Jornal Metro - Lisboa, 24-10-2011
Ao contrário do que afirma à jornalista esta é, todavia, nos últimos anos, uma situação recorrente naquela associação, que se pode considerar tecnicamente falida, sobretudo por evidente má gestão da direcção que tem sido presidida por camaradas do PCP e, por isso, lá vão recebendo uns apoios da CM de Almada à medida da resolução pontual dos apertos financeiros, e este é mais um caso desses, como adiante veremos.
Em virtude de não conseguir gerar receitas suficientes para cobrir as despesas, a Academia Almadense sobrevive à custa de empréstimos bancários (concedidos "por conta" de subsídios públicos futuros) e de transferências da autarquia para projectos específicos mas que acabam por ser utilizados em fins diversos, como sejam os 300.000€ atribuídos pela CMA em 2005 para recuperação das instalações do antigo teatro (e que, em 2011, continua abandonado e a ameaçar ruir a qualquer hora).
Obviamente que estes esquemas, mais tarde ou mais cedo, acabariam por gerar o colapso financeiro da instituição: e essa é a situação actual! Só os camaradas do PCP é que fingem não ver e os vereadores e deputados municipais da oposição são coniventes por inércia (resultado de uma confrangedora e estranha indiferença).
Continuemos, então, a analisar as palavras de Domingos Torgal à Lusa: "É verdade que os nossos funcionários - seis do quadro e oito trabalhadores eventuais, monitores nas nossas actividades culturais e desportivas - têm metade do vencimento do mês passado [Setembro] em atraso, mas eles têm sido pacientes e o problema vai ser resolvido no máximo até dia 10 de Novembro.»
Muito interessante este discurso, sobretudo se pensarmos que é proferido por um militante do PCP, o tal partido que se diz único defensor dos trabalhadores...
Primeiro - a despreocupação como a questão dos vencimentos em atraso é encarada, como se fosse coisa de somenos importância, sem uma única palavra de apoio e solidariedade. (o que não é de admirar em Domingos Torgal, depois de termos tido conhecimento da frieza como tratou a situação que levou à morte de um trabalhador há uns anos atrás).
Segundo - a referência à paciência dos trabalhadores em aguardarem serenamente, quase uma espécie de aviso aos mesmos para que estejam "quietos e caladinhos" o que terá motivado que nenhum se disponibilizasse a prestar declarações à jornalista por temerem as consequências, conforme nos foi referido. (atitude que evidencia a forma prepotente, autoritária e fascizante como o PCP em Almada lida com quem os possa afrontar denunciando as más práticas de gestão dos camaradas, seja na autarquias do concelho ou nas colectividades a que presidem).
Terceiro - algo que não foi dito à jornalista: a forma como vão tratar do assunto até 10 de Novembro...
Coincidência das coincidências: a Câmara Municipal na sua reunião do passado dia 21 do corrente mês deliberou aprovar a «alteração da alínea b) da Claúsula Primeira do Protocolo celebrado com a A.I.R.F.A. - Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense, e autorizar o pagamento da 1.ª tranche."
E do que é que se trata? de mais 250.00€ de subsídio para as obras de recuperação do antigo teatro. Vem mesmo a calhar, não acham? Será que o seu destino vai ser idêntico ao dos anteriores 300.000€? Pelo menos parte dele, ao que tudo indica, tal como aconteceu da primeira vez, irá ser desviado para regularizar a situação dos trabalhadores.
Como vão "reaver" o dinheiro para avançar com as obras e evitar que os salários voltem a ficar em atraso? O mais provável é que a história se repita e fiquem à espera de um "milagre" semelhante e assim sucessivamente, perante a passividade dos autarcas da oposição., até ao escândalo final.
E seria interessante saber, já agora, se a obra em causa acabou de ser consignada, como a adenda ao tal protocolo exige, para que a CMA proceda ao pagamento da 1.ª tranche dos 750.000€ protocolados.
E não há ninguém que fiscalize a boa aplicação destes dinheiros públicos? Por que se calam os partidos da oposição?















