Às tantas ainda vamos dizer que Sócrates quer calar o boletim Municipal de Almada.

Não seria preferível apontar baterias a Cavaco Silva e à sua "luxuosa" equipa de assessores?

Minda disse...

Liberdade:

Se você tem tantas certezas, eu não tenho.

Acho até que existem dúvidas a mais e certezas a menos. E o nevoeiro que as envolve não deixa ver nada com nitidez.

Por isso, arriscar um palpite é, a meu ver, precipitado (pelo menos para mim que não estou dentro dos sinistros meandros deste problema).

E, já agora, o poema de Bertolt Brech que cita também se pode aplicar no sentido inverso daquele que pretende fazer crer ser a única verdade possível.

Vamos, pois, aguardar os desenvolvimentos seguintes.

Minda disse...

Anónimo:

Essa, entre muitas outras, é uma séria dúvida que não foi, ainda, esclarecida. Porquê? Também não sei... posso presumir, mas tudo o que possa dizer é pura especulação e, como tal, não avanço por esse caminho.

Minda disse...

Analista:

E não é que você acabou por desvender o cerne da questão?... Sócrates começou pela TVI e passou para o Público mas o seu objectivo era, afinal, calar o Boletim Municipal (de Almada, presumo)...

Liberdade disse...

Minda, parece-me precisamente o inverso.

Este post parte duma certeza que parece ninguém mais ter e que só se justifica por o BE estar sempre contra o Presidente independentemente do que ele diga. Está na genética do BE.

Há aqui contas passadas entre antigos radicais de esquerda (José Manuel Fernandes, antigo jornalista da "Voz do Povo") e os ainda radicais do BE.

Como sabe é crime a divulgação pública de correspondência como o DN fez e ainda mais curioso é Francisco Louçã parecer já saber do seu conteúdo antes de ser publicado. Não acha estranho?

Mas o melhor mesmo é deixar passar as eleições e esperar que esta embrulhada seja explicada em vez de tomar logo partido contra o Presidente.

É muito fácil julgar toda a gente na praça pública, como o BE gosta da fazer, mas os julgamentos populares acabaram em Portugal há muito.

Uma coisa lhe digo, nada tenho contra o PS que considero um partido democrático e que espero vença as eleições em Almada, ao contrário da candidata do BE que prefere a continuação da MES.

Mas tenho medo, muito medo de José Sócrates e do seu projecto de poder pessoal. Há muita gente com a memória curta... lembram-se das pressões internas no PS para não surgir nenhuma candidatura alternativa na última eleição interna de Sócrates?
O grupo de Sócrates tomou o PS e está a por o estado ao serviço dos seus negócios.

E quem se mete com este PS leva, não tenha dúvidas.

O viva Brecht!

Minda disse...

Liberdade:

Infelizmente na genética de alguns está a total ausência de ponderação e o sectarismo na análise dos factos.

Como diz o povo, não há fumo sem fogo... afinal Cavaco Silva ainda não desmentiu a notícia em causa e acabou de demitir o seu assessor Fernando Lima, amigo de longa data (desde 1985 que o acompanhava no Governo até 1995 e agora na Presidência da República). Porquê?

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