segunda-feira, 23 de junho de 2008

Hospital da Luz discrimina doentes da ADSE

O Hospital da Luz apesar de ter celebrado um acordo com a ADSE que “proíbe qualquer discriminação no acesso” dos funcionários públicos aos serviços daquela unidade de saúde privada, certo é que a realidade é outra.

A neurologista que assiste um amigo meu, e que antes dava consultas no Hospital dos Capuchos e na Clínica de Santo António, mudou-se para o Hospital da Luz.

Como precisava de uma consulta urgente, e não tendo outra hipótese de escolha, acabou por telefonar, hoje, para marcar consulta. Como é trabalhador do Ministério das Finanças, disse que o sistema de saúde era a ADSE e prontamente a operadora, apesar de lhe confirmar que, neste caso, nem sequer se tratava de uma primeira vez e sim uma consulta de continuação, mesmo assim, só havia vaga para o dia 10 de Outubro.

Entretanto, estivemos à conversa e o assunto veio à liça: “Caramba, um hospital privado com cerca de um ano e já tem listas de espera? Estranho. E se tivesses um seguro de saúde, ou fosses particularmente, o tempo de espera seria idêntico?”

Vai daí resolvi telefonar a tentar marcar consulta para a mesma médica, dizendo que já era doente dela. Mas como informei que ia a título particular, abriram-se-me todas as portas e por 90 euros tinha consulta já para amanhã mesmo não sendo urgente como eu frisei. E como eu disse que nesse dia não podia, a operadora comunicou-me que não havia problema, as vagas eram muitas e podia ser na 5.ª feira.

Todavia, para o meu amigo, que precisa mesmo dessa consulta pois está a fazer um tratamento que não pode ser descontinuado, tem exames médicos para mostrar (importantes como auxiliares no correcto diagnóstico da sua doença) e medicamentos que estão a acabar sem os quais não pode passar, apesar disso tudo e de a médica só ali dar consultas, fazem-no esperar quase quatro meses.

E para meu espanto, venho a descobrir que no DN de ontem este tema foi notícia de primeira página.
O meu amigo vai queixar-se à ADSE e à Entidade Reguladora da Saúde, tal como muitos outros, ao que parece, já o fizeram. Mas, infelizmente, eles (os gestores do Hospital da Luz e outros que estão a agir de forma semelhante) têm a “faca e o queijo na mão” e como em questões de saúde o doente é a parte mais fraca... será preciso dizer mais?

4 comentários:

Anónimo disse...

Li-a hoje. Posso dar-lhe uma dica para ultrapassar estas questões no nosso País nos hospitais privados que vivem do dinheiro e não do orçamento de estado: entre pelas urgências... são obrigados a ver o doente (felizmente os médicos vêem o doente) e depois é encaminhada para a consulta da especialidade. Se há realmente *doença* esta é a maneira de lhes dar a volta.
Saudações.
G.P.

Minda disse...

Anónimo:

É triste termos de arranjar estratagemas para ultrapassar estas situações mas, infelizmente, este é o país que temos.

Todavia, se cada um de nós denunciar este tipo de atitudes, creio que será possível contribuir para que as coisas mudem.

Obrigada pelo seu contributo.

Anónimo disse...

Lamentavelmente, seis anos depois, o hospital da Luz continua com essa mesma política com a agravante de "trancarem logo ao telefone e ao balcão" quando dizemos que o nosso subsistema de saúde é ADSE mesmo quando os médicos atendem utentes desde subsistema e sem estes médicos ficarem a saber. Quantos mais denunciarmos estas situações, quero acreditar que melhor será. Saberão as pessoas que ADSE é um autêntico Seguro de Saúde a quem pagamos 3,5% do nosso ordenado por mês? Cumprimentos,
M.G.M.

gaspar disse...

Boa tarde

Hoje mesmo, verifiquei a veracidade destes comentários....
Infelizmente irei denunciar este caso.

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