domingo, 11 de fevereiro de 2018

A síndrome da hipocrisia populista demagoga e a falta de ética da CDU em Almada.



O primeiro de entre os vários episódios que aconteceram ontem durante a 2.ª sessão da reunião extraordinária da Assembleia Municipal de Almada, e que demonstram o quanto a CDU sofre dos males que titulam este artigo, chegou-nos pela mão do deputado municipal João Geraldes que, tal como os seus camaradas de bancada e na vereação, vive numa realidade paralela onde a CDU é a dona absoluta da verdade e todos os outros autarcas são desonestos, incompetentes e preguiçosos.
O discurso de João Geraldes, que mente do princípio ao fim com uma enorme desfaçatez, pode mesmo considerar-se extremamente ofensivo do bom-nome da presidente da autarquia que acusou de falta de seriedade.
Assim não! Em política não vale tudo.
A transcrição do período de “intervenção dos cidadãos” (desde a participação do trabalhador dos SMAS Pedro Rebelo às reações dos partidos e da Presidente da autarquia) pode ser lida AQUI.
Para já ficam apenas as palavras de João Geraldes:
«E dizer que o anterior executivo dizia que não tinha precários e depois tinha 51 trabalhadores precários na autarquia, não é sério.
Peço desculpa, mas não é sério.
Há 15.000 trabalhadores precários nas autarquias deste país. 15.000. Há 15.000.
[Não são 15.000, mas 15.758 os que foram indicados pelas autarquias que responderam ao inquérito da DGAL. O que significa que até podem ser muitos mais.]
E são 15.000 mil precários porque é preciso não esquecer porque é que eles apareceram. É preciso não esquecer porque é que as autarquias tiveram de recorrer a trabalho precário. É preciso não esquecer que o PS, o PSD e o CDS/PP assinaram com a troica estrangeira um protocolo, um acordo ou o que foi, que impôs às autarquias locais a redução em 2% dos trabalhadores das autarquias e impediu a contratação de trabalhadores durante anos.
[Nunca existiu uma proibição absolutamente impeditiva das autarquias contratarem pessoal. Havia sim sérias restrições, mas sobretudo para as autarquias com dificuldades financeiras. O que, de todo, era o caso da CM de Almada. Leia AQUI o artigo da revista Poder Local com os esclarecimentos que se impõe.]
É preciso não esquecer isto.
Como é que se garantia os serviços que as autarquias tinham que prestar às populações? Qual era a opção? Era fechar os serviços? Era acabar com os serviços e deixar as populações sem os serviços?
[Para provar que a CM de Almada não estava impedida de contratar pessoal basta consultar o ARQUIVO DE CONCURSOS DE PESSOAL da autarquia – entre 2009 e 2017 houve vários procedimentos para recrutar desde técnicos superiores, assistentes técnicos e operacionais e até dirigentes. Por isso, havia outra opção sim! Optar pelos vínculos precários foi uma escolha do executivo CDU. Tal como o foi a externalização de serviços adjudicando competências a empresas que recorriam a trabalho precário para as satisfazer: como o caso mais flagrantes da “Óptimo Pretexto”.]
Não foi essa a opção.
Nós sempre fomos contra o trabalho precário. Nós sempre contra a necessidade de recorrer a situações de trabalho precário para satisfazer necessidades permanentes.
Simplesmente foi a lei do país, foi a lei que o PS, o PSD e o CDS impuseram ao país que nos obrigaram e obrigaram a generalidade das autarquias a seguir uma via que não é a via que as autarquias defendem.
Portanto, é preciso sermos sérios.
E no final do mandato anterior, com a mudança de política nacional, estávamos a resolver o problema. Como aliás se continua a resolver o problema. Como todos nós defendemos que se resolva.
Portanto, é preciso ter “sentido de Estado” relativamente a estas matérias e é preciso ser sério quando se fazem as afirmações que se fazem.»


FONTE: transcrição da gravação áudio do vídeo da 2.ª sessão da reunião extraordinária de fevereiro (dia 9). Apenas o período de “intervenção dos cidadãos”.

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