sexta-feira, 13 de julho de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Afinal havia mais... Relvas no seu melhor!
E foi o currículo desta personagem (que tudo indica não se coibiu de recorrer a esquemas fraudulentos e pouco éticos para "sacar uns milhares de cobres" ao erário público) que a universidade Lusófona considerou de excelência, um percurso de vida digno de merecer uma equivalência a 32 das 36 disciplinas de uma licenciatura de três anos que acaba sendo realizada apenas em um.
Veja AQUI o artigo de investigação publicado num jornal local e que contém uma resenha das principais notícias saídas na comunicação social de então (1996) sobre Miguel Relvas e a forma como este então deputado da Assembleia da República já mentia descaradamente para obter benefícios ilegítimos.
Artigos relacionados:
quarta-feira, 11 de julho de 2012
O mero oportunista e os verdadeiros responsáveis.
E a saga continua…
Embora comece, confesso, a ficar
farta da turbo licenciatura do Ministro Miguel Relvas, ainda não é desta que encerro
o assunto.
Depois do último artigo, Quero
as minhas competências já!, o caso voltou às páginas dos jornais de hoje: Diário de
Notícias (a imagem que ilustra este texto foi retirada do DN) e Público
são dois deles.
Quanto mais se fala/escreve mais
se adensam as dúvidas sobre a seriedade com que este processo foi resolvido
(mesmo tendo sido, supostamente, cumprida a legalidade) em nítido favorecimento
do aluno Miguel Relvas.
Dar a entender que o currículo de
Miguel Relvas é notável e, por isso, mereceu uma avaliação de exceção, não
merecendo sequer uma justificação devidamente fundamentada para os créditos
obtidos, é gozar com todos os que de forma esforçada, se empenharam em realizar
e concluir com êxito um curso académico.
A forma como a Universidade
Lusófona tem gerido este assunto, enredando-se na teia de lapsos, omissões e mentiras
do Ministro Miguel Relvas, na tentativa vã de demonstrar alguma credibilidade,
só tem contribuído ainda mais para destruir a imagem da instituição e
prejudicar os muitos alunos (antigos e atuais) que no mercado de emprego
ficarão sempre constrangidos ao referir aquele estabelecimento de ensino por
temerem vir a ser alvo do anedotário em que se transformou a obtenção de títulos académicos naquela casa (numa generalização mesquinha tão ao gosto de certas pessoas).
Tal como aconteceu com o caso da
Universidade Independente por causa do certificado de José Sócrates assinado ao
domingo… e onde, a partir daí, para certas mentes perversas, basta referir o
nome da UNI para que apareçam logo as piadas sobre a legitimidade de qualquer
formação nela realizada e a pessoa em causa passe a ser achincalhada,
independentemente do mérito do curso, da qualidade dos professores que o leccionaram
e das notas obtidas.
Por isso, mais do que a falta de
ética de Miguel Relvas (que se soube aproveitar, e muito bem, das facilidades
do sistema), choca-me o comportamento dos responsáveis da Lusófona (incluindo os
professores que assinaram o tal parecer)… esses sim, os verdadeiros culpados
desta vergonhosa situação.
Também quero as minhas equivalências já!
Partindo das notícias que saíram ontem
na imprensa (Correio da Manhã, Diário de Notícias e Público, entre outros jornais diários),
e depois de ver como foi avaliado o currículo de Miguel Relvas, estou a
ponderar seriamente solicitar a análise do meu currículo profissional para que
certifiquem as competências entretanto adquiridas. Em respeito do princípio da
igualdade (protegido pela Constituição da República) espero que o Conselho
Científico da faculdade a quem venha a recorrer utilize os mesmos métodos de
avaliação que aplicaram àquele governante.
Ser Presidente da Assembleia Geral
de uma associação cultural é uma tarefa que, além de ocupar um tempo residual ao
titular do cargo (normalmente são, apenas, uma a duas reuniões anuais) não
exige o desempenho de quaisquer atividades específicas que, de per si, possam
justificar a equivalência de competências. Para lá da direção esporádica do
órgão colegial no dia das sessões e, eventualmente, a representação ocasional da
associação em atos públicos, presidir à Assembleia Geral de uma associação ou
coletividade é uma experiência que não confere capacidades especiais a ninguém.
E como eu também já fui durante quatro
anos Presidente da Assembleia Geral de uma associação cultural da qual fora antes
Vice-Presidente da Direção e onde desempenho, no mandato atual (2011-2013), as
funções de Secretária, pertencendo, ainda, à Direção de uma outra há três
mandatos sucessivos (igualmente como Secretária), já para não falar da
coordenação cultural de uma outra desde 2006, faço votos para que ponderem
devidamente essas ocorrências e me sejam atribuídos os créditos devidos.
Contudo, como ao contrário do
senhor Ministro já possuo uma licenciatura (Geografia e Planeamento Regional, de
quatro anos bem esforçados) concluída com média final de 15 valores, e uma
pós-graduação (Gestão Autárquica Avançada) onde obtive Muito Bom (18 valores),
havendo ainda que juntar a conclusão de quatro disciplinas (média de 12 valores)
e dois seminários (média de 13 valores) de um mestrado (Planeamento Regional e
Urbano), é da mais elementar justiça que me atribuam, no mínimo, o grau de
Mestre.
É que, além de várias dezenas de
cursos e ações de formação diversificada na área da administração pública
autárquica que frequentei ao longo dos 25 anos de carreira como funcionária
pública (17 como técnica superior e 8 como dirigente, tendo recebido duas “menções
de mérito excecional” do órgão deliberativo onde exerço funções desde 1987) e,
ainda, do desempenho como autarca de freguesia (6 anos) e deputada municipal (1
ano), coordenadora de uma comissão nacional de trabalhadores desde 2000 e seis
anos como delegada sindical, acho que é de ponderar até uma possível atribuição
do grau de Doutor.
Isto quanto à parte letiva. Já
não peço que me dispensem de apresentar o projeto de tese pois que, nesta data,
até estou a preparar um trabalho de investigação que poderá servir os objetivos
pretendidos. Podem, isso sim, deixar uns créditos suplementares para garantir a
aprovação final.
É certo que nunca desempenhei funções
no Governo, não pertenço à Maçonaria, nem exerci cargos de gestão em empresas
privadas (apesar de ter trabalhado num consultório médico como rececionista,
numa papelaria e numa escola de música como empregada de balcão e como
professora de Geografia num externato particular), mas também fui militante partidária
muitos anos (mais de três décadas, embora nunca tenha sido no PSD), paguei
sempre as propinas, nunca faltei às aulas (apesar de ser trabalhadora
estudante), realizei todas as frequências presencialmente e dispensei sempre de
ir a exame, mesmo no ensino secundário onde também obtive médias bastante
razoáveis: 16 (no curso complementar de secretariado e relações públicas), 15 (no
curso liceal) e 14 (no 12.º ano).
Estão, assim, satisfeitas todas
as condições para a certificação de competências e a obtenção do correspondente
título académico.
Para terminar, espero vir ainda a
obter igual desconto no que se refere aos encargos financeiros do processo pois
que com esta austeridade dá muito jeito. Além do mais espero que pesem de forma adequada o facto de, no que se refere à prova das habilitações e/ou experiência profissional não haver no meu currículo lapsos convenientes e tudo o que afirmo estar devidamente documentado.
Há apenas dois senão. Não tenho cartas de recomendação nem conheço nenhum professor universitário que possa assinar o parecer...
Há apenas dois senão. Não tenho cartas de recomendação nem conheço nenhum professor universitário que possa assinar o parecer...
terça-feira, 10 de julho de 2012
"Chá de Histórias" na Rua Cândido dos Reis, Cacilhas
A propósito da renovada rua Cândido dos Reis (e colocando de parte as críticas que, na minha opinião, a obra continua a merecer pelos efeitos que teve a montante e ainda tem a jusante), não posso deixar de vos apresentar um novo estabelecimento que abriu portas recentemente: a Pastelaria "Chá de Histórias", cujo interior se pode ver nas fotografias acima.
Da visita que fiz no domingo passado (estão abertos de 3.ª a domingo das 10h às 24h), deixei o seguinte testemunho no "Livro de Memórias" da casa (aliás, fui a primeira!):
«Tive o grato
prazer de estar aqui hoje e fiquei deveras agradavelmente surpreendida.
"Chá de Histórias" é um espaço agradabilíssimo onde a simpatia e o
profissionalismo de quem nos recebe é a porta de entrada para momentos de
inesquecível prazer onde o palato é um dos primeiros a satisfazer pois aqui há
doces especiais com um toque de magia, enquadrados numa decoração original
repleta de memórias do passado... sente-se, quase, o murmúrio das conversas de
outrora nesta antiga mercearia hoje pastelaria e salão de chá.
E não posso esquecer a esplanada onde a brisa nos trás inspiração e faz com que queiramos aqui permanecer até ao anoitecer.
Aqui ficam os meus sinceros parabéns e votos sinceros, igualmente, de êxitos redobrados. Por cá hei de passar muitas mais vezes, ciente de que sairei sempre com vontade de voltar. Por isso: até breve!»
E não posso esquecer a esplanada onde a brisa nos trás inspiração e faz com que queiramos aqui permanecer até ao anoitecer.
Aqui ficam os meus sinceros parabéns e votos sinceros, igualmente, de êxitos redobrados. Por cá hei de passar muitas mais vezes, ciente de que sairei sempre com vontade de voltar. Por isso: até breve!»
Veja AQUI o programa.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Equidade, bom senso e lógica
Vem este artigo a propósito da crónica de Vasco Pulido
Valente no jornal Público de ontem. Uma
crónica curta mas mordaz, prenhe de uma raiva cega e incontida contra os
funcionários públicos que me deixou extremamente revoltada.
Retirar o subsídio de férias e de Natal só é possível de
fazer a quem os recebe (trabalhador no ativo ou reformado). Consequentemente, pouco
interessa se esse alguém trabalha (ou trabalhava) no setor público ou privado…
a injustiça do ato é idêntica em ambos os casos porque esses subsídios são, na
minha opinião, um direito de cada um em termos de igualdade.
Mas VPV, do alto da sua soberba, vem falar de equidade e
considera que retirar aqueles subsídios apenas aos funcionários públicos é uma
questão de lógica e de bom senso. Alega que setor publico e privado são duas
realidades diferentes. É um facto que o são. Mas o que está em causa é um direito
universal de quem trabalha, independentemente de quem é o seu patrão.
VPV apresenta justificações boçais e mesquinhas e não se coíbe
de dizer uma série de disparates para fundamentar a sua teoria: a de que os
funcionários públicos são, afinal, os culpados pelos erros dos sucessivos Governos
e, por isso, devem pagá-los do seu bolso. Além disso são, ainda, os
responsáveis pelo desemprego do setor privado e por isso há que os responsabilizar
retirando-lhes os subsídios de férias e de Natal… esqueceu-se de dizer que além
desse roubo perpetrado em 2012, os funcionários públicos já estão a ser lesados,
desde o início de 2011, com uma percentagem de redução no seu salário mensal.
VPV parte do princípio que, em matéria de gestão financeira,
o Estado é quase sempre irresponsável e os privados são, normalmente, responsáveis.
Por isso, como a nossa Justiça nunca puniu os governantes pelos seus
presumíveis crimes, há que fazer os funcionários públicos pagar por essa falha
do sistema. Fala como se não houvesse gestores incompetentes no setor privado e
todo o tostão ganho fosse racionalmente empregue, um retrato que contratas com
aquela que é a realidade do nosso país onde muito do nosso atraso em termos
económicos também deriva da falta de visão dos empresários… generalizar nunca
foi solução.
Depois de ler o texto de VPV ficamos com a noção de que o
funcionário público é estrangeiro (portugueses são apenas os do setor privado),
um malandro e criminoso (por oposição aos indefesos trabalhadores do setor
privado, embora em geral seja inócuo, se for anónimo), um oportunista privilegiado
(pois conseguiu o lugar por “pressão pessoal ou partidária”) e goza de benesses
que mais ninguém tem. Apesar de ser incompetente e preguiçoso tem dotes de
malabarista pois consegue, afinal, trabalhar em acumulação de funções no setor
privado.
Gente assim merece, de facto, que lhe retirem não apenas os subsídios mas o próprio ordenado! Mas fica-me a dúvida: e os reformados, terão os seus crimes já prescrito?
Apetecia-me chamar-lhe nomes feios. Mas fico-me por um
simples: bem-haja! Penso que não merece mais do que isso, coitado.
domingo, 8 de julho de 2012
1 + 2 + 1 = 0
Depois da notícia de primeira página do jornal Expresso de ontem: «Três dos quatro professores de Relvas nunca o avaliaram», finalmente o Ministro Relvas emitiu um comunicado sobre o assunto da sua "turbo licenciatura":
E após uma semana de recusas sucessivas em esclarecer as dúvidas surgidas, o Ministro Relvas autoriza a consulta do seu processo e a Universidade Lusófona emite dois comunicados:
Antecipando o prometido, a Lusófona acaba por divulgar ontem mesmo os nomes dos docentes que leccionaram as cadeiras a Miguel Relvas, como se pode ler no segundo comunicado da instituição.
Estas reações levaram a Direção do Expresso, por sua vez, também a emitir um comunicado:
Resumindo, temos 1 + 2 + 1 = Nada de novo sobre o assunto. Ou seja, zero esclarecimentos efetivos sobre que tipo de competências foram consideradas e em que moldes se processou a respetiva certificação (li algures que até haviam sido consideradas algumas "cartas de recomendação" apresentadas por Miguel Relvas para atestar a sua valência académica... estranhamente não se fala uma única vez, por exemplo, na eventual frequência de cursos e/ou ações de formação profissional... foi tudo com base apenas na experiência política).
Assim como ficam por esclarecer as razões pelas quais se tem escondido informação de acesso público (os nomes dos docentes, as cadeiras frequentadas e as notas obtidas pelos alunos, não são dados de acesso restrito mas sim público... tanto assim é que as pautas são afixadas nos estabelecimentos de ensino em locais de acesso ao público em geral)... se não havia nada a esconder, se tudo estava conforme a lei, porque recusar a consulta do processo? Ter-se-iam evitado muitas especulações e escusavam agora de aparecer as"virgens ofendidas".
Sinceramente, a mim pouco me importa se Miguel Relvas é ou não licenciado (o grau académico não é requisito para o exercício de cargos políticos). Mas já me incomoda, e muito, que tivesse andado a mentir sobre o seu percurso académico e a permitir-se usufruir de benefícios de ética duvidosa (já no direito romano se ensinava que: nem tudo o que é lícito é honesto, nem tudo o que é legal é moral), pois mostra a sua falta de caráter... e um político sem escrúpulos a esse nível não é uma pessoa de confiança, logo não merece ocupar um lugar de responsabilidade governativa.
Sobre o que devia ser esclarecido, tomo a liberdade de fazer minhas as palavras de Alexandre Guerreiro, do blogue "Nem tudo Freud explica": «Miguel Relvas: 50 perguntas que deviam ter resposta.»
Sobre o que devia ser esclarecido, tomo a liberdade de fazer minhas as palavras de Alexandre Guerreiro, do blogue "Nem tudo Freud explica": «Miguel Relvas: 50 perguntas que deviam ter resposta.»
sábado, 7 de julho de 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Inconstitucional! E agora?
Versão integral do Acórdão n.º 353/2012 do Tribunal Constitucional
Estou como o São Tomé: ver para crer! Até porque já houve quem viesse dar a entender que se a inconstitucionalidade se prende com um problema de "igualdade"... então que se apliquem os cortes também ao setor privado.
E, além do mais, assustam-me quais serão as "medidas equivalentes" que aí poderão vir... o Primeiro Ministro já avisou!
Mas, há uma dúvida que eu gostava de ver esclarecida:
O teor da alínea b)... faz sentido declarar inconstitucional uma medida mas abrir uma excepção quanto à aplicação dos seus efeitos? É possível a mesma medida ser inconstitucional a partir de 2013 mas ser conforme a Constituição em 2012... porque se em 2012 ela já é inconstitucional, sinceramente custa-me a entender como se assume uma decisão daquelas.
Quase parece, afinal, que esta decisão acabou por vir muito a jeito para o Governo que passa, assim, a ter uma justificação para aplicar a todos os trabalhadores (e não apenas aos funcionários públicos e aos pensionistas) o roubo dos subsídios de Férias e de Natal... e ficaria resolvida a questão da igualdade!
E, então, o direito (constitucional) de quem trabalha receber o seu vencimento? Não esqueçamos que estes subsídios faziam parte da remuneração anual e não são uma benesse extraordinária dada a título de "participação nos lucros"...
E, além do mais, assustam-me quais serão as "medidas equivalentes" que aí poderão vir... o Primeiro Ministro já avisou!
Mas, há uma dúvida que eu gostava de ver esclarecida:
O teor da alínea b)... faz sentido declarar inconstitucional uma medida mas abrir uma excepção quanto à aplicação dos seus efeitos? É possível a mesma medida ser inconstitucional a partir de 2013 mas ser conforme a Constituição em 2012... porque se em 2012 ela já é inconstitucional, sinceramente custa-me a entender como se assume uma decisão daquelas.
Quase parece, afinal, que esta decisão acabou por vir muito a jeito para o Governo que passa, assim, a ter uma justificação para aplicar a todos os trabalhadores (e não apenas aos funcionários públicos e aos pensionistas) o roubo dos subsídios de Férias e de Natal... e ficaria resolvida a questão da igualdade!
E, então, o direito (constitucional) de quem trabalha receber o seu vencimento? Não esqueçamos que estes subsídios faziam parte da remuneração anual e não são uma benesse extraordinária dada a título de "participação nos lucros"...
quinta-feira, 5 de julho de 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Mais cidadania local: precisa-se!
Por Paulo Trigo Pereira
«Agostinho da Silva achava que Portugal, para renascer, tinha que ser a partir do município. E tinha razão, mas para isso é preciso que haja muito mais cidadania local. Como é que os cidadãos, mesmo não enquadrados partidariamente nem particularmente interessados em política, podem intervir na Polis de forma a melhorar a qualidade da democracia? Participando mais nos espaços de debate público da freguesia e do município, e exigindo mais transparência, informação e deliberação pública.»
Continua AQUI.
terça-feira, 3 de julho de 2012
O lugar das coisas
Coube-me a mim, com muita honra, no passado dia 4 de junho, na
Escola Secundária Cacilhas – Tejo, fazer a apresentação do livro O lugar das coisas, de Miguel Almeida, em nome da associação Poetas Almadenses, um grupo de amigos que, entre outras atividades,
se reúnem no último sábado de cada mês para as suas sessões de “Poesia Vadia”,
desde março de 2003.
Trago-vos hoje aqui um resumo daquele que foi o meu discurso e é pena que não posso ilustrá-lo ao
vivo em cada “paragem do caminho” (ou seja, em cada capítulo), como aconteceu a quando da sessão de lançamento, com a leitura de poemas
por Amélia Cortes, Clara Mestre, Gertrudes Novais e Luís Alves, quatro dos melhores declamadores do grupo de Poetas Almadenses.
Depois de cumprimentar todos os presentes, comecei assim:
«Antes de continuar, deixem que vos esclareça de um pormenor
que faz toda a diferença: não sou crítica literária mas uma mera amante
da poesia, que observa a palavra escrita com os “olhos do coração”. Por
isso, não esperem de mim uma apreciação erudita desta obra… em contrapartida, podem contar com
uma breve viagem pelas emoções que senti consoante fui lendo cada poema deste
livro.
Para mim, a poesia é a forma mais livre de expressar sentimentos
e, por isso mesmo, deve ser apreciada (ou não) mas nunca julgada. Talvez
seja utópica, mas não concebo a poesia amarrada a quaisquer espartilhos de
estilo, métrica ou rima que, por vezes, fazem o autor escrever não o que
verdadeiramente sente mas aquilo que melhor se encaixa nas apertadas regras e
parâmetros que servem para aferir da suposta qualidade literária dos poemas que
connosco quer partilhar.
Passemos, então, ao livro que hoje aqui
nos trouxe, criado para uso do poeta (conforme assim o diz a expressão
latina que encabeça o título desta obra: O
lugar das coisas) mas que a partir do momento em que chega às nossas mãos,
leitores de Miguel Almeida, adquire um novo objetivo: fazer o nosso
deleite enquanto viajamos por entre os versos como se estes fossem lugares onde
os sentimentos estão pacientemente à espera que os encontremos.
Como um roteiro de sensações, iniciemos a nossa viagem,
Começamos pelos instantâneos da origem (da p. 11 à p. 23), lugar onde as palavras nascem soltas, breves, arrojadas na sua nudez
orgulhosamente simples… aí encontramos, sobretudo, a SURPRESA e o ESPANTO e uma pitada de DESASSOSSEGO.
Passamos ao ato da criação (da p. 27 à p. 38): um lugar de emoções fortes e onde Miguel Almeida “ESPALAVRA IDEIAS”, como quem semeia letras em
folhas de papel fértil e colhe poemas escritos, já maduros, prenhes de
sentimento. Ali residem a DÚVIDA e a INCERTEZA, passa-se pela DESILUSÃO
e vislumbra-se a ESPERANÇA.
E chegamos à verdadeira essência da identidade do autor: ser poeta (da p. 41 à p. 52). LIBERDADE é a palavra mágica que se apropria do diálogo poético e
aproxima o homem de Deus. Moram aqui a REALIDADE mas também o
SONHO, e entre uma e outro, descansa o poeta do árduo trabalho da
criação.
Mas a nossa viagem está longe de terminar e muito há ainda
para descobrir…
Façamos, agora, uma incursão pelo interior substantivo do
livro, denso e protegido dos arroubos iniciais. Aparecem-nos os dons & deveres no qual navegam
mais dez poemas (da p. 55 à p. 66). Aqui o SILÊNCIO da palavra
escrita ouve-se por entre as sílabas que escondem a SABEDORIA que as transforma em poema e nos deixam estarrecidos
perante tanta beleza.
E o cenário mantém-se na etapa que se segue: a das palavras & silêncios (da p. 69
à p. 81), numa busca incessante do SAGRADO mas onde o PROFANO invade,
despudorado, os cantos e recantos de cada verso.
Continuando a “caminhada”, avistam-se as artes & ofícios, mais dez poemas (da
p. 85 à p. 97) que nos trazem a PRUDÊNCIA, mas também a INQUIETAÇÃO,
que nos mostram como se constrói o poema e para que serve a poesia. Um retrato
pintado com IMAGINAÇÃO e muita EMOÇÃO.
A seguir não podemos deixar de nos surpreender com o
aparecimento da SENSUALIDADE que espreita no voltear de cada um
dos gostos & prazeres
( da p. 101 à p. 114) que nos são oferecidos em bandejas de palavras cantantes
de melodias serenas…
A nossa próxima visita é, talvez, aquela onde a voz do poeta
cala mais fundo: situações
& sensações (da p. 115 à 128) apresenta-nos a SOLIDÃO e leva-nos a navegar por paragens onde a DOR e o MEDO estão tão presentes que é difícil não sentir arrepios
ao ler cada um dos dez poemas deste capítulo.
Contudo, a virtude da espera leva-nos a bom porto:
Vida & talvez
coração (p. 131 à p. 144) campo fecundo onde a PARTILHA é total e faz germinar poemas sobre aquilo que de mais
íntimo o poeta sente, como seja o AMOR. E nós & os outros (p. 147 à p. 158) um canto à vida onde o vazio
se preenche com POESIA. O poder da palavra escrita,
simplesmente…
E chegamos ao fim com vontade de voltar ao início e retomar a
marcha, fazendo o mesmo exato percurso pois decerto novas emoções floriram
entretanto: este é um dom do Miguel Almeida que não sei explicar… a sua
extraordinária capacidade em multiplicar sentidos em cada um dos seus versos,
emoções que se descobrem a cada nova leitura como se esta fosse a primeira, e
nos confere a liberdade de reinterpretar o poema mais uma vez.»
Este é, portanto, um livro que vos aconselho. Vão gostar de o
ler, com toda a certeza.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
ECALMA: a contestação popular continua.
Intervenção da munícipe Inês Abreu na Assembleia Municipal de Almada de sexta-feira passada:
«Sr.
Presidente, Srs. Deputados Municipais,
Público,
trabalhadores da Autarquia e Comunicação Social
Muito Boa
Noite a todos!
Há precisamente dois anos atrás, no decorrer da Assembleia
Municipal, foram entregues à Senhora Presidente da Câmara, 4000 mil assinaturas
reunidas numa petição que tinha como principal reclamação, a suspensão da
empresa municipal ECALMA.
Reuniram-se várias centenas de moradores descontentes num
movimento de cidadãos, revoltados com as injustiças praticadas por esta empresa
municipal. Este movimento nasceu, cresceu e a partir do momento em que cumpriu
o seu dever de cidadania, comparecendo na Assembleia, ficou a aguardar que as
autoridades competentes cumprissem a sua função que é a de responder ao
que lhes é questionado!
Nunca esse movimento foi contra uma empresa que gerisse o
estacionamento e a circulação, visto ser este um dos grandes problemas do nosso
município; pedia-se, isso sim, que a existir tal empresa, ela atuasse de forma
rigorosa e não aleatória, com funcionários formados adequadamente, que agissem
sobretudo de forma pedagógica; e não com pessoas sem qualquer tipo de
consciência social, contratadas precariamente que acabam a provocar constantes
situações dúbias, das quais se servem para multar, a “bel-prazer” e critério
próprios.
Durante os meses de actividade deste movimento, os seus
membros procuraram ser sobretudo intermediários entre os cidadãos com queixas
plausíveis e justificadas e a Câmara Municipal, utilizando este período aberto
à população e os meios de comunicação social.
Ao longo de dois anos, aguardou-se que a Câmara Municipal de
Almada tomasse alguma iniciativa de reunir com estas pessoas com tantos
episódios para contar, para valorizar a participação cívica numa altura em que
a abstenção e o desinteresse pela actividade política municipal crescem, na
exata proporção das “não-respostas” por parte da Câmara de Almada.
Poderão dizer-me que a administração da ECALMA possui meios
próprios de avaliação da sua actividade e capacidade de se auto-restruturar.
Mas preferir faze-lo, nas costas da população, com a prata da casa é totalmente
incompreensível e viola um dos princípios básicos da moderna democracia
participativa do século XXI.
Na Assembleia de Freguesia de Almada de dia 22 de Junho,
voltaram-se a ouvir dezenas de pessoas, moradoras da zona de São Paulo, queixando-se
de terem sido avisadas pelos agentes da ECALMA de que começariam a multar e a
rebocar os carros, caso continuassem a estacionar da forma que o têm feito até
aqui. Estas pessoas comunicaram a sua preocupação com o elevado número de
pessoas idosas ou outros dependentes a viver na zona, com mais ou menos
limitações de locomoção, sem capacidade financeira de adquirir uma avença num
dos parques de estacionamento das redondezas.
Estas e outras queixas faziam parte da lista de preocupações
entregues há dois anos atrás e que foram completamente ignoradas pela Câmara
Municipal de Almada.
Tantas vezes escutamos a Senhora Presidente da Câmara de
Almada, denunciando práticas, que designa de abusivas, por parte dos Governos
Centrais, que muito gostaríamos de a ver a cumprir o que defende, ouvindo os
eleitores e trabalhando com (e não contra!) eles.
Ao mesmo tempo, na cidade da Costa de Caparica, a revolta
cresce pois cada vez é mais difícil aos residentes, estacionar nas ruas em que
habitam, uma vez que estas são progressivamente “invadidas” pelos banhistas que
fogem aos caros estacionamentos criados próximo das praias. Estes estão vazios,
enquanto nas ruas adjacentes não conseguem os moradores encontrar lugar para as
suas viaturas. Assim sendo, está a ECALMA a atuar como “desreguladora” do
estacionamento na Costa de Caparica, que outrora era natural, e agora é escorraçado
dos lugares pagos para pacatas ruas residenciais. E que se saiba, nada lucra a
população desta cidade, com as receitas cobradas nas suas praias.
Por isso decidi vir aqui hoje, dar ainda mais relevo a este
descontentamento para que as pessoas não sejam, de novo, esquecidas.
- Sra.
Presidente da Câmara de Almada, já várias vezes apelei ao seu bom senso para
procurar acabar o seu último mandato com a dignidade possível, dando
finalmente, alguma audição ao que dizem os seus munícipes, sem a arrogante
sobranceria a que nos habitou ao longo destas várias décadas.
- Sra.
Presidente da Câmara de Almada, tente ficar na história com imagem diversa da
que tem dado.
- Sra.
Presidente da Câmara de Almada, escutar os munícipes é o primeiro dever dos
eleitos, se democratas.
Tenho dito!»
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