
«Os chefes partidários não têm dado o exemplo. Nem aos políticos nem à população. Eles não têm dado o exemplo de que estão absolutamente convencidos de que é necessário fazer um esforço comum e que é necessário por em cooperação e em colaboração ... não se trata de fazer unidades nacionais, nem de uniões nacionais - isso são conversas fiadas de algumas pessoas... Mas convergência, no essencial, para resolver alguns problemas imediatos.»
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«Em política, para o bem dos outros, as pessoas não têm só de falar com quem gostam. Não se pede que namorem, para irem ao cinema, para irem jantar juntos. Pede-se para se entenderem em nome das pessoas que representam. Estão ali porque receberam umas centenas de milhar de votos. E eles têm de falar com quem está na frente deles, quer queiram quer não. Eles têm de dar o exemplo.»
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«Eu nunca fui contra a política nem sou contra os políticos. Sou contra os maus políticos. E nós estamos, actualmente, a ser governados por muitos maus políticos. É contra estes que eu me enervo, não é contra a política... essa ideia não me passa pela cabeça. A política é das artes mais nobres que existem. É o serviço público. É servir os outros, também.»
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«Ainda há liberdade de expressão. Mas a expressão livre do pensamento está muito condicionada.»
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«Os políticos não podem tratar o povo, os cidadãos, como animais. Têm que os tratar com todo o respeito que eles merecem. Têm que lhes dizer o que é que se passa, têm que os informar.
Querem sacrifícios? Têm que, primeiro, dar o exemplo. Fazer eles os próprios sacrifícios.
Os partidos têm de fazer sacrifícios. Têm de dar o exemplo. Têm que os informar do que querem fazer, do que podem fazer e do que devem fazer. Se eles não fizerem isso, e além disso não houver equilíbrio social, eu receio o pior para Portugal.»
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«O problema é que os partidos, mais uma vez, e eu não sou contra os partidos (de todo)... os partidos, graças à disciplina de voto, graças à ditadura absolutamente obscena dos chefes dos partidos, graças à eleição directa dos chefes dos partidos, sem discussão, sem congressos a sério para discutir políticas, os partidos afastaram as pessoas que têm um mínimo de dignidade pessoal.
Você já viu como se vota no parlamento?
Uma manada!
Levanta-se um grupo de 50. Senta-se um grupo de 50. Levanta-se um grupo de 70... Já nem se contam os votos. Nem se pergunta quantos votam a favor ou contra. Não! O PS votou contra, o PSD votou a favor... É uma pequena manada que se levanta, só. São uma espécie de robots automáticos.
Como é que você quer que, com um sistema político destes, com um parlamento destes... como é que você pode pedir às pessoas que têm alguma dignidade, alguma inteligência, alguma seriedade, alguma honestidade, que se submetam como cãezinhos a dar e dar com o rabinho e as orelhas?
Não pode ser!»
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«O essencial é respeitar a dignidade e a independência das pessoas. E uma pessoa, um homem que é profissional, que é um advogado, que é um médico, que é um electricista, que é um marceneiro, que é um estudante, que é um artista, que é um escultor... essas pessoas têm dignidade própria, não estão para se submeter àquela espécie de manada, robotizada, automática, que se levanta e se senta no parlamento.»
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António Barreto na RPT1, entrevistado por Fátima Campos Ferreira no programa "Portugal e o Futuro", em 21-04-2011.