terça-feira, 11 de maio de 2010

Foi o Pai que me ensinou...


As ruas de Lisboa, no suposto itinerário papal, estão cheias de publicidade alusiva à visita do Papa Bento XIV.

A mensagem é «Foi o Pai que me ensinou…»: seja a partilhar, amar, perdoar ou rezar, entre muitas outras coisas. (na minha óptica, nem sequer são esteticamente apelativos nem a frase é bem conseguida).

Ele são placares publicitários (mupis), pendões nas árvores e postes de electricidade, até nos bonitos candeeiros da baixa pombalina… uma enchente a tocar as raias do exagero, numa poluição visual que acaba por incomodar mais do que outro efeito qualquer que se pretenda (como ouvi um padre dizer: é para a cidade ficar mais bonita e engalanada e mostrar um ar de festa).

Num estado laico, o envolvimento do Estado nesta visita pastoral é, para mim, vergonhosa. Em tempo de crise, “oferecer” feriados à Administração Pública e gastar milhões com a breve passagem de Bento XVI por Portugal parece-me um contra-senso.

Quem paga tudo isto? A Igreja? Ou o Estado e a autarquia lisboeta? Seria interessante saber, não acham?


Com tantos ensinamentos, porque será que o Pai não ensinou, também, umas noções de economia? É que estes governantes bem precisam...

8 comentários:

Caçador disse...

São 37 milhões por dia que se gastam com esta visita. E assim começa a campanha eleitoral da recandidatura do Cavaco (foi ele que o convidou, lembram-se).
Antes foi a coisa do benfica, agora o papa, a seguir o mundial de futebol e depois as férias; o Sócrates também agradece esta estado de graça.

Anónimo disse...

É precisamente o que eu penso, e é o que acontece as pessoas andam muito esquecidas só se lembram de "S.Bárbara quando faz trovões". Luísa S.

Conceição disse...

E quantos milhões são gastos nas campanhas eleitorais?
E quantos milhões gasta a câmara municipal de Almada por ano, nos boletins municipais e fogos de artifício, etc. não é também dinheiro dos contribuintes?

Minda disse...

Caçador:

Onde é que eu já vi isto?
Futebol, Fátima... só falta o Fado.

Minda disse...

Luísa:

A maioria do povo português sofre de amnésia.
Por isso têm o que merecem. Pena é que "pague o justo pelo pecador".
Bjs

Minda disse...

Conceição:

E desde quando uma asneira justifica outra ainda maior?
Que eu saiba, Portugal é um Estado laico. Certo?

Conceição disse...

Nada justifica as sucessivas asneiras, mas fico preocupada com o pedido de empréstimo pela câmara de Almada de 10 (DEZ) MILHÕES DE EUROS, fico preocupada com o aumento do IVA, fico preocupada com o futuro das minhas filhas e com os filhos de todos os Portugueses, fico preocupada com o meu marido que está desempregado e com os milhares de desempregados. Onde estão os ideais do 25 de Abril de 1974? Portugal é um Estado laico? Não me parece depois de ver a Sr.ª Presidente da Câmara de Almada nas festas do Cristo rei, depois de ouvir o discurso de boas vindas ao papa proferidas pelo Sr. Presidente da Republica e Sr. 1º Ministro.

Minda disse...

Conceição:

Não posso deixar de estar solidária consigo em muitas das suas preocupações, nomeadamente quanto ao futuro (nosso e dos nossos filhos) neste país onde por mais que se fale na luta contra a corrupção são sempre os mesmos a pagar a crise.

Vão-se implementar medidas restritivas a nível salarial (mas de fora ficam os gestores públicos - a beliscadura que levam é anedótica, quando comparada com o âmbito das consequências sobre o salário da média dos trabalhadores)...

O IVA vai subir: como se os mais desfavorecidos podessem dele estar isento... logo, são esses mesmos que mais irão sofrer com esta subida de impostos (mais uma vez os que ganham ordenados chorudos se ficam a rir)...

Tudo, dizem eles, para poupar umas dezenas de milhão de euros e fazer diminuir o déficite.

No entanto, gastam-se muitos milhões de euros (mais de uma centena) com esta visita papal, num Estado supostamente laico mas onde os governantes se subjugam à Igreja... infelizmente, com o apoio de muitos daqueles que irão sofrer na pele as consequências deste desvario que mistura política e religião (com claros interesses eleitoralistas à mistura, seja a nível da presidência da República, do Governo ou das autarquias locais - como a de ALmada) e que, a mim, me repugna.

Por isso, também me questiono se não estamos, afinal, num Estado que veste a máscara da laicidade apenas quando convém...

Muito mais haveria par dizer, mas fico-me por aqui pois não quero estragar o meu nem o seu dia.

Fique, portanto, ciente de que partilho as suas preocupações. E tenha um resto de bom dia.

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