terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Se resultar dêem o Nobel ao Gaspar!



«Até 2013, a generalidade dos trabalhadores portugueses por conta de outrem vai perder entre 40% a 50% do seu rendimento e todos os seus ativos (casas, poupanças, etc.) vão sofrer uma desvalorização da mesma ordem de grandeza. Pergunto: alguém pensa que isto se fará de forma pacífica? Alguém pensa que o bom povo português aceitará mansamente este roubo? Alguém pensa que assistiremos bovinamente a este assalto? Repito: entre 2011 e 2013, o Governo toma medidas que lhe permitirão confiscar metade do que ganhamos hoje. É deste brutal esbulho que falamos e que está ao nível de decisões idênticas tomadas por governos da América Latina nos anos 80. É isto que está por trás da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2012 e das decisões que o Governo já tomou em 2011. É sobre os escombros resultantes desta violentíssima e muito rápida pauperização da generalidade dos trabalhadores e quadros médios e superiores, públicos e privados, bem como dos reformados e pensionistas, que o ministro das Finanças espera que Portugal triunfe “como economia aberta e competitiva na Europa e no mundo” no final do programa de ajustamento. Faz sentido?

Como é óbvio, só quem ensaia soluções asséticas e perfeitas em laboratório é que pode imaginar que esta história terá um final feliz. O mantra do ministro das Finanças (para conhecer o pensamento de Vítor Gaspar ler o excelente artigo que Pedro Lains publicou no “Jornal de Negócios” de 19 de outubro) é tornar-nos a pequena China da Europa, assente em salários baixíssimos, sem subsídio de férias nem de Natal, relações laborais precarizadas, horários de trabalho flexíveis e menos férias e feriados.

Mas Gaspar quer ir mais longe. E assim a draconiana consolidação orçamental só será eficaz se, como diz, for acompanhada por uma agenda de transformação estrutural da economia portuguesa, nomeadamente um amplo programa de privatizações. O que quer isto dizer? Quer dizer vender ao preço da chuva e ao estrangeiro tudo o que seja empresa pública lucrativa ou participações do Estado em empresas, mesmo que elas constituam monopólios naturais; e não deixar na posse do Estado nem um único centro de decisão. Outros dois componentes fundamentais desta agenda de transformação estrutural são a “flexibilização do mercado de trabalho” (que nos permitirá trabalhar com regras cada vez mais próximas dos chineses) e a reforma do sistema judicial (de que, até agora, ainda não tivemos nenhuma notícia).

O tatcherismo serôdio do ministro das Finanças afirma-se pelo preconceito contra tudo o que é público e pela fezada de que colocando-nos todos a pão e água conseguiremos atingir os grandes equilíbrios macroeconómicos em 2014, partindo daí para uma fase de grande prosperidade. Mas será que o senhor não percebe que os melhores quadros do sector privado vão emigrar logo que puderem? Será que não percebe que os bons (e cada vez mais raros) quadros da Função Pública se passarão para o privado à primeira oportunidade? Não percebe que ninguém investirá um cêntimo a criar novas unidades produtivas em Portugal nos próximos anos (comprar empresas já existentes não acrescenta nada em matéria de emprego e de criação de riqueza, como é óbvio)? Não percebe que os jovens licenciados, muitíssimo bem formados, só pensam em ir trabalhar para o estrangeiro? Não percebe que há muito se passou o limite dos sacrifícios aceitáveis e que, a partir de agora, haverá uma resistência passiva destinada a iludir o fisco? Não percebe que a economia paralela se vai tornar mais pujante do que nunca e que essa é a única via para os portugueses sobreviverem a este esbulho de que estão a ser alvo?

Dir-se-á: mas havia alternativa? Havia desde que se quisesse e lutasse por ela. O programa de ajustamento da Irlanda vai até 2015. Não se percebe porque o nosso não pode ser também estendido no tempo. O défice para 2011 já foi corrigido em alta pela troika.

Porque é que não se luta para que também o de 2012 seja aumentado? Porque é que se quer impor esta insuportável dor social aos portugueses? E na questão do financiamento à economia, porque não se bate o Governo porque haja uma nova tranche (cerca de €20 mil a €30 mil milhões) para que o Governo pague às empresas públicas de transportes e estas aos bancos, que terão assim liquidez para financiar as pequenas e médias empresas?

Mas não. O que Gaspar quer é tornar a economia portuguesa competitiva através de uma violentíssima desvalorização por via salarial, pela maior recessão desde há 37 anos e por quebras do investimento e do consumo que não se verificam desde os anos 80. Se isto der resultado, dêem-lhe o Nobel.»

Nicolau Santos, Expresso de 22-10-2011.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O auto-elogio da CM de Almada

Em Almada, o fogo de artifício para celebrar a chegada de 2012 foi, afinal, uma espécie de auto-homenagem à CMA e à sua “querida líder”.
Em comunicado de 31-12-2011, a CM informou a população do quão exemplar é o modelo de execução orçamental que tem vindo a ser seguido em Almada.

Como se isso bastasse para avaliar a qualidade da gestão autárquica do município… e nos fizesse esquecer as más práticas da CMA em quase todos os outros níveis da actividade municipal, a começar pelos recursos humanos e a terminar no ordenamento do território, passando pelo cumprimento do princípio da transparência e sem esquecer a área da contratação pública, etc. etc.
Esta atitude faz-me lembrar um pequeno texto (de autor desconhecido) que em tempos li sobre o auto-elogio:
«O auto-elogio é o substituto do elogio que não aconteceu. É a mentira computada sem pejo. É a agressão à capacidade crítica dos que a tudo assistem e que conhecem a realidade. É o atestado de ignorância, pois equivale a dizer: "Como V.ª Exa. não sabe avaliar, avalio por si. E a verdade é esta, sou bom e faço o melhor!". É menosprezo pela inteligência alheia.
Imagino poder estar correto, pois o auto-elogio dificilmente é proferido em diálogo com quem conhece bem o descarado. O auto-elogio é proferido perante quem é “de fora”, de longe ou recém-chegado. É a tentativa de impor uma imagem distorcida, antes que o outro compreenda e constate por si mesmo a realidade efectiva.
O auto-elogio é desespero de uma pessoa incapaz...»

sábado, 31 de dezembro de 2011

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Entre incompetentes e mentirosos...


«Duma forma ou doutra, todos nos vieram ao bolso. Com o discurso da "tanga" de Barroso, do "défice descontrolado" de Sócrates ou do "buraco colossal" de Passos Coelho. Prometendo em campanha uma política fiscal e fazendo exactamente o seu contrário, os políticos desacreditaram a democracia enquanto regime em que se contrapõem ideias e se espera que se implementem as propostas dos que vencem nas urnas.
O facto é que os impostos são hoje um verdadeiro esbulho aos nossos rendimentos. E, paradoxalmente, ao aumento da carga fiscal dos últimos dez anos tem correspondido uma diminuição das regalias que o Estado concede. Durão Barroso introduziu portagens nas Scut, José Sócrates reduziu a rede escolar e hospitalar, diminuiu as pensões de reforma, e Passos Coelho parece ir pelo mesmo caminho. Todas estas decisões seriam até talvez aceitáveis se os impostos em vez de subir… estivessem a descer.
Como é isto possível? Para onde têm ido todos os recursos? Alguns desvarios são conhecidos, mas não se tem noção de qual é a sua verdadeira dimensão. Ainda estão por esclarecer os montantes esbanjados na Expo 98 ou no Euro 2004.
Outros gastos são ainda mais secretos, como os das parcerias público-privadas em auto-estradas e hospitais, os montantes escandalosos dos juros de dívida pública ou a nacionalização do BPN.
Aqui chegados, impõe-se um cabal esclarecimento de qual o destino que tem sido dado, nos últimos anos, aos milhões arrecadados através dos nossos impostos. Explicados euro a euro, tim-tim por tim-tim.»

Fonte: Fio de Prumo, por Paulo Morais, in Correio da Manhã de 27-12-2011.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Contra o encerramento da Estação dos CTT em Cacilhas


«Considerando:
1. A existência de uma unidade de atendimento de serviço público dos CTT na Freguesia que vem servindo a comunidade residente de Cacilhas há dezenas de anos;
2. A qualidade do serviço prestado, no que diz respeito às instalações, como também no nível do atendimento ao público;
3. As enormes vantagens na manutenção deste serviço de proximidade, consideradas as características demográficas da Freguesia de Cacilhas com um elevado nível de população situado nos segmentos mais envelhecidos da estrutura etária da Freguesia;
4. A decisão do encerramento da Estação dos CTT de Cacilhas;
5. Os elevados impactos negativos e penalizadores para a população de Cacilhas e para a própria Freguesia de Cacilhas, uma vez que se perde um serviço público de proximidade.

A Assembleia de Freguesia de Cacilhas reunida em 22 de Dezembro de 2011, delibera:
1. Condenar a decisão do encerramento da Estação dos CTT em Cacilhas;
2. Exigir a continuação da existência da mesma, assegurando assim a satisfação de um serviço mais acessível a uma população marcadamente caracterizada pelo seu envelhecimento e consequente perda de mobilidade;
3. Afirmar e apresentar o conteúdo da Moção/Recomendação à Direcção dos CTT em iniciativa pública a convocar para o próximo dia 29 de Dezembro de 2011, e através de uma delegação conjunta dos eleitos da Junta de Freguesia de Cacilhas e da Assembleia de Freguesia de Cacilhas;
4. Divulgar a presente Moção:
- Assembleia Municipal de Almada
- Câmara Municipal de Almada;
- Grupos Parlamentares com assento na Assembleia da República;
- Comunicação Social;
- Site da Junta de Freguesia de Cacilhas.
PARA CONSTAR SE PASSOU ESTE EDITAL E OUTROS DE IGUAL TEOR QUE VÃO SER AFIXADOS NOS LOCAIS HABITUAIS DESTA FREGUESIA.»

Nota: a moção foi aprovada por unanimidade.

Estranha pressa


Acabámos de saber que uma estranha pressa acometeu o Presidente da Comissão Eventual da Assembleia Municipal de Almada criada para analisar o caso do trabalhador dos SMAS vítima de mobbing.
Depois da apresentação do relatório final ter sido adiada para a sessão ordinária de Fevereiro, três deputados municipais (1 PS, 1 PSD e 1 CDS) solicitaram que a reunião da Comissão agendada para ontem (dia 27 de Dezembro) fosse alterada para o início de Janeiro de 2012.
Considerando que já antes haviam sido concedidos adiamentos por pedidos semelhantes, mesmo quando ainda se julgava inadiável a apresentação das conclusões do processo em estudo, é incompreensível que após o alargamento do prazo para apresentação do relatório final, o Presidente da Comissão tenha recusado aqueles pedidos, acabando por obrigar à realização da reunião na data prevista, ao que tudo indica apenas para satisfazer uma alegada pretensão da CDU… como se uma estranha urgência em resolver este caso se tivesse apoderado destes autarcas os quais, é bom não esquecer, são os mesmos que se recusaram a ouvir o principal implicado (o assediador), ficando-se pela audição da vítima e do Presidente dos SMAS, quiçá por “falta de tempo” (?).
Assim sendo, este que poderia ser um pormenor insignificante, acaba antes por parecer uma deliberada forma de cercear o pluralismo daquela comissão (sabe-se lá com que intenção… ou talvez até se saiba, mas não convém, por enquanto, dizê-lo) na medida em que a decisão de manter a data da reunião apenas foi comunicada na véspera (dia 26 de Dezembro) e teve como consequência que um dos partidos acabasse por não ter nenhum representante na reunião.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Os paladinos da democracia?

Estas duas imagens fazem parte do texto da deliberação daERC de 29-11-2011. Não é sobre o caso de Almada, mas bem poderia ser pois a posição da autarquia almadense é em tudo idêntica à da sua congénere aqui visada (incluindo, e talvez por isso mesmo, a “cor partidária” do executivo).
Tudo porque o PCP, que se autoproclama único paladino da democracia e da liberdade de expressão, se arroga proprietário dos órgãos de comunicação institucionais do município – quando detém o poder autárquico, entenda-se, já que nos casos em que é oposição pensa exactamente de forma inversa.
E por assim pensar, consideram legítimo fazer propaganda partidária mascarada de divulgação das actividades municipais, como se nos órgãos autárquicos do município não participassem os outros partidos que os integram e o papel da oposição fosse inexistente.
A este propósito importa lembrar alguns princípios fundamentais que constam da Directiva do Conselho Regulador da ERC n.º 1/2008,de 24 de Setembro, na redacção da Deliberação de 28-09-2011:
«Tratando-se de publicações de titularidade pública e sujeitas ao respeito pelo princípio do pluralismo e ao princípio de equilíbrio de tratamento entre as várias forças políticas presentes nos órgãos municipais, encontram-se obrigadas a veicular a expressão dessas diferentes forças e sensibilidades, e em matérias relativas à actividade autárquica.»
«Os responsáveis das publicações periódicas autárquicas, deverão respeitar o princípio do equilíbrio de tratamento entre as várias forças  políticas presentes nos órgãos municipais, o que poderá consubstanciar-se na criação de espaços editoriais dedicados à intervenção dessas mesmas forças.»
«Cabe-lhes, por outro lado, adoptar mecanismos de participação pública, em particular, dos munícipes, assim como das associações e outras instituições locais.»

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Reforma da administração local: Pontos de Vista.

Consulte AQUI as intervenções dos autarcas atrás citados.

Fonte: Revista Pontos de Vista, suplemento do jornal Público, de 19-12-2011.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A educação dos filhos...

Quino, o cartoonista argentino autor da Mafalda, expressa em oito desenhos uma das melhores críticas acerca da educação dos filhos nos tempos modernos:

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Está tudo dito!

Depois da reacção do PCP hoje na Assembleia da República sobre o voto de pesar pelo falecimento Vaclav Havel e tendo presente a posição assumida a quando da morte do ditador da Coreia do Norte... está tudo dito!
Nem precisamos de acrescentar mais nada para ficarmos com a certeza de qual é, afinal, a verdadeira índole dos camaradas e quais são os princípios que defendem.
E dizem-se eles democratas e defensores da liberdade. Revolta-me tanta hipocrisia. Enoja-me tanta demagogia...

«A Assembleia da República aprovou hoje por maioria, com os votos contra do PCP, um voto de pesar pelo falecimento do antigo presidente da Checoslováquia Vaclav Havel, com PS, PSD, CDS-PP e deputados do BE a aplaudir de pé.
Durante a votação, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, abandonou o hemiciclo, tendo regressado logo após os deputados votarem.
As bancadas do PS, PSD e CDS-PP aplaudiram prolongadamente e de pé a votação do voto de pesar, enquanto no BE também houve aplausos, nomeadamente do líder, Francisco Louçã, e pelo menos as deputadas Ana Drago e Catarina Martins também aplaudiram de pé.
O PCP votou contra e 'Os Verdes' abstiveram-se, tendo os restantes partidos votado favoravelmente.
O deputado socialista José Lello pediu a palavra para perguntar à mesa se tinha dado entrada um voto de pesar pelo falecimento do “querido líder”, numa referência ao ditador da Coreia do Norte, falecido recentemente.
No texto aprovado, subscrito por todos os partidos com excepção do PCP e de 'Os Verdes', são recordadas as palavras do escritor checo Milan Kundera que afirmou que “a principal obra de Vaclav Havel terá sido a sua própria vida”.
Intelectual, “dramaturgo, dissidente e activista pela democracia”, Havel escreveu a sua primeira peça em 1963, A festa no jardim, aclamada “quer como marco do teatro do absurdo, quer como denúncia da burocratização desumanizadora do regime” checoslovaco.
“Politicamente activo desde a juventude, o dinamismo da sua dissidência com o regime tornar-se-ia mais evidente após a supressão da Primavera de Praga em 1968, quando a força dos tanques calou as aspirações de reformas dos checos e eslovacos”, lê-se no texto.
O voto aprovado salienta a sua detenção e “condenação por subversão” em 1977, por ter subscrito a Carta 77, exigindo “o cumprimento das disposições dos acordos de Helsínquia em matéria de salvaguarda de direitos, liberdades e garantias”, tendo sido, dois anos depois, condenado a quatro anos e meio de prisão com o mesmo fundamento.
“Em 1989, asseguraria um novo papel na história do seu país e da Europa, tendo sido uma das figuras chave da Revolução de Veludo, coordenando o movimento que exigia o fim do regime”, refere o texto.
Havel foi presidente da Checoslováquia e da República Checa, tendo-se oposto à divisão do país.
O voto de pesar aprovado pelo Parlamento sublinhava “o papel histórico e insubstituível de Vaclav Havel na construção de uma Europa mais livre, justa, solidária e democrática”.

ETAR da Mutela: (in)conveniente regresso ao passado...


Aos poucos a informação vai chegando até nós. Desta feita foi um relatório da PRIDESA (a empresa do consórcio que venceu o concurso para construção da ETAR da Mutela). Dos problemas verificados ao nível dos equipamentos, à falta de preparação da equipa dos operadores dos SMAS, à incompetência da gestão da responsável pelo departamento das ETAR - a filha da senhora presidente da Câmara Municipal, a Eng.ª Lurdes Alexandra Neto de Sousa, é bom não esquecer - é possível obter um retrato (in)conveniente do período que antecedeu a entrada em funcionamento deste equipamento e que nos permite compreender as razões pelas quais acabou por estar dois anos encerrada (2006 e 2007) depois de quatro escassos meses de laboração (Setembro a Dezembro de 2005).
Acabado de receber, ainda não tivemos oportunidade de analisar em profundidade o seu conteúdo, mas parece-nos que haverá muita matéria interessante para dar a conhecer aos nossos leitores.
Por isso, voltaremos ao tema. Mas, por agora, fica apenas esta breve notícia.
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