quinta-feira, 11 de março de 2010

Pela boca morre o peixe... ou uma grande lição de solidariedade!


Duas linhas
Uma bofetada de luva branca

Jornal: Diário de Notícias da Madeira
Data: 26-02-2010

Faço parte daquele enorme grupo de madeirenses que nunca esqueceu a arrogância do presidente do Governo Regional da Madeira quando, em 1999, disse: "Nem um tostão para Timor!" Fiquei ainda mais magoado quando, um ano depois, tive a oportunidade de visitar Timor-Leste integrado na comitiva que acompanhou o Presidente da República Jorge Sampaio em visita oficial. Vi casas destruídas, vi gente humilde, sem nada. Gente que ainda falava algum português, que pedia ajuda e que precisava mesmo dessa ajuda. E lembrava-me, nessa Díli ainda destroçada, do presidente do governo da minha ilha: "Nem um tostão para Timor!".

Agora que Timor começa a erguer-se mas revela ainda muitas fragilidades, é a nossa Madeira, a 'Singapura do Atlântico', a merecer a ajuda de fora. Ao contrário de mim, Ramos-Horta e Xanana Gusmão já esqueceram o que disse Jardim. E agora, em vez de nem um tostão para a Madeira, vejo com emoção um país bem mais pobre que a nossa rica Região a dizer: "100 mil contos para a Madeira!". Timor, um dos países mais pobres do mundo, desvia dos seus cidadãos 556 mil euros (ou 750 mil dólares) para ajudar a manter o bom nível de vida de uma Região que se apresenta com indicadores que a deixam como uma das mais ricas da União Europeia. E Timor não se limita a um tostão: oferece mais de dois euros a cada madeirense.

Sei que este não é o momento para tricas políticas. Que a hora é de trabalhar pela reconstrução, chorar os mortos e proteger os vivos. E, sinceramente, acho que estamos a fazer bem o que é possível fazer nesta altura. O Governo, as Câmaras, as Juntas, os Voluntários. Mas é difícil ficar insensível perante os contributos vindos de fora. Além dos efeitos práticos na reconstrução, a solidariedade de anónimos e as visitas dos 'cubanos' Sócrates e Cavaco e ainda o dinheiro do patrão do 'Pingo Doce' obrigam-nos não apenas a ter mais cuidado com o planeamento urbanístico como também a ter mais tento na língua. Nas desgraças é assim: hoje eles, amanhã nós.
Miguel Silva, Editor de Política
Imagem: retirada da Net (autor desconhecido).

6 comentários:

Observador disse...

Podemos chamar a esse gesto uma "bofetada com luva branca".
Mas não creio que os timorenses tenham entrado por aí.
Apenas foram, e são, solidários.
Será que AJJ percebe?

Anónimo disse...

Estou de acordo c/ o Observador, das 14:05, foi incrível a solidariedade dos timorenses em contraste c/ o traste de AJJ, e quem paga é o madeirense, iludido pelo favorecimento ilícito do governante e apoiantes.

António Manuel

Anónimo disse...

Alguma vez o Alberto JJ foi político de jeito?
Só os tótós (políticos) do contnente lhe aparam as parvoíces e os golpes baixos.
Não é difil perceber por quê.

Minda disse...

Observador:

AJJ percebe, e muito bem. Por isso já mudou o seu comportamento face àqueles que tanto criticava.

Minda disse...

António Manuel:

Os timorenses deram-nos uma lição de solidariedade e, espero, todos saibamos aprender com ela.

Minda disse...

Anónimo:

O AJJ está onde está com a conivência de quem vota nele.

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