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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Conversas ao serão... "a revolução popular"!

Depois de ter escrito a declaração de princípios divulgada no artigo de ontem resolvemos realizar, cá em casa, uma interessante e participada “conversa ao serão” sobre a influência que a UDP está a ter no BE em Almada.

Conversa puxa conversa, discutiu-se o presente mas era inevitável que se acabasse por fazer uma viagem ao passado... e tendo conseguido desencantar o n.º 4 do jornal Revolução Popular, de Abril de 1965, órgão do Comité Marxista-Leninista Português, o "avô da UDP", era inevitável que a discussão se centrasse no conteúdo do respectivo editorial e que adiante transcrevo.

E houve logo quem dissesse: “ora vejam só, tão inimigos que eles eram e agora tão amigos que são. As voltas que o mundo dá, hem?»

Aqui fica o texto referido que acabou por nos conduzir por uma animada discussão que durou quase até à meia-noite.

«AOS CAMARADAS COMUNISTAS

O que é o Comité Marxista-Leninista Português?

O Comité foi criado por um grupo de revolucionários comunistas que tomaram a iniciativa de se juntarem, para poderem defender, de uma forma independente e bem clara, o caminho revolucionário que há-de libertar o nosso povo do fascismo e levá-lo ao socialismo.

Antes de tomarem esta decisão, estes comunistas analisaram a orientação incorrecta dos dirigentes do PC e, dentro das fileiras do Partido, lutaram incansavelmente pela correcção dessa orientação política. Esta luta valeu a alguns deles a expulsão do Partido, sob as acusações mais indignas.

Hoje, é para nós claro que a luta dentro do Partido, para a correcção da orientação, é uma luta inglória, que nada consegue resolver. Os dirigentes oportunistas do PC estão decididos a não escutar os protestos dos seus militantes, e a responderem com mentiras e calúnias infames, indo mesmo, como sucedeu no “Avante” de Dezembro, a denunciar os nomes de camaradas nossos na clandestinidade.

A todos os processos, mesmo os mais vergonhosos, eles estão dispostos a deitar mão para conseguirem manter os operários atados à burguesia anti-fascista, perpetuando assim o fascismo, a exploração e o sofrimento dos trabalhadores portugueses.

Muitos camaradas, pela sua própria experiência, já se deram conta aonde os leva a orientação traidora dos dirigentes oportunistas. Mas, muitos destes camaradas, têm ainda ilusões sobre as possibilidades de levar os dirigentes oportunistas ao bom caminho. Nós compreendemos a atitude destes camaradas mas temos de combatê-la.

Nós compreendemos o amor e dedicação que esses camaradas têm ao partido, que tem sido o da classe operária, mas que já não o é, por não conduzir o povo e a classe operária à Revolução. Esses camaradas iludem-se a si próprios. Nós apreciamos em alto grau a atitude de dedicação de que esses camaradas dão provas, mas simplesmente essa atitude só seria correcta se os dirigentes do PC estivessem à altura dela. E eles não o estão.

Para nós, é cada dia mais nítido, que aquele que era o nosso Partido, foi usurpado por meia dúzia de dirigentes cuja cegueira oportunista os leva a trilhar caminhos que atraiçoam a classe operária.

Para nós, o Partido de Álvaro Cunhal deixou de ser o nosso Partido, o representante da classe operária, o Partido dos Comunistas. Ele deixou de lutar pela revolução proletária, ele entregou os comunistas nos braços da burguesia anti-fascista.

Qual é então o caminho que temos de seguir?

É preciso que todos os verdadeiros comunistas, todos os verdadeiros revolucionários, se unam e formem um verdadeiro Partido Comunista que se guie fielmente pelas ideias dos dois grandes revolucionários Marx e Lenine, os fundadores da doutrina comunista e do primeiro estado socialista, a União Soviética.

Quanto mais tarde compreendermos a necessidade da criação de um Partido revolucionário, capaz de conduzir as massas populares ao poder e ao socialismo, mais atrasamos a revolução. Quanto mais depressa os comunistas se agruparem numa nova organização orientada por uma linha revolucionária, mais depressa chegará o momento da libertação do jugo capitalista.

O Comité Marxista-Leninista é como uma semente que, germinando no seio do povo, nos há-de dar um novo fruto, um Partido Comunista revolucionário.

A criação deste Comité foi o primeiro passo dado pelos comunistas portugueses para a formação do Partido revolucionário de que o povo precisa. Animados pelo nosso exemplo, outros comités se estão formando, e em breve um Partido Comunista estará montado e, com ele, começarão as grandes lutas decisivas do nosso povo pela sua libertação.

Camaradas, coragem e decisão que o momento não permite desânimos. O momento e de cerrar fileiras.

Camaradas unamo-nos debaixo dos princípios revolucionários marxistas-leninistas e que cada um tome o seu posto de combate.

Vivam os Comités Marxistas-Leninistas!
Viva o Partido Comunista revolucionário!
Viva o Comunismo!»
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